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Conceitos Básicos do Rito Brasileiro.

 

 


Valdir Roberto Galdeano

 

Prestigiar ou aderir a uma Loja do Rito Brasileiro deve ser considerado uma legítima afirmação de brasilidade e um autêntico ato de amor ao Brasil.

Dos diversos ritos praticados pela Maçonaria Regular, em todos os recantos da Terra, o Rito Brasileiro é um deles. O Rito Brasileiro, há muito tempo, é Regular, Legal e Legítimo.
Acata os Landmarks e os demais princípios tradicionais da Maçonaria, podendo ser
praticado em qualquer país.

Teria sido o embrião do Rito Brasileiro o apelo feito por um irmão Lusitano, um Cavaleiro Rosa Cruz, no ano de 1864, dirigido aos Orientes Lusitano e do Brasil, no sentido de
que fosse criado um Rito novo e independente, mantendo os três graus simbólicos, de acordo com a tradição maçônica, comum a todos os ritos, e os demais, altos graus, diferenciados, com características nacionais. Esse apelo vinha com a seguinte afirmação: “Convimos em que semelhante reforma é contrária ao cosmopolitismo e a tolerância
Maçônica, mas, também, é verdade que, enquanto os Maçons forem patriotas e os povos fisicamente desiguais, a conservação de um Rito Universal, parece-nos impossível:
talvez um tão gigantesco projeto só poderá ser possível no vigésimo século”. Essa idéia está na página 6, vol. I, da obra clássica em Maçonaria, intitulada “Biblioteca Maçônica ou
Instrução Completa do Franco-Maçom”, publicada em Paris, por Ailleaud Guillard.

Em 1878, em Recife, surgiu a Constituição da Maçonaria do Especial Rito Brasileiro com aval de 838 obreiros, presidido pelo comerciante José Firmo Xavier, para as Casas do Círculo do Grande Oriente de Pernambuco; Esta Constituição era totalmente irregular, pois a mesma, além de se assentar sob os auspícios de sua Majestade Imperial Dom
Pedro II, Imperador do Brasil, da Família Imperial e de sua Santidade, Sumo Pontífice, o Papa, nela estavam incluídos vários preceitos negativos, como, por exemplo: A admissão
somente de brasileiros natos, e, em seu artigo 4°, afirmava que uma das finalidades do Rito era defender a Religião Católica e sustentar a Monarquia Brasileira. Evidentemente, o Rito não prosperou, pois era Irregular. Esta Constituição se encontra na Biblioteca Nacional e, também, publicada nos livros “A Maçonaria e o Rito Brasileiro”, de Hercules Pinto, Editora Maçônica, 1981, e “Rito Brasileiro de Maçons Antigos Livres e Aceitos”, de Mário Name, Editora A Trolha, 1992.

Em 21 de dezembro de 1914, na reunião do Conselho Geral da Ordem, presidida
pelo Soberano Grão-Mestre Lauro Sodré, o Irmão Eugênio Pinto, Orador interino, fez a proposta para a criação do Rito Brasileiro, quando foi aprovada sua criação.

Em 23 de dezembro de 1914, surgiu o decreto n° 500, que deu conhecimento aos Maçons e Oficinas da Federação da aprovação, do reconhecimento e da adoção do Rito
Brasileiro. Kurt Prober, pesquisador maçônico, tece severas críticas à forma de criação do Rito, alegando que “o quorum da reunião era insuficiente, realizada ao apagar das luzes, e que o Rito teria sido invenção dos militares”.

Em 1916, Lauro Sodré afastou-se do 3° Mandato de Soberano Grão-Mestre do GOB, assumindo, em seu lugar, Veríssimo José da Costa, que encaminhou o decreto n°
500 para a aprovação da Soberana Assembléia Geral. Assim, através de um novo Decreto, dessa vez, o de n° 536, de 17 de outubro de 1916, reconheceu, consagrou e autorizou o Rito, criado e incorporado ao GOB.

Em junho de 1917, o Conselho Geral da Ordem aprovou a constituição do Rito com seus regulamentos, estatutos e rituais. Mesmo assim, o Rito não prosperava por falta de uma Oficina Chefe e de rituais publicados.

