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LIBERDADE – SOBERANIA – PROGRESSO.

 

 

 

 

Irm.·. Roque José Soares 
Or.·. de Santa Maria – RS
Fonte:- Prumo Nº 86
Set-Out de 1992

 

 

 

Que mundo de beleza estas três palavras encerram em seu âmago. Que composição esotérica e exotérica genial se valeu a inteligência divina para transmitir ao ser por ela criado toda a eloqüência de Sua Sabedoria, fazendo com que, dentro dessa trilogia, encerrasse toda a essência de todas as vidas, em todas as dimensões do Universo.

Consta da "Declaração Universos dos Direitos Humanos":-
"Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza. Todo homem tem direito à vida, liberdade e à segurança”.

A LIBERDADE representa para a espécie vivente o que o ar é para toda natureza: a própria existência.

O anseio de liberdade, como todos sabem, inicia-se desde o mais inferior e simples réptil, que rasteja diuturnamente em busca de suas presas, para mitigar a fome física, para a conservação do corpo material, e permitir energia para a perpetuação de sua espécie e, assim, segue-se na escala evolutiva.

Nas aves, no seu voejar constante, procuram, além do alimento, a polinização das flores, para o deleite do jardineiro embevecido, bem como o de toda fauna que, libertos em seus hábitats, são mais belos e vivazes para chegar à sua mais alta e perfeita escala: a espécie humana. Esta, possuindo além do instinto a inteligência, o tirocínio, o senso de equilíbrio, a razão e a perseverança, não contente apenas com o alimento da matéria, vai além. O seu vôo é mais ambicioso, e por isso, mais complexo e elevado.

Deseja a liberdade para vivê-la com seus semelhantes e com as pessoas que lhe são caras e, alguns, ainda, liricamente, segundo seus princípios. Mas a liberdade deve, ter como aliadas a Fé, a Esperança e a Caridade.

A Fé é uma virtude e também uma obrigação moral para o Iniciado, cujo dever é mantê-la viva no fundo do seu coração, porque ela é o sustentáculo do edifício do Iniciado.

A Esperança é também uma virtude cuja excelência produz os mais salutares efeitos na conduta dos homens, é a crença que abrigamos de que há de chegar para todos o dia da perfeição.

Ela nos sustenta, fortalece e nos impele ao cumprimento do dever. Ela é, enfim, irmã inseparável da Fé, e não se concebe que possam existir separadamente.

A Caridade não tem limites e seus benefícios devem ser imperecíveis, tendo sempre como lema o pensamento: AMA TEU Próximo COMO A TI MESMO, que é um dos mandamentos mais sublimes.

A soberania consiste até certo ponto na conseqüência e no fruto da liberdade, conseguida na sua luta com o que lhe espezinhava o direito, negava a Justiça e tirava a aspiração mais sagrada de seus filhos: SER JUSTOS E PERFEITOS.

Ser soberano e livre, de certa forma, significa a marcha do Templo Iniciático e Profano, que, em cumprimento de tarefas, depara sempre com obstáculos que tem de contornar a custa do emprego de suas faculdades, usando, nesse momento, a energia vivificadora que consagra sua individualidade perante os percalços enfrentados, sempre em busca de ideais há muito visados.

Nesse labor, muitas vezes o Iniciado pára para tomar fôlego, recuperar forças ou olhar o caminho percorrido, que quase sempre é áspero e cheio de obstáculos, como soe sê-lo o do iniciante em qualquer área de atividade. Nessa jornada, vacilamos por vezes, em outras sucumbimos diante da temeridade e ousadia do gesto ou pretensão.

Mas, isto acontece, cremos, pela nossa inaptidão e fraquezas inerentes aos mortais, porque, mesmo os iluminados por ela passaram. Só dominamos nossas imperfeições quando nossos instintos são superados pela individualidade, cujo somatório é o apanágio do possuidor do equilíbrio perfeito. Para atingirmos semelhante desiderato, precisamos de muitas viagens, arrastar, muito tempo, os pés, trabalhar amiúde a pedra bruta do nosso interior, livrar nosso espírito do fogo das paixões inferiores e olharmos e analisarmos profundamente as constelações do nosso universo íntimo.

O PROGRESSO consiste, parece-nos, em reconhecer um ato palpável, estabelecer a diferença e reconhecer a razão e a justiça.

Li, alhures, que a religião é o ópio do povo. Mas não fora ela e seriamos incapazes de dar valor ao sofrimento alheio, sentir a necessidade dos infelizes e amarmos no devido termo os nossos semelhantes.

Ter respeito e obediência aos sagrados mandamentos superiores e ainda admitir, conscienciosamente, que não viemos a este vale de lágrimas apenas para passar pelo envoltório da carne, meramente simbólico, mas, acima de tudo, e sob pena de jogar fora todas as conquistas e começarmos tudo novamente, para sermos LIVRES, SOBERANOS e PROGRESSISTAS.