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Irm Marcos Coimbra
A cada
dia que passa, aumenta a convicção entre todos
os brasileiros das nefastas conseqüências provocadas
pela aprovação da emenda constitucional da reeleição.
Na realidade, a intenção original era a de apenas
permitir a recondução ao poder do atual presidente.
No processo de cooptação pela aprovação
da citada emenda, episódios lamentáveis ocorreram,
tendo sido até vários congressistas acusados
de venda de votos por R$ 200.000,00, fato que motivou alguns
deputados a entrar com medida legal contra o procurador geral
da República, alegando ter o mesmo "engavetado"
o processo relativo ao assunto. E, para garantir sua aprovação,
a benesse foi estendida também aos governadores e prefeitos.
Agora, analisando-se as conseqüências do inusitado
ato, confirmam-se as mais pessimistas expectativas. No último
trimestre do mandato presidencial a cumprir, a presente administração
já se exauriu, encontrando-se imobilizada. As repercussões,
em especial na área econômica, estão sendo
profundas. O dólar está quase atingindo a barreira
dos R$ 4,00. A dívida interna pública alcança
cerca de 62% do Produto Interno Bruto (PIB). Entenderam a
reeleição do presidente como um aval para fazer
qualquer coisa. O processo de privatização selvagem
foi até o limite do paroxismo. Doaram o rico setor
de telecomunicações a empresas estrangeiras,
coligadas com grupos nativos, em especial da área de
comunicação. Desnacionalizaram intensamente
a economia brasileira, passando também ao setor externo
a distribuição de energia, o gás, o estratégico
setor de fertilizantes e outros. Agora, temerosos da reação
popular que repudia a atual administração com
mais de 2/3 de rejeição, alteram a estratégia
de subordinação aos ditames impostos pelo sistema
financeiro internacional, representado pelo FMI, de ação
direta pela indireta.
A administração no poder aparentemente recuou,
quando na tentativa de venda de FURNAS, acenando com a possibilidade
da pulverização, a exemplo do realizado na Inglaterra
pelos liberais, com o emprego da "golden share",
que garante ao setor público o controle da empresa,
mesmo com uma única ação. Acontece que
este mecanismo é bem sucedido quando aplicado por patriotas,
compromissados com os superiores interesses nacionais, o que
definitivamente não é o caso atual. De fato,
pretendem amenizar a crime de lesa-pátria de vender
a geração e a transmissão de energia
do Brasil, passando o seu controle aos alienígenas
de forma velada, subordinando nosso processo de crescimento
e desenvolvimento ao Resto do Mundo. Isto em um setor lucrativo,
sem nada a dever, objeto da cobiça de ávidos
capitalistas de todos os países, como já foi
provado por vários especialistas na matéria,
em especial pelo Prof. Joaquim Francisco de Carvalho, autoridade
ímpar no tema. As autoridades temem pelas graves conseqüências
de um novo racionamento de energia no país, em vias
de acontecer, caso não sejam realizados vultosos investimentos
no setor. A desculpa é a de sempre. Faltam recursos
para investimentos, em particular na infra-estrutura econômico-social
do Brasil. Em energia, algo em torno de R$ 10 bilhões
ao ano. Porém, sobram recursos para pagar aos capitalistas
estrangeiros e nacionais a absurda importância de RS
120 bilhões de juros ao ano. E continuam a manter a
taxa de juros arbitrada pelo COPOM em estratosféricos
18 % ao ano.
Em conseqüência disto, agravou-se sobremodo o processo
de repartição de renda no país. Os salários
reais decresceram, o desemprego aumentou, os assalariados
reduziram sua participação na renda nacional,
houve aumento do grau de injustiça social, caracterizado
pelo crescimento da economia informal. O índice de
Gini, um dos principais indicadores da forma de repartição
de renda no Brasil atingiu em 1998 o valor de 0, 60, bastante
elevado. Quanto maior o seu valor, mais concentrada é
a forma de repartição de renda. Quanto menor,
mais justa será a forma de repartição
de renda. De fato, o decil (10%) mais rico no país,
apropria-se de cerca de 48% do total da renda gerada, enquanto
os 90% restantes recebem apenas 52% da renda.
As pessoas
demoraram, mas descobriram aquilo que a mídia amestrada
quer ocultar. A maioria dos servidores públicos está
há mais de sete anos sem reajuste salarial, com raras
exceções, enquanto todos os outros preços
sobem. A pobreza atinge graus nunca vistos, abrangendo dezenas
de milhões de pessoas. A miséria avança
em todos os rincões do Brasil. O padrão de vida
dos brasileiros decresceu sensivelmente. As notícias
de Brasília só sinalizam problemas e não
soluções. Não se pode mais andar nas
ruas de uma grande cidade tranqüilamente, como antes.
A violência atingiu o limite suportável e a solução
apresentada pela administração FHC é
a de desarmar a população digna e de bons costumes,
ao invés de atacar o problema, ou seja, começar
desarmando os marginais e combatendo-os.
Acreditamos
que a melhor forma de combate à violência existente
no país é através de medidas preventivas
que atinjam as verdadeiras causas e não só por
intermédio de atitudes repressivas.
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