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Irm Marcos Coimbra
Os economistas
estudam durante anos para procurar aprender o essencial, a
fim de melhor analisar o presente, a conjuntura, para, calcados
no passado e no conhecimento da realidade, propor políticas
e estratégias prospectivas, objetivando melhorar as
condições de vida das pessoas no futuro. E,
um técnico capaz, com o correr do tempo, desenvolve
uma percepção capaz de levá-lo a perceber
o que vai acontecer. E, normalmente, acerta. Não se
trata de adivinhação. É só intuição
apoiada no conhecimento e na vivência.
Não só acertam, contudo. Às vezes, erram,
pois as condições "coeteris paribus",
alteram-se e a economia é uma ciência social
e não exata. Porém partem das previsões
erradas para as devidas correções de rumo a
fim de acertar novamente. Mas, para isto, é vital ter
humildade. Ouvir os colegas, principalmente as vozes divergentes
da sua. Auscultar as pessoas mais modestas, porque existe
a chamada sabedoria das ruas, que não pode ser ignorada.
Agora mesmo, temos a sensação, como qualquer
economista consciente e não comprometido de um lado
ou outro do processo, numa análise imparcial, fria,
de que haverá um agravamento do processo recessivo,
um aumento significativo do desemprego e de todo o "caldo
de cultura" propício à eclosão de
convulsões sociais no país. É insuportável
a manutenção, por muito mais tempo, da elevada
taxa real de juros, dos salários represados, da dilapidação
do patrimônio nacional a preços vis, do aumento
contínuo dos impostos, diretos e indiretos, das tarifas
dos serviços públicos e dos bens que constam
da cesta básica, da desnacionalização
da economia, do aniquilamento do nosso parque produtivo nacional,
da destruição do Estado Nacional Soberano. A
situação já está atingindo o ponto
de "não retorno", sendo da maior gravidade.
Caso não sejam adotadas, de imediato, medidas capazes
de provocar a reversão desta danosa "política"
econômica em vigor, os danos provocados ao país
e ao povo brasileiros serão irreversíveis. E
pensar que grande parte desta situação foi provocada
para garantir mais quatro anos de mandato ao atual "monarca"
brasileiro!
O momento atual vivenciado pela sociedade brasileira exige,
mais do que tudo, além de competência, seriedade,
honestidade, desprendimento, patriotismo, amor ao próximo,
a visão do estadista, daquele verdadeiro político
que não pensa no curto prazo, mas é possuidor
da visão de longo prazo, onde as gerações
futuras são contempladas e onde predomine o amor ao
Brasil. Deve possuir a capacidade de abrir mão de seus
privilégios e de seu poder, desde que em benefício
da coletividade, da pátria. Os detentores do poder
político devem ter ciência que, mais cedo ou
mais tarde, serão julgados pelos eleitores, pelos seus
filhos e pela História. E este julgamento será
implacável. Os omissos, os corruptos, os entreguistas
serão expostos à execração pública,
passando a pertencer à galeria dos traidores da pátria.
Bem, o leitor deve estar perguntando. E o que tenho que fazer
para exercer meus deveres e direitos de cidadão e de
homem? Se cada um cumprir seu dever em sua atividade, passar
a agir conscientizando as pessoas com as quais tem relações,
do que está acontecendo, organizar grupos de discussão
para debater os problemas nacionais, mobilizando-as para interferir
no processo, para, no momento preciso, defender nossa pátria
e nossos filhos, estará fazendo o que deve. As eleições
próximas, de 06 de outubro deveriam ser o momento adequado,
mas, infelizmente, pelo menos nos candidatos à Presidência
não encontramos nenhum digno de nosso voto. O voto
nulo representa nossa inconformidade com o viciado processo
eleitoral em curso. Mas são necessárias ações
mais profundas.
Basta de omissão, de cumplicidade! Vamos passar da
teoria à prática. Nossos antepassados propiciaram
exemplos maravilhosos de coragem, desprendimento, ousadia,
descortínio e capacidade de ação. Muitos
doaram seu sangue, suas vidas para fazer a independência
política do Brasil, a abolição da escravatura,
a proclamação da República e tantos outros
feitos heróicos. As gerações passadas
ensinaram-nos a lição. Agora, chegou a nossa
vez. Vamos ter de provar que estamos à altura dos nossos
mais antigos. Nossos descendentes não vão perdoar-nos,
caso mostremo-nos incapazes de fazer o que deve ser feito.
Nossas consciências não nos deixarão em
paz. E nossos pósteros merecem qualquer sacrifício.
É chegada a hora da decisão. Afinal, ainda não
começamos a lutar. E quando o povo, unido, luta por
seus ideais, pelo que é certo, sob a proteção
do Grande Arquiteto do Universo, não há força
capaz de derrotá-lo. Ao dever, brasileiros! Vamos lutar
pela independência econômica do Brasil.
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