Samaúma - Portal Maçônico
 


 

 

 




* Veja outros artigos
e seus dados
clicando OK


sama


 

 

O meu, o seu, o nosso ‘Tiloma’.

 

Irm Ruy Luiz Ramires

 

Prometo não falar em Educação, Respeito, Consideração, somente sobre ÉTICA.

 

A ética deve ser entendida como o bom senso que deve permear o nosso cotidiano.

O exercício do poder nas relações humanas, em qualquer nível hierárquico e nas situações mais banais já pode incorrer na falta de ética se o indivíduo não possuir um sólido código de ética e valores coerentes com suas ações.

Com bom senso e tolerância é possível construirmos um ambiente corporativo mais humano, ético e harmonioso.

Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual; a vida no trabalho, na nossa Ordem, a vida da nossa família. Enfim, a vida de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo.

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso mundo individual e social.

Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A nossa palavra “ética” vem do grego ‘eqikh’ que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios idéias de conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade. É um conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma suas decisões.

Penso que a qualidade de nossas vidas irá depender em grande medida da qualidade de nossas decisões a respeito das pessoas, não importa com quem nós interagimos, não importa onde ou quando essa interação aconteça.  É uma questão de saber o que olhar e ouvir, de ter a curiosidade e a paciência para reunir a informação necessária, e saber como reconhecer os padrões na aparência, na linguagem corporal, na voz e na conduta de uma pessoa.

A curiosidade pelas pessoas nos levam a observar como elas parecem, soam e agem. A empatia pelos outros nos leva a entendê-las melhor.

E nós, o que temos feito com as informações que nos chegam? Aqueles que se despem diante de nós, revelando toda miséria de sua alma são desencorajados e derrotados através da nossa conduta ou sentem-se revigoradas?

O que fazemos com as informações que nos chegam? No início da minha vida Maçônica recebi um conselho do meu Venerável Genésio, que Deus o tenha: “Irmão Ruy, saiba de uma coisa, todas as vezes que você ouve as misérias de alguém, você assume automaticamente responsabilidade diante de Deus. Você responderá a Ele o que fizer com aquilo que confiarem a você”.

Ver a nudez da alma do ser humano não é tarefa fácil. Há momentos que temos a sensação de desfalecer. É necessário treinar a escuta para não nos precipitarmos em nossos julgamentos, e muito menos ouvir as murmurações, dores, equívocos através de nós mesmos. Todas as vezes que ouvimos, ouvimos através dos ouvidos do outro, a partir da visão de mundo do outro para que possamos entender sem julgar.

O que leva uma pessoa a murmurar, ser amarga, critica? Eu não sei. A atitude é apenas um ponto crítico. É necessário nos concentrar totalmente nas pessoas para ouvi-las atentamente, observar o modo como se apresentam e agem, e pensar cuidadosamente sobre o que estamos vendo e ouvindo. Precisamos estar prontos para decifrar, ou todas as pistas do mundo de nada nos servirão. É um estado mental – de visão clara, observadora, cuidadosa e objetiva dentro do drama emocional e subjetivo que é a vida cotidiana.

Entenda em nome de Jesus que todas as vezes que você torna público aquilo que alguém confiou a você em particular, em Loja, na sala de sua casa, você não está revelando quem é o outro, mas sim quem é você. Estamos revelando se somos confiáveis ou não. O foco de atenção não vai para a pessoa denunciada. A questão é: Passe mais tempo com as pessoas. Este é o melhor modo de aprender a entendê-las. Pare, olhe e ouça. Não existem substitutos para a paciência e atenção. Saiba o que você está procurando. Nós nos desapontamos exatamente porque não sabemos o que procuramos. Treine-se a ser objetivo. A objetividade é essencial para decifrar as pessoas, mais é a habilidade que temos mais dificuldade em desenvolver. Tome uma decisão e depois aja, não faça nada por impulso. Controle sua língua, você dará conta de tudo o que sai da sua boca. 

Cuidado com as palavras estéreis e geradas “eletronicamente”, sem benefício.

Errar o alvo traz efeitos de derrota de desencorajamento em todos os seres humanos.

 

A porta da verdade estava aberta,

mas só deixava passar

meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava

só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade

voltava igualmente com meio perfil.

E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram a um lugar luminoso

onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em duas metades,

diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

As duas eram totalmente belas.

Mas carecia optar. Cada um optou conforme

seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

 

Fraternalmente
Ruy Luiz Ramires