Samaúma




 



* Irm Miguel Amador
é membro da ARLS Rui Barbosa Nº  3419 – GOB – Or de Sinop – MT
mig.amador@hotmail.com


Textos Consultados:
- Bíblia Sagrada – Tradução do padre João Ferreira D”Almeida

- Bíblia Sagrada – Versão Ave Maria

- Catecismo Católico

- O Quarto Caminho – P. D. Ouspenski – Ed. Pensamento

- Glossário Teosófico – Helena Blavatski – Ed. Pensamento

- O Drama Milenar do Cristo e Anticristo – Humberto Rohdem- Ed. Alvorada

- A Mensagem Viva do Cristo – Humberto Rohden – Ed. Alvorada

- Código Civil Brasileiro – Atual – ed. Saraiva

- Vocabulário Jurídico – De Placido e Silva – ed. Forense

- Valores Humanos Num Mundo em Mutação – Daisaku Ikeda e Bryan Wilson - Record

- O Buda Vivo – Daisaku Ikeda – ed. Record

- A Vida de Maomé – Círculo do Livro

- Apostila de Estudos do grau de Aprendiz

- Ritual de Aprendiz

Este Trabalho foi apresentado nas lojas
Rui Barbosa - GOB
Celeste de Vera- GOB
Estudo e Fraternidade – Grandes Lojas
Acácia da Amazônia-GOB

Este trabalho foi Publicado por vários sites Maçônicos



O Juramento e Altar Sagrado

 

 

Irm Miguel Amador *

 

 

Para enfrentar o tema, temos que definir o que é juramento e o que é o Altar onde se jura. Podemos fazer uma analogia grosseira com um contrato. Um contrato sempre é bilateral, isto é, tem duas partes, o sujeito ativo e o sujeito passivo, e é a manifestação da vontade não viciada de ambos, exteriorizando a intenção da realização de um negócio, que gera um compromisso, onde os interesses se cruzam: um de vender e outro de comprar.

No direito Romano o termo “pacta servanda” é o que designa a responsabilidade contratual, ou por outras palavras, informa que o contrato faz Lei entre as partes e só poderá ser alterado, com a autorização de ambas as partes.

O altar dos juramentos é o lado visível, de um outro lado invisível, onde celebramos um contrato espiritual com Deus, por assim dizer, comprometendo-nos, em presença de testemunhas, em não profanar as instruções, rituais, sinais e etc., neste ponto já podemos visualizar a bilateralidade do juramento. O altar é equivalente às ermidas sagradas das religiões, e seu significado primitivo e contemporâneo é uma estrada já pavimentada pelos antigos caminhantes, que conduz a transcendência subjetiva, que leva o viajante à realidade ou Deus e a obra de Deus que é o mundo, através do despertar espiritual ou consciência de si mesmo ou ainda a consciência da alma, progressivamente.

