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Irm Marcos Coimbra
Somos daqueles que acreditam na necessidade
de ruptura com o Fundo Monetário Internacional (FMI),
como uma das medidas indispensáveis para recuperação
da Economia Brasileira, por fundadas razões. Todos
os países que adotaram o receituário do Fundo
não conseguiram mais sair da crise, vivendo um círculo
vicioso: arrocho fiscal-contenção de gastos-recessão-desemprego-miséria.
Contudo, reconhecemos ser difícil para o presidente
eleito, na atual conjuntura, proceder a este rompimento,
de imediato. De início, é preciso antes diminuir
o grau de vulnerabilidade de nossa Economia, minimizando
seus riscos. É vital reduzir a elevada taxa de juros
praticados, bem como o volume das dívidas externa
e interna e o saldo negativo do balanço de pagamentos
em transações correntes.
Depois, progressivamente, implementar as políticas
e estratégias explicitadas no Plano Nacional de Desenvolvimento
elaborado pelos novos detentores do poder político,
objetivando alcançar o crescimento econômico
com qualidade, gerando mais empregos, pagando melhores salários
para a classe trabalhadora. Realizar uma reforma tributária
capaz de aliviar a brutal carga imposta aos trabalhadores,
compensada pelo aumento da tributação aos
segmentos mais privilegiados, por exemplo, a categoria dos
empresários financeiros. Adotar uma política
de rendas destinada a minorar as desigualdades na forma
de repartição de renda no Brasil. Desta forma,
vamos combater a exclusão social, a miséria,
sem adoção de medidas assistencialistas e
paternalistas.
Esta seria a agenda inicial a ser adotada por uma administração
nacionalista e preocupada em assegurar o pleno emprego dos
fatores de produção. Entretanto, a futura
administração Lula não terá
condições de assim proceder, sob pena de inviabilizar-se
no curto prazo. Como deverá então fazer?
Poderá ir diminuindo gradualmente
o grau de dependência econômica do Brasil ao
exterior, mantendo o acordo vigente, altamente lesivo aos
interesses nacionais, mas procurando mantê-lo apenas
no primeiro ano, afastando-se passo a passo dos grilhões
que escravizam o país hoje em dia, a fim de abandoná-lo
tão logo consiga captar a confiança da sociedade
e dos investidores.
O difícil será compatibilizar a prática
da nova administração com o discurso feito
na campanha. Como integrá-los? A expectativa por
avanços econômicos significativos, devido à
demanda reprimida, é grande e o tempo não
é aliado. Cada dia que passa sem o atendimento das
carências existentes representa menos crédito
a ser concedido. Outro problema reside no choque entre as
principais correntes existentes no PT, que abrangem um leque
de 180°. Como harmonizá-las? E existe ainda a
perspectiva de conflito de objetivos qualitativos e quantitativos,
no horizonte temporal, provocados por órgãos
como a CUT e o MST. Como resolvê-los?
Outra questão relevante refere-se às negociações
com os demais atores políticos, em especial sindicatos
de empregadores e trabalhadores e partidos políticos.
Como atender aos pedidos e solicitações que
serão feitos, em sua grande maioria clientelistas
e oportunistas, sem comprometer o prometido no ideário
do partido e na campanha? A futura administração
não terá maioria no Congresso, tendo assim
que negociar cada projeto proposto, pormenor a pormenor.
E serão negociações muito duras, realizadas
com políticos profissionais, acostumados a auferir
benesses, sem conceder qualquer coisa em contrapartida.
Estas são considerações importantes
para reflexão por parte de todos aqueles que amam
o Brasil, para melhor resolução dos graves
problemas brasileiros existentes. |