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Irmão Ubirajara Gasatelli
Grande Tesoureiro da GLESP
Loja Arca da Aliança, 262 - São Paulo
A Verdade.
Janeiro e Fevereiro 1987
A visão psicológica e a visão astrológica.
No Zodíaco se manifesta a idéia do Ser Humano, ou sua figura ideal, em doze aspectos enfeixados em um círculo dividido em doze regiões. A distribuição geocêntrica dos planetas nas regiões deste círculo, no momento do nascimento do Ser Humano, decide quais serão as cores básicas que influenciarão o recém nascido. E assim que o zodíaco e os planetas formam a figura do homem, que a partir deste momento (nascimento) tomará forma na Terra, sempre levando em consideração os aspectos Kármicos e Re-encarnatórios. Mas é a própria superfície terráquea de projeção que brinda à figura humana irradiada dobre ela, desde as vastidões celestes até dispô-las de acordo com seu Ser. Em certo sentido e em uma escala de doze graduações, determinando repartição e irradiação conjunta da figura humana, ou seja, das esferas celestes em dois grupos de seis regiões cada uma. Seis regiões acima do horizonte e seis regiões abaixo do horizonte, a que chamamos de casas terrestres, entre as quais se interpõe o maciço do globo terrestre como um imenso filtro. E desta segunda transformação da irradiação cósmica em que estão incluídas as funções zodiacais e também a função planetária, que emerge a figura do homem de todos os dias.
Do que acabamos de expor, resulta, de imediato, as diferenças entre si da análise psicológica e da análise astrológica do caráter do Ser Humano. A Psicologia só trata da fase crítica final de um processo formativo e a Astrologia trata de captar toda a Universalidade do Ser, desde seu princípio cósmico até sua formação mais densa, que é o físico. A Astrologia acompanha a história evolutiva da sombra projetada, observa o principio cósmico e a manifestação dos elementos reunidos para caracterizar o conjunto do Ser Humano, pois, o verdadeiro "Eu" do homem, como dizia Buda, Está Muito Além de Maya.
Por isso, o resultado a que se pode chegar com a análise astrológica do Ser Humano é o seguinte: O núcleo do homem, seu núcleo divino (a mônada), está além do Horóscopo e é inacessível ao homem, pelo menos nesta fase evolutiva sua manifestação (como embrião de Deus) e sua fase evolutiva (caráter do homem). Apresenta três características conhecidas, que podem comparar-se a uma árvore cujas raízes estão no zodíaco, cujo tronco forma o mundo planetário e cuja copa toca e se mistura com a Terra.
O céu (onde estão as raízes) é representado pelos quatro elementos (triplicados) do zodíaco, o tronco pelos dez planetas (agora também Quiron) e a copa a ramificação pela Terra, pelas doze correspondências terrestres dos signos do zodíaco, chamadas Casas. Com isto o homem obtém aí as forças ou as razões de conhecer-se a si próprio, que permitirá corrigir-se e continuar na sua evolução.
Lembremos que "a alma humana é como a água, do céu vem e ao céu toma, e novamente volta à terra, num ir e vir eterno" e, ainda, que "quando um homem se ilumina ria terra, apaga-se uma estrela no céu”.
O céu estrelado e a lei moral, uma coisa só.
As dores e os sofrimentos do indivíduo são sintomas do seu despertar e quanto mais intensos os sofrimentos, mais rápido será o seu despertar. Mas quando o homem desperta o seu dever moral, reconhece também o sentido cósmico desta força do dever, ganhando com ela a força de penetrar com poder transformador nas relações cósmicas, pois, as forças que no cosmos vibram com poder, como expressão da mesma lei, é que, no interior do Ser Humano, determinam a força moral deste. A Lei Moral é a lei suprema da evolução.universal (Esta não é uma lei moral dos homens, mas a moral que faz com que o Ser Humano se descubra divino. Como dizia Santo Agostinho: Deuses fomos e nos temos esquecido").
A participação moral do homem no envolvimento cósmico, por menor que possa ser, coloca-o dentro do Todo Universal (ou recoloca-o) como força motriz e a doutrina esotérica do emprego desta força é ,uma das três partes da doutrina oculta e se chama Magia. A Astrologia, a Alquimia e a Magia configuram o patrimônio da doutrina oculta.
A Astrologia é a doutrina da inserção do homem na totalidade do Universo. A Alquimia é a doutrina da transformação do inferior em superior e a Magia é a doutrina do emprego e a direção das forças que guiam a evolução, o que vale dizer que a Astrologia é a doutrina natural oculta, a Alquimia a doutrina evolutiva oculta e a Magia é a Ética oculta.
Para o pensamento exotérico a lei natural e a ética não têm nada a ver entre si. Representam duas formas de legitimidades separadas, não unidas por nenhum w ponte e,entre ambas as formas, como um elemento estranho (absurdo), se tem o calvário da evolução do Ser Humano, sem ponto de partida e sem nenhuma meta.
Em sua obra Crítica da razão pura, Kant dizia: "O céu estrelado sobre mim é a Lei Moral dentro de mim. Ali estão as estrelas e as vejo e as conecto imediatamente com a consciência de minha existência". Kant compreendeu o sentido desta dualidade. O abismo que separa o mundo exterior do mundo interior deve ser aproximado pelo conhecimento esotérico. Só ao abrirem-se as fontes do conhecimento esotérico, das quais também Kant deve ter bebido, de forma sábia, se abre o caminho da Astrologia; não de uma Astrologia meramente mercantil, para satisfazer profanos e supersticiosos, mas uma Cosmo-visão em que o céu estrelado e a Lei Moral se unem ao Todo.
"A lei moral, dentro de mim, guia o meu olhar ao céu e me permite intuir uma relação que se plasma em saber, enquanto se reconhece duas coisas: O céu estrelado dentro de mim é a Lei Moral sobre mim, sendo ambas uma só coisa".
Assim dizia Kant. |