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Irm. Marcos
Coimbra
Antigamente
não havia necessidade de contrato assinado para que um acordo
fosse cumprido. Era a época do "fio de bigode"
como garantia. Isto acabou. Agora existe a necessidade de assinaturas,
firma reconhecida, advogados a fim de que os compromissos assumidos
sejam respeitados. A atual administração, ao tomar
posse, garantiu que respeitaria os contratos em vigor, justamente
para mudar a imagem projetada antes da eleição, a
de que romperia com as imposições do exterior, assinadas
na administração FHC, altamente danosas aos interesses
nacionais. Para surpresa geral, está cumprindo fielmente
todos os contratos em vigor com empresas poderosas, em especial
as estrangeiras. A maior parte das tarifas públicas está
sendo corrigida, conforme os contratos firmados, pelo IGP-DI, não
se atrevendo a administração Lula a sequer contestar
o fato.
Entretanto,
com relação aos trabalhadores, o comportamento é
diferente. As reformas tributária e previdenciária,
encaminhadas ao Congresso pela administração petista,
representam o oposto de tudo aquilo que sempre foi pregado e defendido
veemente por eles, no passado. Gravações de alguns
anos atrás estão sendo divulgadas agora, mostrando
pronunciamentos candentes do atual presidente Lula e de seus principais
assessores combatendo justamente aquilo que querem impor à
população brasileira agora, por cima da lei, da ética
e da moral. No momento, como exemplo, citamos o acontecido entre
a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do
Brasil-PREVI e seus associados. Com um patrimônio superior
a R$ 42 bilhões, a PREVI possui um compromisso firmado com
seus associados de reajustar, uma vez por ano, em junho, os benefícios
pelo IGP-DI. Isto sempre foi respeitado, até a presente data,
mesmo pela nefasta administração FHC, notória
em prejudicar e perseguir os trabalhadores, ferindo seus direitos.
Segundo a imprensa, para espanto de todos os aposentados e pensionistas
do Banco do Brasil, a atual diretoria, composta em parte por diretores
indicados pelo Banco do Brasil e os demais eleitos pelos associados,
quase todos pertencentes ao PT, decidiu, que, pela primeira vez,
vai descumprir o acordo existente, rasgando o contrato firmado,
a pretexto da existência de um "déficit"
técnico, concedendo uma "esmola" de 18%, reajuste
proposto para o INSS. O interessante é que, quando há
superávit, o Banco do Brasil tem se apropriado do resultado,
como recentemente, na ocasião da reforma dos Estatutos da
PREVI, recebeu uma indevida transferência de recursos, no
valor aproximado de R$ 11 bilhões, dividido em duas partes.
E, para agravar, a diretoria anterior, dominada pela administração
FHC, foi submetida à intervenção do Banco,
da qual resultou o pagamento de quase R$ 2 bilhões de impostos
à União, objeto de demanda judicial, por bi-tributação,
inteiramente desnecessário. Além disto, existe um
Fundo de Paridade, no valor de R$ 4 bilhões, também
"sub-judice". O somatório dos dois valores anularia,
na prática, o propalado "déficit" técnico.
E temos de considerar ainda, os recursos da Instituição,
conforme amplamente noticiados pela imprensa, tenebrosamente aplicados,
em especial no processo de privatização selvagem,
quando a PREVI foi indevidamente utilizada em transações
escusas, fora empreendimentos inexplicáveis, como o de Sauípe
e do Hotel Méridien, além da aplicação
em fundos de renda variável, acima do limite legal estabelecido.
Providências incisivas deverão ser adotadas, de imediato.
Primeiro, a entrada de ação na justiça. Para
exigir a devolução de todas as contribuições
feitas pelos associados e pelo empregador, devidamente corrigidas
monetariamente e a juros de 6% ao ano, descontando-se os benefícios
pagos e/ou o pagamento do reajuste integral, de pronto. Infelizmente,
é a única saída. Amanhã, quando houver
superávit, irá novamente para o Banco. Eles não
procederão à compensação da diferença.
A confiança foi quebrada. A partir de agora, tudo pode acontecer.
Sucessivos déficits podem ser provocados pela administração
e, assim, os benefícios serem congelados. A uma inflação
como a atual, em mais três ou quatro anos, o poder de compra
dos beneficiários estará reduzido à metade.
Mas os diretores, em especial os eleitos, continuarão a receber
seus polpudos estipêndios, inclusive acrescidos dos "jetons"
oriundos da participação em Conselhos de Administração,
principalmente de empresas privatizadas.
A seguir, um movimento pela Internet, pois a mídia amestrada
irá distorcer a verdade dos fatos como sempre e nada publicará
em favor dos traídos, de boicote ao Banco do Brasil. Todos
os atingidos deverão retirar suas aplicações,
pagamentos agendados, seguros etc. do Banco, transferindo-os para
outra instituição. É óbvio que o ideal
é um movimento integrado, global, se possível sob
a coordenação de uma Associação de Funcionários,
independente, para possuir maior poder de barganha. Talvez consigam
até juros mais baixos que os cobrados pelo BB a seus ex-funcionários
(atualmente, 5,50% ao mês, enquanto o BANERJ cobra 5,25% a
qualquer cliente e o MERCAPAULO oferece a 4,70%).E, por último,
mas não o menos importante. Votar corretamente em todas as
próximas eleições, não sé da
PREVI, CASSI, como também para prefeitos, vereadores, deputados
estaduais, federais, senadores, governadores e presidente. Em todos
os níveis. Chega de traição! É importante
guardar bem os nomes de todos eles e dar-lhes a merecida contrapartida.
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