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Édouard
Schuré
Jornal
Vozes Kronus
Semente luminosa que cai
das regiões da Via Láctea na 7ª esfera,
são germes de almas. Vivem como vapores leves na
região de Saturno, felizes, sem preocupação,
e desconhecem sua felicidade. Porém, ao cair de esfera
em esfera, elas revestem-se de invólucros sempre
mais pesados. Em cada encarnação, adquirem
um novo sentido corporal, conforme o meio em que habitam.
Sua energia vital aumenta; e, à medida que penetram
em corpos mais densos, elas perdem a lembrança de
sua origem celeste. Assim se completa a queda das almas
que vêm do divino Éter. Cada vez mais cativas
da matéria, cada vez mais inebriadas com a vida,
elas se precipitam como uma chuva de fogo, com estremecimento
de volúpia, através das regiões da
Dor, do Amor e da Morte, até sua prisão terrestre...
As almas podem morrer, muitas perecem na descida fatal.
A alma é filha do céu e sua viagem é
uma prova. Se, em seu amor desenfreado pela matéria,
ela perde a lembrança de sua origem, a centelha divina
que nela estava, e que teria podido tornar-se mais brilhante
do que uma estrela, volta à região etérea
como átomo sem vida - e a alma se desagrada no turbilhão
dos elementos grosseiros. Tal é o destino das almas
irremediavelmente baixas e más (espectros humanos)
soltando gritos estranhos, arrancados e dilacerados por
fantasmas de monstros e animais, em meio a gemidos e blasfêmia
inomináveis. Sua tortura só termina com sua
destruição, que é a perda de toda a
consciência. Os vapores se dissipam e as 7 esferas
reaparecem sob o firmamento...
Este enxame de almas que procura subir para
a região lunar, umas são rebaixadas para a
terra como turbilhões de pássaros sob os golpes
da tempestade. Outras atingem, em grandes vôos, a
esfera superior, que as arrasta em sua rotação.
Uma vez lá chegando, elas recuperam a visão
das coisas divinas. Mas desta vez elas não se contentam
apenas em refleti-las no sonho de uma felicidade impotente.
Elas se deixam impregnar com a lucidez da
consciência clareada pela dor, com a energia da vontade
adquirida na luta. Tornam-se luminosas, porque possuem o
divino em si mesmas e o manifestam em seus atos. Fortalece,
pois, tua alma...
As almas se enxameiam e descrevem coros divinos. Cada uma
se junta ao seu gênio preferido. As mais belas vivem
na região solar, as mais poderosas se elevam até
Saturno.
Algumas sobem novamente até ao Pai,
entre as potências, sendo elas mesmas outras potências.
Porque lá, onde tudo termina, tudo começa
eternamente; e as sete esferas dizem juntas:
- "Sabedoria! Amor! Justiça!
Beleza! Esplendor! Ciência! Imortalidade!"
Sete esferas ligadas a Sete planetas simbolizavam a sete
princípios, sete estados diferentes da matéria
e do espírito, sete mundos diversos que cada homem
e cada humanidade são forçados a transpor
em sua evolução através do Sistema
Solar.
Os Sete Gênios da visão de Hermes são
os Sete Devas da Índia; os Sete Amachapandas da Pérsia,
os Sete Grandes Anjos da Caldeia; os Sete Sefirotes da Cabala,
os Sete Arcanjos do Apocalipse Cristão.
E o grande setenário que envolve
o universo não vibra somente nas sete cores do arco-íris,
nas sete notas da escala musical: ele se manifesta ainda
na constituição do homem, que é tríplice
por essência, mas sétuplo por sua evolução. |