Em agosto de 1921, através do decreto n° 680, o Soberano Grão-Mestre do GOB expulsou o Grão-Mestre e outros 45 Veneráveis de Lojas do Estado de São Paulo,
cassando as Cartas Constitutivas daquelas Oficinas, que passaram a adotar o Rito Brasileiro. Publicaram Rituais para os três primeiros graus, cópias fiéis do R.·. E.·. A.·. A.·.
Em 1940, Álvaro Palmeira propõe a formação de uma comissão para analisar, estudar e atualizar o projeto do Rito Brasileiro, que, naquela época, achava-se adormecido.

Em 1941, foi instalado o Supremo Conclave do Rito Brasileiro através do ato n° 1636. Este Supremo Conclave viria adormecer, pois havia pequenas diferenças entre o Grão-
Mestre Rodrigues Neves e o presidente do Supremo Conclave, Otaviano Bastos.

Em 1968, considerado o ano da implantação do Rito Brasileiro, Álvaro Palmeira, Soberano Grão-Mestre, assinou o decreto n° 2080, reativando o Supremo Conclave, determinando que 15 irmãos revissem a Constituição do Rito, adequando-a às exigências internacionais de regularidade, fazendo um Rito Universal, separando o Simbolismo dos Altos Graus, conciliando a tradição com a evolução e publicando os Rituais necessários.

Atualmente, o Rito Brasileiro é uma realidade vitoriosa. Possui organização e doutrina bem estruturadas, que muito se diferencia da organização e doutrina, insipientemente, propostas ao longo de sua história. Solidamente constituído, é praticado por mais de 150 Oficinas Simbólicas, distribuídas por quase todas as unidades da Federação. É o segundo Rito mais praticado no Brasil. O Supremo Conclave do Rito Brasileiro tem sede no Oriente do Rio de Janeiro, na Rua do Lavradio, n° 100.

O Rito se estrutura em cinco segmentos:
● Lojas Simbólicas - 1° ao 3° grau. 1° Grau – consagrado à fraternidade dos irmãos, união dos Irmãos. 2° Grau – consagrado à exaltação do trabalho e ao estímulo da solidariedade. 3° Grau – consagrando o princípio de que a vida nasce da morte.

● Capítulos - 4° ao 18° grau. Dedicados ao estudo da Filosofia Moral, 14 virtudes
culminando com o Grau Rosa Cruz, moral e espiritual, degrau capitular máximo.

● Grandes Conselhos - 19° ao 30° grau. Dedicados aos estudos dos problemas nacionais e da humanidade. 19° ao 22° - aspectos ligados à economia. 23° ao 26° - aspectos ligados à organização da sociedade. 27° ao 30° - aspectos ligados à arte, ciência, religião e filosofia.

● Altos Colégios - 31° e 32° grau. Dedicados ao bem público e ao civismo, à abordagem
de assuntos políticos, tratados elevadamente, sem injunções partidárias.

● Sumo Grau – 33º. Máximo na hierarquia de caráter administrativo, com tendência em grau superior. Cada Rito possui modo próprio de realizar suas cerimônias, respeitados os
limites bem conhecidos, sob pena de heresia maçônica. O importante é que todos os Ritos têm o mesmo objetivo, qual seja o de ordenar a prática dos estudos maçônicos. Enumeramos algumas características do Rito:

· Uso de Bastões – É, por tradição, o uso de bastões pelo Mestre de Cerimônias e
Diáconos.
O Retorno da Palavra Sagrada - Peculiaridade do Rito, tem como objetivo simbólico confirmar a boa condução dos trabalhos e sua conclusão. A palavra vai e volta, imantando e desimantando;

· Sinais - Além dos sinais habituais, temos os de obediência e do rito;

· O Giro da Sacola (Bolsa) - no Oriente, na Coluna do Norte e na Coluna do Sul, todos, iniciando pelas Luzes da Região;

· Cerimônia das Luzes - Realizada pelo Venerável Mestre com o auxilio do 1° e 2° Vigilantes. Os três são as luzes que iluminam a Loja. As três luzes místicas representam e
evocam a Onisciência (Sabedoria – V.·.M.·.), a Onipotência (Força – 1° Vig.) e a Onipresença divina (Beleza – 2° Vig.·.);

· Inversão das Colunas Maçônicas - É uma questão complexa, mas, caracteristicamente, o Rito inverte a Coluna dentro do Templo. Coluna "J" à direita;

· Colunas Norte e Sul - Baseados no Hemisfério Sul, com pouca luz, os Aprendizes sentam-se na Coluna do Sul e os Companheiros na do Norte;

· Aclamação e Bateria - Glória, Glória, Glória, o-oo.