|
Irm Marcos Coimbra*
No momento
em que se discute a composição do futuro ministério
do presidente eleito, com destaque para o titular da pasta
da Defesa, é necessário antes recordarmos
alguns assuntos relevantes. Afinal, o novo titular será
um representante da administração Lula junto
às Forças Armadas ou um representante destas
junto à administração Lula? Ou nenhuma
delas? Qual o programa do presidente eleito para a área
de Defesa Nacional? Qual, dos indicados, é o mais
bem preparado para exercer a difícil função?
O que pensa dos grandes problemas existentes, como a escassez
de verbas para o segmento, o acordo de Alcântara,
as aeronaves mais capacitadas para o plano de modernização
da Força Aérea? E, sem dúvida, o que
pensa sobre o acordo militar Brasil-EUA?
O atual
ministro da Defesa do Brasil, Sr. Geraldo Quintão,
realizou, tempos atrás, uma significativa visita
ao secretário de Defesa dos EUA, Sr. William Cohen.
A assessoria do Sr. Quintão informou, na época:
"Nunca na história Brasil e Estados Unidos tiveram
relações tão densas em vários
campos de entendimento, reforçadas pela facilidade
de diálogo entre os presidentes Bill Clinton e Fernando
Henrique Cardoso. É natural, portanto, que o estreitamento
seja também estendido ao campo da defesa". Em
seqüência, a administração brasileira
acabou aceitando a assinatura do Protocolo 505, um acordo
pelo qual os EUA se comprometem a doar-nos material bélico
sucateado, tendo como contrapartida a abertura de nossos
quartéis para inspeções regulares (por
solicitação de militares nacionalistas, conseguiu-se
o favor de que as inspeções sejam feitas em
datas pré-agendadas com as Forças Singulares
brasileiras).
Representa o retorno à situação anterior
vivenciada pelo Brasil, antes do Governo Geisel, quando
este promoveu o rompimento do então vigente acordo
militar Brasil-EUA. Além disto, logo depois da visita,
em passado recente, do mesmo Sr. Cohen ao país, foi
criado o ministério da Defesa no país, comandado
ainda por um civil, por imposição dos EUA,
com a extinção do EMFA e dos ministérios
militares, reduzidos agora a Comandos. Também foi
implementada a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), diretamente
subordinada à Presidência da República,
pois os americanos exigem a intervenção direta
do presidente da República, no relativo ao combate
às drogas, bem como a campanha de desarmamento radical
da população digna e de bons costumes.
Outros 86 países já são signatários
do Protocolo 505, sendo o Brasil a 87ª nação.
Faltava ainda a aprovação do Congresso. É
óbvio que se cria assim um incentivo à indústria
bélica dos EUA, pois o material doado será
reparado, de tempos em tempos, gerando assim um mercado
cativo para os irmãos do Norte. Ainda fazem parte
da pauta de reuniões, além de operações
de paz, o combate a crimes transnacionais e cibernéticos
e a formação de quadros civis para compor
a estrutura militar brasileira. Agora entendemos melhor
as razões da campanha pela anulação
da Escola Superior de Guerra (ESG). Os futuros quadros civis
brasileiros deverão ser formados sob orientação
do "National Defense University".
Depois do domínio econômico, vimos a crescente
influência da língua, da cultura, na expressão
psicossocial brasileira. Na Espanha, por exemplo, as palavras
são traduzidas para a língua pátria,
até no McDonald's. No Brasil é "drive
thru" mesmo. Na expressão política, o
sistema financeiro internacional continua a eleger e derrubar
presidentes e outros menos votados. Era de se prever que
a influência chegaria à expressão militar.
E a mídia amestrada silencia. Denunciam que, na época
do regime dito militar, o Brasil era colônia dos EUA.
Agora, quando os neoesquerdistas estão no poder,
nunca houve uma influência tão impositiva dos
EUA sobre o Brasil como no momento.
A solução principia em pressionar o Congresso
para evitar a aprovação de tal Protocolo e
lutar, passo a passo, pelo resgate da pátria perdida.
|