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AS RELIGIÕES
Calvinismo

 

 

 

 

 

 

Ercilia Simone Dalvio Magaldi

Remessa da parte do Irm
Joel Affonso

 

calvino
Calvino

 

 


         Calvino nasceu em 10 de julho de 1509, na França. Estudou filosofia e direito, seu pai era secretário do Bispo de Noyen, recebeu deles forte influência e benesses. Converte-se ao protestantismo, sai da França pelo risco de vida que corria e se instala em Genebra, em 1536 expõe sua doutrina num livro.

         Hinnells: “Calvino fundou uma teocracia parcial em Genebra, apoiado pela teologia dos seus Institutos da Religião Cristã, que inspirou o tipo da Igreja Reformada do PROTESTANTISMO. O calvinismo expressava a soberania de Deus na predestinação mas também na vida eclesiástica e civil rigorosamente supervisionada. O Congregacionalismo calvinista e o presbiterianismo exerceram influência nas colônias americanas e foram afetados pelo Movimento Reavivalista (ex. Jonatahan Edwards, 1703-1758). Karl Barth (1886-1958) tem sido o teólogo calvinista moderno mais influente”.

Wilges: “É claro que Calvino conhecia a obra de Lutero; ele se preocupa com a majestade de Deus, que tudo sabe, tudo faz. E Deus fez o mundo para a sua glória; glorificam-no tanto os bons como os maus, o céu e o inferno. Em relação a uns, Deus mostra a sua misericórdia. Em relação a outros, o seu poder. Deus querendo manifestar a nós esses atributos, teve de criar bons e maus. É a predestinação absoluta. Vamos então cruzar os Braços?

Não, porque a riqueza e o bem que fizermos são sinais de que somos salvos. Por isso nenhum calvinista quer ser pobre. Os calvinistas emigrados para os Estados Unidos influenciaram profundamente o surgimento da era industrial naquele país. Calvino acentua, portanto, as boas obras. O que Deus manifestou nos livros sagrados é norma de fé, é mandamento que vale para todos os tempos. Em obras, ele é tão exigente quanto a Igreja católica, só que o motivo é diferente”.

Ponto de partida: “a graça de Deus, uma vez que seus desígnios não podem mudar, é tão impossível ser perdida por aqueles a quem Ele a concedeu como é inatingível para aqueles aos quais Ele a negou” (Weber).  É a eliminação total da magia do mundo iniciada pelos profetas hebreus junto ao pensamento científico helenístico: “Não só não havia meios mágicos de obter a graça de Deus para aqueles a quem Ele decidira negá-la, como não havia espécie alguma de meio” (idem).

Na literatura puritana temos uma advertência contra qualquer confiança na ajuda da amizade dos homens, uma profunda descrença até no mais íntimo amigo e Bailey exortava diretamente a não confiar em ninguém.

“Apesar da necessidade de participar da verdadeira Igreja para a salvação, o intercâmbio do calvinista com seu Deus era desenvolvido em profundo isolamento espiritual” (Weber). Provavelmente essa solidão, aliada a idéia de abandono ou pecado, seja a causa principal do número de suicídios ser maior entre os protestantes de todo o mundo, que dos demais fiéis.

O calvinista busca, incessantemente, a certituto salutis que é a certeza do estado de graça (em Jung equivaleria ao Mito do Significado).

Vejamos algumas passagens da “confissão de Westminster” (1647), que nesse particular também são seguidas pelos Batistas e Independentes:
“Por decreto de Deus, para manifestação de sua glória, alguns homens e anjos são predestinados à vida eterna e outros são predestinados à morte eterna”.

“Àqueles do gênero humano que estão predestinados à vida, foram escolhidos para a glória com Cristo por Deus, antes de efetuada a criação do mundo, segundo sua finalidade eterna e imutável, e secreta deliberação e arbítrio de sua vontade, por manifestação de sua livre graça e amor, sem qualquer previsão de fé ou boas obras, ou de perseverança em ambas, ou qualquer coisa na criatura como condições ou causas que o levassem a isso, e tudo para louvor de sua glória e graça”.

“Foi do agrado de Deus que, de acordo com o insondável desígnio de Sua própria vontade, pela qual Ele distribui ou nega mercês, como lhe apraz, para a glória de Seu soberano poder sobre as criaturas, dispensar o resto da humanidade, condená-la à desonra e à ira por seu pecado, para louvor de Sua gloriosa justiça”

“É do agrado de Deus, efetivamente chamar (para fora daquele estado de pecado e de morte no qual estão por natureza), na época por Ele apontada e desejada, todos aqueles, e somente aqueles, que predestinou à vida, por Sua Palavra e espírito...”.

Passou a ser um princípio a busca incessante da autoconfiança da “certituto salutis”, assim como combater, com todas as forças, as dúvidas e tentações do demônio. Para isso era necessário entregar-se ao trabalho árduo (que foi a chave para o capitalismo, uma vez que o trabalho deve trazer frutos que não deverá ser gastos com futilezas e superficialidades, mas só o necessário deve ser consumido, o restante deverá ser revertido em ampliação de lucros) .

Deus torna-se absolutamente transcendente e fica impossível a penetração dEle na alma humana, uma vez que está em oposição absoluta à matéria.

A contradição da morte de Cristo para a Salvação dos homens tem a seguinte explicação: “Porque mesmo Cristo morrera apenas pelos eleitos em cujo benefício Deus decretara seu martírio pela eternidade”. O homem sem a certeza da eleição ficará totalmente despido de ilusões, o que é trágico para a psique humana. Ele está só frente a sua dúvida, sem amigos em quem confiar, sem santos intercessores, sem absolvição de seus pecados. Os presbiterianos são os mais fiéis aos princípios calvinistas.
Calvino reconhecia apenas 2 sacramentos: batismo e ceia do Senhor. A presença de Cristo na Eucaristia é real e espiritual, e não física.

Os calvinistas foram chamados na França de huguenotes, e nos EUA de puritanos.

   

 

Continua