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O CAMINHO MAÇÔNICO DE COMPOSTELA

 

 

 

À GLORIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO

 

Por: Roberto Malfatti
Membro da:
A.·. R.·. L.·. S.·. M.·. EXC.·. União e Fraternidade VI n° 6 GOMS/COMAB

 

 

 

 

À distância a ser percorrida, que começa oficialmente na França em quatro lugares, até chegar à cidade de Santiago de Compostela, é de 800 quilômetros.

O caminho de Santiago é milenar; atravessa o norte da Espanha até Santiago de Compostela, onde estão os restos mortais do apóstolo Thiago.

Conta a história, segundo uma tradição muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Thiago foi pregar as “boas novas” em regiões longínquas, passando algum tempo na Galiza, extremo oeste da Espanha. Ao retornar à Palestina, foi preso e decapitado, e seu corpo jogado para fora das muralhas de Jerusalém.

Dois de seus discípulos recolheram seus restos e os levaram de volta ao ocidente de navio, aportando na antiga cidade de Íria Flávia, na costa oeste espanhola, sepultando-o secretamente em um bosque.

Por algum mistério ocorrido por lá, o bispo de Íria Flávia ordenou que fosse feita as escavações no local, encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do santo. A noticia se espalhou e pessoas começaram a deslocar-se a fim de conhecer o sepulcro originando o Caminho de Santiago de Compostela.

Os peregrinos que se aventuram nessa viagem, são preparados, fisicamente e psicologicamente, para suportar muitas agressividades corporais e mentais.

Há muitas formas de os peregrinos percorrerem esse caminho: a cavalo, a pé, ou de bicicleta, e terão de, antes de partir para tal fim, consultar pessoas que os assessoram, evitando assim de cometer erros graves, que podem até se sucumbir por hipotermia, pelo mau tempo reinante na região, conforme a época do ano.

Os motivos que levam as pessoas a enfrentar tamanho sacrifício, são vários: Prazer de caminhar, convicções religiosas, interesses artísticos, realizarem uma promessa, etc.

Se formos a Compostela por avião, as esquinas do caminho, as árvores floridas, os córregos frescos, o canto dos pássaros, o entardecer e o amanhecer continuarão lá, mas não farão parte de nós. Quando, ao entardecer dos anos, nos sentarmos à frente da lareira, examinando em silêncio a bagagem de nossa vida, essas coisas não estarão lá.

Isso, em termos de comparação com a vida maçônica, pode acontecer àqueles irmãos que têm pressa em galgar graus mais elevados, e não dão o devido valor para esses pormenores, onde iremos admirar cada árvore florida, bebermos em cada córrego fresco, ouvirmos cada canto de pássaros, admirarmos cada entardecer e cada amanhecer.

Hoje, dentro de nossas Lojas, vamos ouvir cada palavra, as boas e as más, as inspiradas e as cansativas, mas isso faz parte de cada um de nós. Cada experiência está em nossa bagagem, e descobrimos que o grande segredo da Maçonaria não está no aonde se chega, ou chegar mais rápido, mas no caminhar junto, compartilhando nossa humanidade no que ela tem de melhor e de pior, e estarmos presente em cada sessão.

Toda vez que abrimos o Livro da Lei, e declamarmos: “Oh! quão bom e quão suave é viverem os Homens em união. É como o perfume que desce sobre a cabeça e sobre a barba de Aarão”. Essas palavras nos farão sentido, e nossas almas exultarão.