A legalidade que buscamos no altar é espiritual e a importância do juramento advém dos cânones sagrados, deixados por mentes superiores, para a humanidade, como fossem um holofote, iluminando uma platéia escura. Um juramento é muito mais importante que um contrato, sem, todavia perder seu caráter formal, legal, vinculante e bilateral, FORMAL porque exigem certos ritos, LEGAL porque são baseados em cânones sagrados e na tradição e VINCULANTE, porque comprometem e vinculam, mas os vínculos aqui, transcendem o mundo físico, pois além de envolver conscientemente um compromisso físico, envolve um compromisso mental, psíquico e espiritual, estabelecendo um vinculo definitivo e envolvente que não pode ser rompido, pois sendo BILATERAL, compromete o próprio Senhor do Universo, respeitosamente designado aqui, com muita justiça, como Supremo Arquiteto do Universo. Mesmo porque, esta escrito, que o que ligarmos, na terra, será ligado no céu, e o que desligarmos na terra, será desligado no céu, compreendendo-se a princípio, que este céu, pode ser, a mente do homem singular e coletivo, para depois haver um transbordamento para a mente Cósmica. Este é o principal fundamento bíblico-legal e espiritual do juramento. Quando Jesus disse: “amigo, com um beijo atraiçoas o filho do Homem”, Judas caiu em si, acordou de seu sono, dormia no ego e acordou no EU desperto, só então viu o que fez, e não teve mais paz, a vaidade, o egoísmo e a ambição exarcebados de seu ego, lhe custou à vida, tirada por suas próprias mãos, dado o desgosto que lhe sobreveio e com o qual não podia conviver. A traição e o perjúrio podem levar, o que não é raro, ao que assim se comporta, a um grau de arrependimento e sofrimento tamanho, que, não diferente de Judas, muitos acabam direta ou indireta, preferindo de livre consciência e por si mesmos, a morte à vida, tamanha a vergonha da desonra, e a impossibilidade de conviver com a mesma, ou de perdoar a si próprio, mesmo obtendo-se o perdão do ofendido. Sabendo disso o rei dos Mestres, instruiu o homem ordinário a não jurar. No livro de Thiago em 5-12, lemos: “Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro [juramento]; seja, porém, o vosso sim, sim, e o vosso não, não, para não cairdes em condenação”. Efetivamente, advertiu Jesus, como vimos acima, que um juramento não deve ser quebrado, se feito,  instruindo inclusive a todos para que não jurem, para não caírem em condenação, se quebrado o juramento, não condenem a si mesmos, como aconteceu com Judas. Extrai-se do texto e da conjuntura das escrituras, que queria exprimir o Mestre, que é mais fácil não jurar do que jurar, pois o juramento, se quebrado, pode levar a condenação. Jesus mais do que ninguém sabia do que estava falando, sabia que um juramento envolve leis naturais e espirituais ou psíquicas, que pouco conhecemos, por isso, instruiu para o não jurar. A instrução de Jesus, conforme a letra e a hermenêutica bíblica, de acordo com a lógica do novo testamento e sua conjuntura, sintonizadas no velho testamento, não é uma proibição, é antes uma advertência seriíssima, uma exortação e um grave alerta sobre a importância espiritual ou mental, do juramento: como um sinal de transito, numa estrada perigosa. Conhecendo antecipadamente, os reflexos e conseqüências graves, se quebrado. Judas Scariotes, apesar de homem de personalidade forte, com excelente formação educacional e moral, tendo estudado nas melhores escolas, rico de nascença, criado sob o regime da lei mosaica, escolhido de Jesus, quebrou o juramento e traiu o maior dos Mestres. Porque o fez? Por designo Cósmico? Por ambição pessoal, já que lucrou 30 moedas de prata? Por motivos políticos? Por afastar-se dos irmãos? Por possuir uma imaginação descontrolada? Porque se permitiu cair em tentação?

Ao certo não sabemos! Mas sabemos que não pôde conviver, com a sua traição, já que o assassinato de Jesus, estava tramado e seria simplesmente uma questão de dias, e mais. Não foi ele, Judas que o matou. Existem estudiosos que dão a entender que Judas não tinha a intenção de trair Jesus, mas sim de precipitar os acontecimentos, na intenção de ver Jesus defender-se no Sinédrio, com obras milagrosas e tornar-se reconhecido em definitivo como o tão esperado Messias ou mesmo o Rei do povo hebreu. Porém os fatos não se realizaram conforme seus planos, Jesus deixou-se sacrificar, em cumprimento à profecia. De toda forma, tendo usado seu livre arbítrio, precipitando os fatos, baseado num plano, sonho ou delírio, sempre IMPRUDENTE do ego, e não do Eu, Judas, com a escolha errada, deixando-se dominar pelo ego e não pelo EU, traiu de fato Jesus e, não suportou o fato desonroso e altamente humilhante de não ter ouvido seu Eu verdadeiro e usado da VIRTUDE DA PRUDÊNCIA, principalmente por isso suicidou-se, não podia superar ou conviver com sua desonrosa covardia – pelo que consta, tentou em vão perdoar-se, devolvendo inclusive, as 30 moedas, mas não conseguiu . Pessoas existem, que ficam doentes e até não raro, vêem a falecer, por doenças psicossomáticas ou até, suicidam-se, por contratos celebrados no mundo profano. Sabemos que um juramento é muito mais que um contrato profano.
Jesus, como sempre estava certo, é mais fácil, não jurar do que jurar. Como legislador que foi, Jesus, não proibiu o juramento, senão o teria expressamente feito. Para não fiquem dúvidas no espírito dos irmãos maçons, que aceitam o cristianismo, como é o meu caso, sobre a questão do juramento e a legitimidade de seu uso, aqui, como juramento maçônico – a própria igreja Católica, em seu catecismo permite o juramento declarando: “Não jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, se não for com verdade, necessidade e reverência”.

