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Papus
(Dr. Gerard Encausse) 33º, 90º, 96º.
Uma palavra sobre a tradução dos símbolos, em todas as suas adaptações.
Um símbolo é a imagem material de um principio a que ele se liga analogicamente. Por conseguinte, o símbolo exprime toda a escala analógica das correspondências de sua classe, dos mais elevados aos mais inferiores.
É assim que um grosseiro sectário poderá dizer que a bandeira francesa não passa de um pintado cabo de vassoura, sustendo três farrapos coloridos. Neste caso ele materializa, para aviltar, a idéia tão bela e tão pura da representação simbólica da Pátria.
Assim este processo de denegação, que consiste em dar aos símbolos sua correspondência analógica mais trivial, será empregado com entusiasmo por certos adversários da Maçonaria, ao analisarem os símbolos maçônicos.
O principio criador ativo e o principio gerador passivo, simbolizados na Igreja católica pela ação do Pai e do Filho, tem, como correspondência sexual inferior, o phallus e o cteis. Não têm também, certos clericais deixados de dizer a seus leitores que todo o simbolismo maçônico, ou toda a tradição iniciatória dos Iluminados, se reduzia à representação destes órgãos? Eis ai a ignorância ou a má fé, e só nos cabe sacudir os ombros diante de tais processos.
Que diriam eles se contra si próprios se invertesse o seu processo, demonstrando-lhes que, segundo a sua mentalidade, se poderia dizer que o asperges é uma imagem do phallus fecundador, e que a água benta representa, neste caso, a emissão da substancia geradora? ... Que outra coisa não é o báculo do bispo, e que os cálices são representação cteicas?! Que diriam então os homens realmente instruídos, sobre estas grosseiras analogias? Diriam que era dar prova de um singular estado mental, bem vizinho da senilidade.
Parece-nos, assim, que um serviço a prestar aos escritores católicos e rogar-lhes que estudem um pouco melhor o que se entende por uma escala de correspondências analógicas, e não considerem os símbolos, mesmo maçônicos, sob tal prisma grosseiro, pois se arriscam a fazer que outros façam o mesmo com os seus, o que não seria espiritual nem verdadeiro, tanto de um lado como do outro.
Eis algumas notas sobre o simbolismo das cores empregadas para as armações, segundo a palavra sagrada que atribuímos a l'Aulnaye.
O branco é consagrado a Divindade;
o preto, a Hiram e a Cristo (1);
também, encontra-se no Mestre, no Eleito, no Kadosh e na Rosa Cruz.
O verde, emblema da Vida e da Esperança, e também Zorobabel;
eis porque é a cor do Mestre Perfeito e do Cavaleiro do Oriente.
O vermelho pertence a Moisés, e, sobretudo a Abraão;
com este titulo, e a cor especial do Escocês.
Enfim o azul, que, como símbolo da morada celeste, e a cor do Sublime Escocês, atribuída, entre os Patriarcas, a Adão, criado na inocência a imagem de Deus e habitando o jardim de Éden (2).
Como símbolo da Palavra primitiva, o Jehovah pertence especialmente ao Antigo Mestre Perfeito, e como Palavra reencontrada, ao verdadeiro Escocês, consagrador do sacerdote de Jehovah, ou da antiga lei, em oposição à nova. Reencontra-se particularmente no Real Arco, no Escocês da Perfeição, no Mestre ad Vitam, no Eleito, no Eleito Supremo, nos Escoceses da Prússia, de Montpellier, no Interior do Templo, etc. (3).
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