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ACRÓSTICOS

 

Irm Ruy Luiz Ramires

 

 

 

Acróstico é um gênero de composição geralmente poética, que consiste em formar uma palavra vertical com as letras iniciais ou finais de cada verso. Tão antigo quanto a própria poesia, ele foi muito usado no barroco, um período estilístico e filosófico da história da sociedade ocidental, ocorrido durante os séculos 16 e 17 (Europa) e 17 e 18 (América). A palavra vem do grego akrostichon, na qual o prefixo akro indica extremidade, apontando a principal característica desse tipo de composição poética: as letras de uma das extremidades de cada verso vão formando uma palavra vertical, geralmente um nome próprio ou uma sugestão significativa. Como acontece em “Minha Razão de Viver”, da poetisa paranaense Santher, de São Carlos do Ivaí:

Felicidade maior que se
Instalou em minha vida...
Luz que ilumina e me mostra o
Horizonte a seguir... Abrigo
Onde repouso meus
Sonhos, sem nunca pensar em desistir

Sobre acrósticos, a Enciclopédia Britânica ensina que “Utilizado desde a antiguidade, inclusive nos livros bíblicos dos Provérbios e dos Salmos, em português o acróstico apareceu no Cancioneiro geral (século XVI) e chegou a ser feito por Camões, no soneto CCIX, cujo primeiro verso é “Vencido está de amor meu pensamento". Há muitas variantes: o acróstico alfabético, em que se vai enfileirando o alfabeto verticalmente; o mesóstico, em que as letras da palavra-chave aparecem no meio da composição, no final de cada primeiro hemistíquio ou início do segundo; e outras modalidades ainda mais complicadas. Fizeram-se acrósticos em prosa, com as letras do começo de cada parágrafo, e se chegou a verdadeira mania de acrósticos nos tempos do barroco. O gênero, hoje, só aparece em versos de circunstância”.

Um trabalho de autor nacional sobre acrósticos, é o de Dorival Pedro Lavirod, ou simplesmente Pedro Lavirod, atualmente empenhado, segundo ele próprio define, “em construir o ECOL – Espaço Cultural e Observatório Astronômico Lavirod, onde pretende levar informações sobre Astronomia, Egiptologia e outras atividades culturais, para estudantes e interessados em geral. No livro, o autor (www.lavirod@bn.com.br) fala em prosa e verso (em forma de acrósticos), de suas andanças, desde seu nascimento, passando por escolas, empregos, viagens, maçonaria, Ordem Rosae Crucis, Pastoral Familiar, pescarias, enfim, de sua vida e de seus meandros, de coisas místicas e coisas profanas”. De sua autoria é a fábula intitulada “O Sapo e a Borboleta”, cujos versos são os seguintes:

Sabia que sou mais bonita?
A borboleta disse ainda ao sapo:
Pobre batráquio asqueroso,
O que você é me causa nojo!

E o sapo, com toda calma do mundo,

Assim respondeu à borboleta:

Bonita é minha natureza anfíbia,
O que, também, me protege mais,
Rios e solo me dão guarida,
Brejos e até mesmo matagais!
O que você faz para se defender?
Livre, viajo sobre todos os animais!
E, num segundo, o sapo projetou
Tamanha língua no espaço,
Acabando, assim, com o embaraço!

O cantor e compositor Roberto Carlos também contribuiu para o enriquecimento dos acrósticos. Pretendendo enaltecer a mulher que amava, ele compôs a música que tem esse mesmo nome, cuja letra diz:

Mais que a minha própria vida
Além do que eu sonhei pra mim
Raio de luz
Inspiração
Amor você é assim

Rima dos versos que eu canto
Imenso amor que eu falo tanto
Tudo pra mim
Amo você assim

Meu coração
Eternamente
Um dia eu te entreguei

Amo você
Mais do que tudo eu sei
O sol
Raiou pra mim quando eu te encontrei

Fraternalmente

Ruy Luiz Ramires