Samaúma - Portal Maçônico
o



 





As Cinco Viagens Iniciáticas


 

 

Rizzardo da Camino
Dados do Livro
O Companheirismo Maçônico

 

 

 

 

O Aprendiz, ao ser elevado ao Segundo Grau, enfrentará mais cinco viagens; já venceu quatro, durante a cerimônia de sua Iniciação; somam, agora, nove viagens.

Toda iniciação maçônica exige, de forma simbólica, a realização de viagens, que significam uma “trajetória” predeterminada.

Toda viagem tem um ponto de partida e um de chegada. O maçom está sempre “iniciando” um novo momento, simbolizado por uma viagem.

Os egípcios tinham em sua última viagem, um simbolismo muito sutil e acurado; embarcavam em uma “Nau”, movida a remo, que percorria, não um “mar” de águas, mas um espaço através do Cosmos.

É uma viagem para o “Infinito”, para o “Desconhecido”, aos páramos celestiais. Essa “barca solar é vista, nos museus egípcios; ela está desenhada, pintada, esculpida, em toda parte, especialmente, dentro dos túmulos violados pela cupidez do homem que, sob a escusa de estudos arqueológicos, tudo destrói.

A viagem é o meio de o Iniciando se afastar do local onde está para evitar a estagnação e o comodismo.

Mesmo as pessoas religiosas, ao atingirem o “seu próprio patamar”, ficam comodamente estáticas, na expectativa de receberem o prêmio.

Em todas as situações, o homem é, em última análise, um acomodado; arrepia-o, a idéia de lutar e progredir; são poucos, por isto, os que vencem.

Um dos maiores defeitos da vida reside, justamente, no “medo” de enfrentar o futuro.

Na Maçonaria, e o confirmem os maçons, esse posicionamento comodista se acentua mais.

Em nome de uma “tradição”, grupos inteiros, repelem a possibilidade de encontrar novos rumos, enfim, uma “evolução” adequada, racional e justa.

A preferência, contudo, é o afastamento da pesquisa, a espiritualização dos símbolos, que desejam continuem estáticos, enxergando neles tão-somente o lado materialista.

Em nossos livros, insistimos em recomendar aos maçons, como “renovação”, o “retorno à Câmara de Reflexões”, revivendo o conjunto iniciático que os levou ao renascimento.

Agora, recomendamos — com a mesma veemência — que os maçons “retornem” às suas viagens.

Reviverão as “belas paisagens”; os encontros imprevistos; as dificuldades do caminho, as pedras, os espinhos; as vitórias sobre o que lhes parecia intransponível; o retempero de suas atitudes e comportamento bem como a vivificação espiritual.

Certamente, as viagens maçônicas têm muito de alegórico; são encenadas, posto os organizadores, guias e dirigentes se esforcem em apresentá-las com características de realismo.

A diferença entre as viagens egípcias e as maçônicas reside no fato de que, na Maçonaria, o viajor está vivo; enquanto o egípcio estava morto.

Quem enceta uma viagem sabe, ou pelo menos, recebe o aviso de que há de enfrentar “perigos”.

O Aprendiz, como homem que é, sempre há de “enfrentar perigos”, pois, é sua sina; é condição humana.

Quando há possibilidade de surgir um perigo, indubitavelmente, exige-se prontamente, a presença de uma reação.

Essa é a lição que o perigo nos dá; se inexistissem, não haveria os “exercícios de defesa”.

A Maçonaria é mestra sábia e experiente.

As viagens alegóricas servem, além das lições filosóficas que encerram como exercício; quem venceu a primeira viagem, com certeza há de vencer as que se sucedem.

O próprio mundo é uma nave e o homem seu viajante. O Mundo “gira”, por isso o homem viaja.

O Mundo gira sobre seu próprio eixo e o faz, também em torno do Astro Rei; perambula no Cosmos, e embora seja primário, o homem também gira sobre si mesmo e ao redor do Sol.

Portanto, as modernas naves espaciais, pouco fazem, além do giro natural que o homem faz, anualmente.
Quantas viagens fará o homem entre o nascer e seu próprio ocaso?

