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AS RELIGIÕES
Igreja Ortodoxa


 

 

 

 

Ercilia Simone Dalvio Magaldi

Remessa da parte do Irm
Joel Affonso

 

 


         Acredita-se que o número de seus fiéis seja em torno de 152 milhões, mas por questões políticas é impossível afirmar-se.

         O rompimento com Roma aconteceu em 15 de julho de 1054, por não reconhecerem a supremacia do papa, e pelas recíprocas excomunhões do papa e do patriarca. As Igrejas ortodoxas não possuem um chefe ou líder em comum, são autônomas e cada uma possui seu patriarca.

Essa separação tornou-se irreconciliável, definitivamente, em 1204 quando os católicos, cruzados, profanaram as igrejas ortodoxas. Dogmaticamente a separação cristalizou-se no Concílio de Lyon em 1274, quando a doutrina do filioque, foi julgada heterodoxa: “O Espírito procede do Pai e do Filho como de um único princípio”, Leloup diz: ”Essa doutrina enfraquece, em proveito da unidade da essência (o Único princípio), a misteriosa contradição trinitária da unidade e da diversidade, revelação e raiz do mistério da pessoa e do amor”.

         Para esclarecermos um pouco mais vejamos em Hilnnes: “Embora enraizada no monoteísmo judaico, a crença cristã na divindade de Jesus Cristo e do Espírito Santo conduziu ao desenvolvimento da doutrina da trindade, segundo a qual o Deus uno se revela nas três pessoas do Pai, do Filho (Jesus Cristo) e do Espírito Santo. Essas três pessoas, porém, são consideradas uma unidade, que partilha de uma substância. A doutrina foi finalmente definida pelos primeiros concílios e teólogos como três pessoas numa substância (homo-ousion), na tentativa de sustentar uma verdadeira distinção entre as pessoas enquanto lhes mantinha a unidade, a igualdade e a eternidade. Para a igreja ocidental o Espírito Santo procede do Pai ´e do Filho` (a cláusula filioque acrescentada ao Credo de Nicéia). O que é rejeitado pela IGREJA ORTODOXA, que vê a ´processão` do Espírito Santo como sendo do Pai através do Filho”.

         O fundamento dessa Igreja é a tradição bíblica e os pronunciamentos dos primeiros sete concílios ecumênicos (a Igreja católica reconhece 21 concílios ecumênicos). Sua ênfase encontra-se na ressurreição de Cristo, que é ao mesmo tempo plenamente humano e totalmente divino, traz a salvação com sua vitória sobre a morte. Assim, nossa natureza compartilha de algo celestial, somos destinados à divindade.

         O celibato só é exigido aos bispos, porém o casamento dos padres deve ocorrer antes da ordenação. A Igreja Ortodoxa só permite o divórcio em caso de adultério, Mt19,9: “Ora, eu o declaro que aquele que rejeita a sua mulher, exceto no caso de adultério, e esposar uma outra, comete adultério”.

Uma das principais características da Igreja Ortodoxa é a presença de ícones, pinturas religiosas, são imagens de Jesus, da Virgem Maria, dos santos e anjos. O fiel ortodoxo acredita que essas imagens revelam Deus, também são usadas nos lares para meditação.

Um livro que fala da vida de um padre ortodoxo (hesicasta – hesychia = paz bem-aventurada, do repouso em Deus)) é O Absurdo e a Graça, de Jean-Ives Leloup, Verus Ed., nele Leloup traz sua autobiografia e toda reflexão sobre a busca de Deus através de várias correntes religiosas, do estudo da filosofia e até mesmo de Jung, é um livro comovente que vale a pena ser lido. Veja: “Não receio ser muito espiritual ou muito humano. Receio não ser nenhum nem outro ou não ser o bastante. Receio faltar humanidade em minha busca de Deus e faltar espiritualidade em minha vida cotidiana. [..] Um homem inteiro é também um homem que, após ter fugido de sua sombra ou tê-la negado, acaba por aceitá-la e por amá-la como a si mesmo”, este é o grande passo rumo à individuação, e ainda: “A cada um seu terror, sua doença incurável, seu amor ou sua felicidade mais intensa que, uma vez aceitos, aportam um sentido que está além das explicações. A procura de uma inteireza não é a procura de uma perfeição nem de um ideal”    

 

Continua