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Irm Marcos Coimbra
O ditador constitucional FHC, quando fala sobre a nossa
terra, parece que está discorrendo sobre outro país.
Não tem a mínima noção sobre
o que acontece com o nosso povo, com nossas angústias,
lutas e sofrimentos. Para ele, o Brasil não tem inflação,
nem desemprego, progride todos os dias, com justiça
social, minimizando seus sérios problemas de distribuição
de renda, seja pessoal, setorial ou regional, avançando
célere rumo ao atingimento dos Objetivos Nacionais
Permanentes: progresso, democracia, paz social, soberania
nacional, integração nacional e integridade
do patrimônio nacional. É natural que assim
seja. Afinal, ele, sua plutocracia econômica e seus
cúmplices são apenas agentes do sistema financeiro
internacional, cumprindo fielmente suas determinações.
Devem ler apenas as informações fornecidas
pela mídia amestrada e por seus órgãos
de informação, sempre favoráveis. Sentem-se
muito mais confortáveis em Washington, Londres e
Nova Iorque do que no Rio de Janeiro, em Garanhuns ou Caxias
do Sul. São estranhos no ninho. Não possuem
o menor compromisso com o Brasil, com nossa gente, tradição,
valores e costumes. E o sistema já está preparando
figuras semelhantes para o processo de substituição.
Todos integrados com o Diálogo Interamericano, como
o Sr. Luís Inácio Lula da Silva , o Sr. Ciro
Gomes e outros.
O Brasil de FHC está sendo "doado", passo
a passo, aos alienígenas, com suas principais riquezas
e empresas vendidas a preços aviltados. Sua infra-estrutura
econômico-social está sendo destruída.
As comunicações já foram entregues.
Antes havia a Embratel, estatal que garantia a qualidade
ao setor, investindo em pesquisas e os preços cobrados
aos usuários eram razoáveis. Hoje, está
entregue a uma empresa estrangeira americana, a MCI. Os
preços sobem alucinadamente e os serviços
pioram. O sistema de transportes, em grande parte sob o
regime de concessão, está tendo suas principais
estradas e rodovias privatizadas, cobrando pedágios
extorsivos. As principais regiões do país
são cercadas por uma malha de postos de cobrança
de pedágio, que penalizam duramente os pobres moradores.
Será difícil a obtenção de recursos
para atender à extorsão. A energia começa
a ser atacada. A distribuição já foi.
Agora, querem "doar" a geração e
transmissão, esta última quando e se for lucrativa.
Até cometem a insanidade de pretender vender Furnas,
uma das jóias da coroa. E os estrangeiros que, é
lógico, serão os compradores, não estão
interessados em investir. Querem comprar, com recursos do
BNDES, o que já está feito e lucrar, demitindo
funcionários, aumentando preços e deteriorando
serviços. As conseqüências são
previsíveis. O inferno que está ocorrendo
nos outros setores privatizados.
A saúde pública é sucateada ao paroxismo.
Não há dúvida de que é a preparação
para a privatização. Atualmente, quem não
tem plano particular de saúde está condenado
à indigência. Está fadado à morte,
sem assistência adequada, sem dignidade. E quem tem,
apenas passou a ter aquilo que todos nós possuíamos
anteriormente. Assistência pública de razoável
categoria. A cada período de tempo que passa há
aumento de preços, principalmente para os mais idosos,
e queda na qualidade do atendimento. Progressivamente hospitais
e médicos de boa qualidade vão sendo descredenciados,
pois não se submetem a receber os baixos valores
impostos pelas administradoras de planos de saúde.
A educação pública também está
sendo sufocada, com verbas cada vez
menores, para permitir a expansão do ensino privado.
O país fica em último lugar na classificação
feita pelo sistema Pisa e os resultados do ENEM são
os piores de todos os tempos. Administradores privados de
ensino procuram atribuir a responsabilidade à rede
pública de ensino apenas.
Ao mesmo
tempo, a imprensa divulga amplamente o triste episódio
de um jovem padeiro de 25 anos de idade, analfabeto funcional,
que consegue passar no vestibular de Direito da 3ª
instituição privada de ensino do país,
em número de alunos, obtendo ainda a 9ª colocação.
E o Reitor da empresa procura explicar o injustificável,
afirmando que o rapaz não conseguiria ingressar na
Universidade, por falta de diploma de 2° grau. Acontece
que ele nem deveria ter feito o vestibular, por falta de
documentação hábil, a qual deveria
ter sido exigida antes da prestação do exame
vestibular e não depois. Fica patente a fragilidade
do sistema de seleção da instituição.
Parece até que o objetivo é predominantemente
comercial, o que não pode ser verdadeiro, na esfera
educacional. A insegurança cresce avassaladoramente.
E os "policiológos" de plantão,
ligados a ONGs internacionais e nacionais, como o "Viva
Rio" procuram soluções esdrúxulas,
como o desarmamento dos cidadãos dignos e de bons
costumes, ao invés de cumprir seu dever, realizando
o que o povo deseja: diminuir a criminalidade. Os bandidos
vão bem, obrigado, e deliciam-se com a incompetência
das autoridades. A previdência pública também
está sendo aniquilada, para permitir o domínio
do setor pela iniciativa privada.
No país de FHC os trabalhadores são usurpados
em seus mais elementares direitos a cada dia que passa,
com a doce conivência de membros do Legislativo, mais
preocupados em usufruir as benesses de verbas e nomeações
para seus afilhados, do que defender os interesses do povo,
pelo qual foram eleitos. E na maior desfaçatez tentam
defender seu ato ignominioso, procurando "vender"
a idéia de que a flexibilização será
um avanço para a classe trabalhadora. Pelo apoio
demonstrado à modificação pelas entidades
patronais, fica claro que isto não é verdade.
O tempo dirá. Contudo, mais uma vez será tarde.
No país
de FHC, não há esperança, nem futuro,
nem democracia verdadeira. Há a ditadura constitucional
e a destruição do país. |