As viagens iniciáticas são pálidas idéias da realidade astronômica, vivenciada pelo homem, pelo maçom e pelo Aprendiz.

Partindo da construção do Grande Templo de Salomão, os Aprendizes deviam aguardar durante cinco anos, para passarem à condição de Companheiros.

As cinco viagens cerimoniais e alegóricas, significam os cinco anos de estudo, para alcançarem a elevação.

Os cinco anos são reminiscências de uma Maçonaria altamente sensata e mística; hoje, poderão significar “cinco meses” ou no máximo, como ditam os Regulamentos, doze meses.

De certa forma, dada a grande evolução científica, na realidade, podem ser resumidos; um minuto, equivale a um ano do século passado.

Pitágoras, o eminente pensador grego, exigia de seus discípulos cinco anos de constante aprendizado e de silêncio quase absoluto.

Esses cinco anos de aprendizado eram consumados na companhia quotidiana do Mestre; o silêncio conduzia à meditação.

Cabe aqui, como oportunidade, inquirirmos da razão de os “antigos”, como Pitágoras, fixarem os anos no número cinco, tradição seguida pela Maçonaria, porém, convertidas em cinco viagens.

O fator primordial, diz respeito aos cinco sentidos humanos, dedicados à primeira viagem.

Posto todos saibamos, os cinco sentidos humanos são: a visão, a audição, o tato, o olfato e o gosto.

E os animais, têm esses sentidos? Obviamente, os animais superiores possuem esses mesmos sentidos.

Eles constituem um conjunto indispensável à vida; sem dúvida alguma, todo Reino da Natureza possui sentidos; nem todos, os iguais ao homem, mas peculiares a cada espécie.

Há quem diga da existência de um “sexto sentido”; ou de um “sétimo”; nós afirmamos a existência de outros cinco sentidos, de certo modo “paralelos” aos referidos acima, mas que dizem respeito a uma “parte interior” do homem; não chegamos ao exagero de afirmar que sejam “sentidos” espirituais.

Quem já ouviu comentários sobre uma “terceira visão”?

Um “segundo tato”, que seria a “suscetibilidade” despertada por uma agressão, ofensa, ou chamamento aos brios?

A reação psíquica, diante de uma emoção violenta, não seria o despertar de um sentido dual, semelhante ao do tato?
Desenvolvimento a ponto de poder “ver” dentro de si mesmo.

Todos nós sabemos que possuímos órgãos internos, com funções específicas, mas não nos é dado “ver” esses órgãos; somente com a Terceira Visão será isso possível.

A função de tudo o que para nós é invisível, dentro de nós, inclusive as nossas reações psíquicas e sentimentais, torna-se clara; basta “retirar” o que resta das arestas burilando nossos sentidos.

Todas as nossas funções vitais fogem ao nosso controle e somente um profundo iniciado conseguirá acompanhar o ritmo do pulmão e do coração ou a expansão dos pulmões; o processo químico de nossa digestão e as misteriosas intervenções de nossas glândulas; nós só percebemos a presença de nossos órgãos, quando houver disfunções que nos causem dor ou mal-estar.

Estamos de pleno acordo quanto ao auxilio que nos presta a ciência; já é possível “vermos”, através de minúsculas câmaras de TV colocadas dentro de nós, todas as principais funções; mas não são os nossos olhos que contemplam o espetáculo — são as câmaras; no entanto, é possível para quem desenvolveu a sua Terceira Visão, contemplar tudo isso.

Na Primeira Viagem, o Candidato passará a “ver”, a saber, usar a sua verdadeira visão e descobrirá tudo aquilo que lhe estava destinado e que na condição de Aprendiz não alcançara.

No entanto, não será apenas o sentido da Visão que se há de desenvolver.

O sentido de Olfato ficará mais apurado; não bastam os “odores” comuns do ambiente; não basta o perfume do incenso ou o cheiro dos pavios das velas.

Há odores infinitamente sutis que o homem não percebe porque não teve interesse em apurá-los.

Podemos exemplificar com aqueles profissionais, “degustadores” e “provadores” de vinhos e perfumes.

Os seus sentidos gustativos e olfativos podem perceber qualidades ou defeitos nas espécies que analisam.