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Irm. Marcos
Coimbra
É fato notório para qualquer cidadão, dotado
de razoável percepção, que o Brasil sofre uma
das mais sérias crises de sua história, nas cinco
expressões do Poder Nacional. Em uma rápida análise,
identificamos vulnerabilidades extremamente perigosas, configurando
óbices capazes de impedir a consecução dos
Objetivos Nacionais Permanentes.
Na expressão
econômica, verificamos a existência de uma significativa
dependência ao exterior, fruto de equivocadas ações
econômicas preconizadas pelos "donos do mundo",
através do Fundo Monetário Internacional (FMI), sem
necessidade real. Para concessão do empréstimo solicitado
pela administração FHC e confirmado pelo atual governo,
imposições draconianas são exigidas, como as
reformas da previdência, tributária, trabalhista e
outras. As atuais autoridades poderiam ter liquidado os US$ 6 bilhões
entregues à administração anterior e abster-se
de receber as parcelas restantes, obtendo a almejada soberania econômica.
Bastava só coragem, qualidade escassa nos políticos
de hoje, pois as circunstâncias são, no momento, favoráveis.
Não renovando o empréstimo, teríamos, na prática,
o afastamento do Fundo, poupando-nos o ônus da ruptura. Afinal,
não há exemplo de país que tenha adotado as
recomendações do Fundo e tenha sido bem sucedido.
As conseqüências são benéficas apenas para
os rentistas, em especial os estrangeiros, e maléficas para
a população brasileira, ocasionando desemprego, miséria,
exclusão social e desesperança.
Na expressão
psicossocial, um claro domínio do sistema financeiro internacional
e nacional sobre os meios de comunicação de massa,
com o crescimento da mídia amestrada, capaz de fazer a "cabeça"
do povo, influenciando decisivamente corações e mentes,
omitindo, desinformando e distorcendo a verdade. A saúde
pública em franco processo de decadência e a educação
pública em crescente deterioração. A previdência
pública em vias de ser estuprada e os direitos trabalhistas
sendo extintos progressivamente. A segurança pública
em estado caótico, trazendo a angústia, o pânico
e o desespero a milhões de brasileiros. E uma persistente
campanha de desmoralização das Instituições
Nacionais e de nossos princípios e valores morais e éticos.
Na expressão
política, a vã ilusão de que vivemos em uma
democracia. Ora, o regime político democrático baseia-se
justamente na independência e na existência de contrapesos
entre os três Poderes, o que decididamente não é
praticado no Brasil. No Executivo, há a proliferação
da nomeação de membros do partido do presidente para
milhares de "boquinhas", abrangendo até cargos
de ministros para candidatos derrotados no país inteiro,
de sofrível performance em seus campos de atuação,
gerando uma imagem generalizada de incompetência. No Legislativo,
a progressiva cooptação de partidos políticos
sem princípios e de dezenas de congressistas apenas interessados
em seus pleitos pessoais, sem a mínima preocupação
com os superiores anseios nacionais. Chega a ser deprimente presenciar
a vergonhosa mudança repentina de opinião, no relativo
a matérias de relevância nacional. No Judiciário,
o recente episódio da nomeação de três
ministros do Supremo Tribunal Federal diretamente por indicação
do presidente da República, é legal, mas representa
uma inacreditável ingerência de um Poder no outro.
E um processo eleitoral a mercê do poder econômico,
financiador da mídia amestrada e de institutos de pesquisa
de opinião, além do suspeito "voto eletrônico".
Na expressão
militar, o planejado esvaziamento das forças singulares,
por intermédio da progressiva supressão de verbas
orçamentárias, capazes de assegurar sua capacidade
operacional, a altura da importância estratégica do
Brasil, a fim de permitir-lhes o cumprimento de suas atribuições
constitucionais.
Na expressão
científica e tecnológica, o insuficiente aporte de
recursos para pesquisa e desenvolvimento, bem como a falta de ambiência,
caracterizada pelo pequeno número de Instituições
capazes de produzir invenções e a castração
da possibilidade de realização de pesquisas em áreas
estratégicas, por imposição externa.
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