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A LEI INICIÁTICA DO SILÊNCIO

 

Irm Ruy Luiz Ramires

 

 

Quando fui iniciado numa loja simbólica, recebi várias orientações, entre as quais uma me deixou apreensivo: "o Ap.·. deve permanecer em silêncio e ouvir, meditar, pensar, perguntar, e que não deve falar o que atrapalha o seu aprendizado". Diante de tal circunstância, procurei fazer uma pesquisa em livros e revistas do porquê os AApr.·. não devem falar em loja. A Maçonaria é uma instituição eminentemente iniciática, que tem por doutrina transmitir seus sagrados ensinamentos através do estudo dos símbolos e deles deverão ser extraídas as verdades eternas. Somente os iniciados têm a facilidade de interpretá-los, através do estudo constante, seguidos do enriquecimento bibliográfico ao seu alcance. - O que vindes aqui fazer, meu Ir.·.? - Venc.·. minhas PPaix.·., Subm.·. Min.·. Vont.·. e fazer NNov.·. PProgr.·. na Maçonaria. A palavra iniciar deriva do latim initiare ou initium e o sufixo in indica para dentro. Na acepção esotérica, voltado para dentro, ou seja, o ingresso ao mundo interno e desconhecido. Ora, todo aquele que inicia não domina, principalmente aquele que inicia uma vida nova. Simbolicamente, o Apr.·. morreu para os vícios profanos e está iniciando uma nova caminhada em busca do aperfeiçoamento moral e intelectual pregado pela Subl.·. Ord.·., para que possa ser útil para si mesmo e à humanidade. Ao ser iniciado, o Apr.·. nasceu, é uma criança que se defronta com um mundo desconhecido. Portanto, não tem condições de integrá-lo em toda a sua plenitude, sendo necessário um guia que o prepare e lhe ensine as primeiras palavras para que possa comunicar-se e fazer-se entender. Já num outro estágio, essa criança já aprendeu a soletrar as primeiras letras, pois já assimilou os primeiros ensinamentos básicos, razão pela qual o Apr.·. só sabe soletrar. "Dai-me a primeira letra que eu vos darei a segunda". Essa é a frase do descobrimento e a todo instante inquire: "O que é isto?". A expressão não pode representar uma proibição tácita, ou seja, estão proibidos, já está determinado. Já a expressão não deve representar um conselho, uma lembrança, uma sugestão seguida de uma explicação: não devem por que... e se justifica. Se o Apr.·. e o Comp.·. estão imbuídos da vontade de aprimorar-se, gota a gota, é evidente que não devem falar e sim assimilar, repensar, questionar e aprender. A P.·. B.·. é talhada através do maço e de cinzel, usando para isso toda a energia disponível; o maço é o elemento ativo e o cinzel o passivo. E quem trabalha não tem tempo para falar. Da P.·. C.·. já foram retiradas as suas asperezas, e os CComp.·. necessitam de outros instrumentos para o seu trabalho. Necessitam de cálculos e precisão – do intelecto. Quem tem que pensar e calcular não fala. Ao mestre, que domina os conhecimentos e já adquiriu sua plenitude, fala, resolve, participa e ensina. Nas escolas pitagóricas, o primeiro grau era dos ouvintes, que participavam das reuniões, mas guardavam absoluto silêncio numa fase que duravam dois anos, durante os quais se limitavam a "ouvir e aprender". Portanto, quando o recém-iniciado é convertido fraternalmente de que não poderá falar em loja até que lhe seja permitido, os mestres estão dando prosseguimento a um dos mais antigos hábitos das mais remotas sociedades iniciáticas que a história registra. Esse é o hábito do silêncio – e o silêncio é um dos ensinamentos fundamentais da Maçonaria. Quando se fala muito, pensa-se pouco, ligeira e superficialmente. E a Maçonaria quer que seus adeptos se façam melhores pensadores do que faladores.

Fraternalmente

Ruy Luiz Ramires