Na verdade, irmãos, o Nosso Senhor Jesus Cristo confirmou sob juramento o seu testemunho supremo, isto é, o testemunho de sua Filiação Divina, quando o Sumo Sacerdote o conjurou a responder “pelo Deus vivo” (Mt 26,63). Por isso a Igreja declara ser lícito o juramento em assuntos de grande relevância. Daí a licitude bíblica dos juramentos: a bandeira, dos juramentos de formatura, de investidura em cargos públicos, o que não exclui o juramento maçônico. Tal prática é comum no Ocidente.Ele – Jesus - instruiu, alertou e advertiu, que é melhor não jurar, porque sabia que a juridicidade do juramento não é da legislação profana, mas sim da lei natural transcendente, conforme vimos acima. A natureza do juramento é sempre subjetiva e espiritual. O juramento maçônico é perfeitamente fundamentado no direito natural, sendo absolutamente legítimo, em nada ilícito, em nada conflitante com a Bíblia, ou com qualquer outro livro considerado santo ou sagrado; Na mesma ordem e para finalizar, a maçonaria é uma instituição que não conflita com qualquer sistema filosófico, místico, espiritual, religioso, psicológico, sociológico ou legal, fundamentados na razão e aceitos modernamente, como dignos ou mesmo razoáveis. O silencio maçônico se impõe ao iniciado, principalmente quanto aos fundamentos esotéricos da ordem, num mundo ainda despreparado para o conhecimento da sabedoria e da verdade, e a necessidade de sua continuidade nesse mundo, para o exclusivo bem do próprio mundo e por outro lado, como questão de disciplina de seus obreiros. Usamos a régua maçônica avaliamos o lado negativo do juramento, que não deve ser desprezado. E se existe um lado negativo, haverá de existir um lado positivo, a régua maçônica assim nos diz, ela continua infinitamente para frente, Conforme vimos, a maçonaria é uma instituição perfeitamente licita e limpa, sendo uma das melhores, mais antigas e belas construções do cenário social, por conseqüência é uma das melhores obras humanas, para o exclusivo benefício da humanidade. A régua maçônica mostra-nos ainda um lado que nos leva a amizade, a paz e a prosperidade, por outras palavras, ao sucesso, ao bem estar, ao progresso, a proteção, a felicidade e porque não, até a iluminação se assim o quisermos. Devemos procurar descobrir o lado positivo do juramento maçônico, isso exige esforço, construindo o templo interior, compenetrando-nos no estudo, e ao mesmo tempo, captando o espírito maçônico, transformando-nos pelo SABER – estudando sempre ; OUSANDO pelo FAZER o possível - o bem a nós mesmos e ao próximo; e CALANDO-NOS - quanto aos nossos segredos, tornamo-nos verdadeiramente, em benfeitores de nos mesmos, de nossas famílias, de nossos irmãos e de nossas cidades e países, sabendo separar o possível do impossível, não nos esquecendo nunca, que o ego-Judas, sempre procura lucrar 30 moedas de prata, traindo o Eu-Cristico, para que, depois de crucificado pelo povo, buscar a própria morte, este é o seu o trabalho, e ele, o Judas-Ego, esta empenhado nele. O primeiro passo na senda da certeza do bem, é saber o que é errado,descobrindo o que é errado, saberá o que é certo, ciente dos caminhos que levam a morte e a perdição, resta esforçar-se de verdade, na realização do que é certo, a senda do bem, fazendo esforços sérios, seguidos de mais esforços, para vivermos no Eu e não no ego, erguendo templos a virtude e cavando masmorras ao vício.  Só assim, “procurando primeiro o reino de Deus e sua justiça”, isto é, vivermos com virtude no Eu, não deixando o Ego assumir o controle, que “todas as coisas nos serão acrescentadas” diga-se : imediatamente as coisas: começarão a se encaminhar, a dar certo, entrar nos trilhos, e tudo que fizermos será abençoado pelo Deus do Universo, pai legítimo, do venerável de nossa loja interior, e, poderemos então, ser dignos do “nomem” filhos da luz.