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O Orador
da Loja não é, como muitos pensam, um fazedor de discursos,
ao contrário. Ele deve ser, comedido no falar e só
"fazer as brilhantes peças de Arquitetura" nas
ocasiões apropriadas, abstendo-se, em sessões ordinárias,
de revelar uma erudição que não trará
nenhum proveito para os que, após várias horas de
trabalho, precisam ouvir informações objetivas e não
discursos retóricos que, ao final e ao cabo, nada dizem.
O Orador
fala, sempre, no final das discussões, sobre qualquer proposta,
dando o seu PARECER LEGAL, isto é, dizendo se a proposição
está ou não enquadrada, nas nossas leis. Tem, aí,
de ter um elevado espírito maçônico, pois, mesmo
que ele seja contra a matéria em discussão, deve opinar
tão somente quanto à sua legalidade. Quando o Orador
pretende participar da discussão, no mérito, deve
informar ao Venerável que deseja falar como Obreiro e não
como Orador, dará a sua opinião pessoal e nada falará
sobre o aspecto legal da proposta. Nas conclusões, porém,
se limitará a dizer da ou não da matéria cru
pauta, ocasião em que demonstrará sua isenção,
pois pode ter sido contra a proposta mas considerá-la "legal"
para efeito de prosseguimento da discussão.
É
no mínimo indelicado o Orador que se vale do seu cargo e
do fato de não poder ser aparteado nas suas conclusões,
para dizer o que bem quer e entende.
A serenidade, como já se disse, é condição
indispensável ao Orador. Na ata, quando for o caso, ele pedirá
que conste a sua discordância quanto à legalidade de
uma proposição, para posterior exame do assunto.
Mas
de forma delicada e não ditatorial.
Ao
falar, o Orador deve ser objetivo. Não deve procurar "palavras
bonitas" que nem sempre são conhecidas de todos, mas
fazer suas conclusões de forma clara.
Ao
término dos trabalhos, quando Ihe é dada a palavra
para dizer quanto à legalidade dos mesmos, ele saudará
os visitantes de forma breve e dirá se os trabalhos foram
legais ou, caso assim não o considere pedirá que conste
na ata a sua discordância quanto a este ou aquele ponto, sem
ofender a quem quer que seja, ditando, de preferência, para
o Irmão Secretário, os pontos que deseja destacar.
As
orações em solenidade ou "festas brancas"
devem ser breves e previamente elaboradas. Mesmo que o Orador prefira
falar sem ler, deve ter suas anotações, pois só
o que é mais desmerecedor de um Orador que não sabe
do que está falando é o fato de ele não saber
como terminar sua fala. A brevidade do discurso, incisivo e claro,
dá muito mais prazer aos ouvintes do que um monte de palavras
"difíceis" e geralmente de péssimo gosto.
Modernamente, não se usa mais os "discursos empolados".
Fala-se com naturalidade, Como se fosse uma conversação
em voz alta, evitando-se os elogios fartos, por mais que os mereça
o elogiado. Também não se atacam, com adjetivos ruins,
as pessoas. Aborda-se o fato atacado, dentro do princípio
de que devemos ser contra as idéias e não contra as
pessoas, apresentando-se desculpas (também não excessivas)
pela discordância, de modo a se manter a paz e a harmonia.
É desagradável um Orador - e aqui é qualquer
orador e não só o da Loja - deixar transparecer, no
seu discurso, sentimentos inferiores, de inveja, mágoa ou
semelhante.
A fala
deve ser nítida, em voz alta - embora sem gritaria –
e clara.
Os vocativos devem ser corretos ou, então, genéricos.
Se não se sabe certo o nome de uma autoridade presente, ou
o cargo exato que ocupa na hierarquia maçônica ou profana,
deve-se procurar obter tal informação antes da fala,
Se isso não for possível, fez-se uma saudação
de forma genérica: "Autoridades que nos honram com suas
agradáveis presenças nesta noite", por exemplo.
O mesmo ocorre quanto à precedência. Se não
se sabe qual a autoridade mais importante, é preferível
saudar a todos genericamente a correr o risco de saudar um menos
graduado antes do de maior posição hierárquica.
O Orador
tem o direito de falar sentado. Nas solenidades recomenda-se, porém,
que fale de pé, em homenagem aos visitantes. Ele não
precisa, nunca, de autorização, para "falar à
vontade". Deve fazê-lo automaticamente. Da mesma forma
que se recomenda evitar palavras "bonitas". aconselha-se
a evitar as citações estrangeiras. Sendo diversificado
o grau de instrução dos Maçons, uma citação
estrangeira de nada ajudará os menos cultos e, ao contrário,
deixá-los-á numa situação de inferioridade
que não se admite na Maçonaria.
Como, em tudo, na Ordem, o bom Orador é aquele que fala com
o coração, sendo a boca mero canal transmissor de
idéias.
Regra
básica para rim bom discurso:
- 10
a 15 minutos no máximo.
Recomendações
práticas:
- Não
fale com a "barriga vazia"; alimente-se primeiro.
- Olhe
o auditório de frente, distribuindo o olhar em torno.
- Pronuncie
as palavras por inteiro, sem "comer" os "esses"
e os "erres".
- Estude. |