À GLORIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO
Irm Antônio Carlos Rios
Da Academia Maçônica de Letras de MS
Cadeira nº 19 Fundador da
A R L S Expansão da Luz Nº 35*
G O M S- C O M A B
Pesquisa sobre o tema: VELAS
Durante o século XVIII, tanto nas Lojas dos “Modernos” como na dos “Antigos”, os Maçons ingleses acendiam velas, liturgicamente, sobre altos candelabros. Os primeiros consideravam-nas como as “três Grandes Luzes” da Loja, pois mostravam as três principais posições do Sol durante o seu percurso diário. Diziam também que elas representavam “o Sol, a Luz e o Mestre da Loja”
Os segundos admitiam as três velas apenas como “pequenas luzes”, isto é, o Mestre da Loja e seus Vigilantes, e denominavam “Grandes Luzes” “o Livro Sagrado, o Esquadro e o Compasso”.
A presença das três velas nas duas Grandes Lojas rivais prova que a sua presença nas Lojas especulativas era anterior à segunda metade do século XVIII. Mas não foram um legado das guildas profissionais, e isto é facilmente provado pelo fato de que as poucas Lojas especulativas não tinham adotado este costume. Assim, enquanto as Lojas jurisdicionadas às duas Grandes Lojas especulativas tinham passado a usar no seu cerimonial as três velas, as operativas não as utilizavam, e isto prova também que elas não representavam elementos simbólicos ou litúrgicos como nas Lojas especulativas.
Na verdade, quando a Inglaterra abandonou a religião católica como religião do Estado, a maioria dos ingleses abandonaram também as práticas do catolicismo e, entre outras, as que se relacionavam às velas. Como explica então a presença das velas nas Lojas maçônicas setecentistas ? Quem as teria introduzido ?
Sabe-se, hoje, que depois da iniciação do Dr. Stukely, muitos ocultistas penetraram nas Lojas maçônicas. Alquimistas, hermetistas cabalistas, rosacruzianos enriqueceram o quase inexistente cerimonial operativo, acrescentando-lhe usos, costumes e práticas mágicas por eles usados.
Assim, o “Daily Journal”, de Londres, publicava em sua edição de 05.09.1730, uma nota em que se dizia que os Maçons ingleses “envergonhados de sua verdadeira origem (de pedreiros), copiaram algumas cerimônias e tiveram muito trabalho para convencer o mundo que dela eram descendentes, apesar de só terem tirado dela alguns símbolos de provas ou de iniciação. Os membros desta sociedade traziam o nome de Rosa-cruzes, e seus oficiais eram chamados como os nossos, grão-mestre, vigilantes etc.”
Esta nota, e o trecho em negrito, de transcendental importância, escrito por um Maçom, parece resolver, em definitivo, a maneira por que a Maçonaria se transformou em sociedade iniciática. Para o historiador da Maçonaria esta informação é capital.
Vinte dias depois o “Daily News”, também de Londres, publicava a carta de um Maçom que censurava aos seus Irmãos de “terem copiado as cerimônias dos Rosa-cruzes, e principalmente os seus sinais e suas provas.
A estes dois documentos, podemos acrescentar outro de data anterior. É a carta dirigida por um Maçom operativo ao “Plain Deater”, em 1724. Foi reproduzida na reedição da obra anônima “The Grand Mistery of Free-Masons discovered”, e dizia:
“Os meus Irmãos culpados desenvolveram a superstição e a tagarelice nas Lojas por suas práticas e fraquezas recentes. Relatos alarmantes, histórias de diabo, de feiticeiras, de escadas de corda, de espadas tiradas e de câmaras negras espalharam o terror”.
E Albert Lantoine que narra o episódio chega a seguinte conclusão:
“Ora, quem - a não ser cabalistas - poderia ter imposto às cerimônias maçônicas esta forma medieval e tenebrosa?”.
Trata-se evidentemente de documentos irrefragáveis, e de capital importância. Indicam a maneira por que se processou a alteração do ritual. Também está fora de dúvida que uma cerimônia cabalística jamais era iniciada sem o acendimento prévio de três velas rituais.
É este o sentido mágico da Luz produzida por uma vela, contrastando com a luz artificial de eletricidade. |