Jeová Neves Carneiro *
“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos habitam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla de seus vestidos. Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre!”.
Introdução:
Segundo alguns autores, a Maçonaria nasceu, cresceu e floresceu à sombra da Igreja, inicialmente a Católica Romana e posteriormente a Anglicana, à partir de 1539.
A Maçonaria especulativa tem suas origens na Inglaterra quando em 24 de junho de 1717, ocorre a unificação da Maçonaria Inglesa a partir da união de quatro Lojas Maçônicas originando o Grande Loja de Londres, posteriormente o Grande Loja Unida da Inglaterra, em 1813.
Na Maçonaria, os ensinamentos internos sempre foram influenciados pela Igreja. Em 1290, o rei Eduardo I expulsou os Judeus da Inglaterra (Grã-Bretanha), com isso tudo o que era relacionado ao Velho Testamento, foram banidos juntamente com os Judeus.
Segundo Assis Carvalho & Salles Paschoal, o primeiro volume da Lei Sagrada colocado em um Altar Maçônico, foi um volume manuscrito do evangelho, Segundo São João.
A primeira Bíblia impressa é a Alemã, impressa por Guttenberg em 1534 e a primeira bíblia impressa em inglês é de 1545. Na Inglaterra, portanto só constava o Novo Testamento. O Evangelho, Segundo São João, passou para a posteridade da Maçonaria como sendo o Volume da Lei Sagrada.
O retorno dos Judeus à Inglaterra ocorreu a partir do ano de 1756, portanto o Salmo 133 só veio para a Maçonaria recentemente.
O uso da Bíblia depende de cada Rito.
No Rito de York, por exemplo, ela é aberta, porém sem leitura.
No Rito Alemão (Shoereder), não se abre a Bíblia.
No Rito Francês ou Moderno foi abolido o uso da Bíblia na França. No Brasil a Bíblia retornou ao Triângulo dos Compromissos em 08 de setembro de 1969, porém fechada.
No Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), a Bíblia é aberta em São João onde são lidos os primeiros versículos (1, 1-5). No Brasil adotou-se o Salmo 133. A adoção do Salmo 133 partiu das Grandes Lojas após a cisão de 1927, posteriormente foi adotado por outras Potências.
A leitura do Evangelho iniciava pelo primeiro capítulo e pelo primeiro versículo – “No início era o verbo , e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Ele estava no principio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e, sem ele, nada existiria. Nele estava a vida, e a vida era a Luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”.
Estes versículos representam na realidade a vitória da Luz sobre as Trevas. Segundo alguns autores são fundamentais para o grau de Aprendiz.
SALMO 133
Salmo 133: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos habitam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla de seus vestidos. Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre!”.
Quando da abertura dos trabalhos no Grau de Aprendiz, o Mestre de Cerimônias conduz o Irmão Orador ao Altar dos Juramentos para a abertura do Livro da Lei e leitura do Salmo 133, que exulta a união entre os irmãos.
Salmo, do grego psalmos tem o significado de instrumento musical feito de cordas. SALMO foi o nome dado aos hinos destinados aos serviços corais do templo ou sinagogas de Israel. Em outras palavras, salmo significa cântico com o acompanhamento de um instrumento de cordas.
O Livro dos salmos é uma coleção de 150 composições poéticas, as quais através dos gêneros literários, apresentam conteúdo exclusivamente religioso.
Manifestam os mais variados sentimentos e circunstâncias, júbilo e pranto, triunfos e derrotas, tranqüilidade e angustia, agradecimento e louvor, sempre com profunda suavidade.
O SALMO 133, Cântico dos Degraus de Davi, também conhecido como o salmo dos peregrinos, é a peregrinação que faz o irmão para refrigerar sua alma, para fortalecer o seu corpo espiritual.
Descrevendo os termos citados no Salmo 133; tais como o óleo “... é como o óleo precioso...” era um perfume raríssimo, cuja fórmula era segredo da tribo de Levi, à base de óleo de oliva, mirra, canela aromática, cálamo aromático, cássia e várias especiarias, era para ser usado unicamente pelo Sacerdote.
“... a barba de Arão...”, a barba era considerada símbolo da austeridade moral. Os Israelitas a que pertencia Arão evidenciavam especial estima pela barba, a ela conferiam forte merecimento, que externava pela sua aparência, sua própria dignidade.
“... Arão...”, membro da tribo de Levi, irmão de Moisés e seu principal colaborador quando da libertação do julgo dos egípcios, possui um peso próprio na tradição bíblica, devido ao seu caráter de patriarca e fundador da classe sacerdotal dos judeus.
“... que desce à orla de seus vestidos...”, de especial significado litúrgico e ritualístico, eram as vestes daqueles que tinham por missão exercitar atos religiosos.
“Como o orvalho...”, o orvalho representa todo o esplendor da natureza, pois suas gotículas vão nutrir a terra ávida de alimento.
“...de Hermon...”, Maciço rochoso situado ao sul-sudeste do Líbano do qual se separa um vale profundo e extenso, onde se cultivam cereais e frutos em abundância, em função do orvalho que desce do topo do monte Hermon, formando inúmeros regatos.
“...Montes de Sião...”, chamado de Monte de Deus, pois o Senhor o escolheu para sua morada, constituindo um refúgio seguro e inabalável.
“... Porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre...”, porque a benção é a invocação das graças de Deus sobre o ser que a recebe. Para os Semitas, a benção possui força própria, e por isso é capaz de despertar a sua potencialidade energética, carregada de energia dinâmica e magia.
Meus irmãos, após esse breve relato sobre o Salmo 133, conclui-se que não é simplesmente a leitura que vai produzir os efeitos almejados por Davi, as palavras escritas devem ser analisadas e seu conteúdo compreendido em todo o seu significado!
“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos habitam em união!”.
|