PORTAL MAÇÔNICO

 

 

 

 

- Advogado - Consultor de Empresas - Recursos Humanoos - Comerciante - A:.R:.L:.S:. Nove de Abril de Mogi Guaçu - Or:. de Mogi Guaçu-SP

SABER OUVIR, CONDIÇÃO BÁSICA PARA COMPREENDER

Destinado ao Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho - Região de Itapira - SP
Ir:. Antonio Carlos de Souza Godoi

Não é objetivo deste trabalho dar uma lição a quem quer que seja e sim o de trazer para uma reflexão mais profunda um dos mais sérios problemas que afligem o ser humano: Saber ouvir!

A própria dimensão deste problema sequer é avaliada pois que gastamos mais da metade de nosso tempo de vigília tentando nos comunicar com as outras pessoas e metade dessa metade é gasta em ouvir; portanto, a falha na compreensão desse processo causa enorme perda de tempo e de oportunidade. Ouvir pela metade é como acelerar o motor do carro com o câmbio em ponto morto; gasta-se combustível mas não se vai a lugar nenhum. E causa também inúmeros conflitos tanto entre os indivíduos como na sociedade e até mesmo entre nações. E, na Maçonaria, dentro de Lojas também como se poderá concluir. No entanto, esse problema sequer é novo; na verdade, é tão velho quanto o próprio Homem pois até mesmo no Livro da Lei Moral encontramos citações a respeito, feitas pelo Mestre dos Mestres, Jesus Cristo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!" Antes de mais nada, é preciso definir claramente um aspecto, qual seja o de que ouvir é diferente de escutar. Este seria o uso puro e simples do sentido da audição e só não escuta quem padece de alguma deficiência auditiva. Ouvir é mais profundo que isso pois envolve a pessoa por inteiro e é um processo eminentemente ativo, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa ser, isto é, um processo passivo. Esse equívoco de compreensão tem sido a causa de muita incompreensão, no ambiente maçônico, nos trabalhos em Loja provocando problemas que poderiam ser facilmente contornados se dominássemos melhor a arte do saber ouvir.

Acontece que todos nós, de modo geral, nos consideramos bons ouvintes e essa presunção faz do ouvir a habilidade humana fundamental mais negligenciada no campo da comunicação humana. O problema, portanto, não é conseguir que as pessoas falem; o problema é conseguir que ouçam! É inquestionável que a arte do ouvir lubrifica as engrenagens da sociedade dos Homens, além de enriquecer a vida pessoal de cada um. Ouvir bem apura nossa sensibilidade, permitindo-nos romper a concha de isolamento criada pelo Individualismo - outra das características negativas da nossa personalidade - e participar das experiências e emoções alheias. Uma das maiores autoridades em Comunicação de nossos tempos, Wendell Johnson, escreveu certa vez: Nossa vida seria mais longa e rica se despendêssemos a maior parte dela na tranqüilidade silenciosa do ouvir pensativamente. Somos um bando turbulento e daquilo que chega a ser dito entre nós, muito mais passa desapercebido e não ouvido do que se poderia imaginar. Temos, ainda, que aprender e em grande escala a usar as maravilhas do Falar e do Ouvir em nosso próprio e melhor interesse e para o bem de nossos semelhantes. Essa é, ainda, a mais extraordinária das artes a ser dominada pelo Homem. Ouvir é renunciar! É a mais alta forma de Altruísmo em tudo quanto essa palavra signifique de amor e atenção ao próximo. Talvez por essa razão a maioria das pessoas ouve tão mal, ou simplesmente não ouve. Vivemos imersos em cogitações pessoais e é raro conseguirmos passar algum tempo sem pensar em nós, pois quase tudo o que pensamos é em termos de nós. Já ensinava Aristóteles, há dois mil anos: "Ninguém é mais importante para Filon do que Filon", e esse ensinamento continua válido até hoje porque o mundo gira em torno de cada um de nós. O mundo individual de cada criatura é formado de palavras coletadas desde a infância e tem as dimensões da própria criatura, deixando de existir quando ela morrer. Nesse extraordinário mundo das palavras, edificado dentro de nossas cabeças, agimos como formigas operosas saindo incansavelmente de nossos labirintos rumo ao exterior para trazer alimento. Trazemos palavras para os nossos depósitos.

E esse aprendizado incessante é feito, em grande parte, através do ouvido. Ouvindo, aprendemos e assim tem sido através da História onde, inúmeras vezes, ouvir tem sido a única maneira de aprender! O bom ouvinte é raro, porque para ouvir outra pessoa temos que admitir que aquilo que ela tem a nos dizer é mais importante que aquilo que temos para dizer a ela. Para o ser humano, falar é ato positivo, afirmativo; ouvir é ato negativo e consequentemente, obstinamo-nos em não ouvir. Toda nossa formação, desde a infância, se estribou e continua se estribando na falácia de que uma pessoa calada é problemática. Insistimos com as crianças pequenas para que aprendam a falar logo e nos esquecemos que para aprenderem a falar antes elas têm, necessariamente, que ouvir! Foi por ouvirem a Cristóvão Colombo que Fernando de Castela e a Espanha beneficiaram-se com a conquista e as riquezas do Novo Mundo. Parte do sucesso da Igreja Católica, inclusive, deve-se à Confissão pois grande parte das pessoas considera melhor Padre não aquele que prega bem, mas o que sabe ouvir atentamente. Isso nada mais é do que a colocação em prática do que ensinou São João (Capítulo 1, Versículo 19)