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Ao Exército Brasileiro
Discurso proferido em homenagem ao Exército Brasileiro, pelo Irm. Valmor Antonio Padilha, membro da Loja "Os Templários" nº 2819 (Rito de York), por ocasião do Dia da Maçom, atuando como Orador da Loja especial Duque de Caxias, em Curitiba - Paraná. (25/8/2000).

A Loja Maçônica Duque de Caxias, congregando todos o maçons desta capital e região metropolitana, por ocasião do Dia do Maçom, é especialmente constituída e, em sessão especial, presta homenagem ao exército brasileiro e a seu patrono, nosso irmão Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias.

A história do exército brasileiro e seu compromisso histórico e constitucional, junto às demais instituições do país, sustenta postulados básicos de nossa soberania, como pressuposto para a realização de nosso futuro como nação.

O patriotismo, que possibilita configurar nossa identidade nacional, foi conquista plasmada em séculos de demonstrações de coragem, sacrifício no cumprimento do dever e postura profissional, que legitimam o princípio de autoridade que lhe serve de esteio. Patriotismo, que não é um valor exclusivo das hostes militares, mas também de cada cidadão no desempenho de suas responsabilidades e no exercício de seus direitos.

Tal sentimento, estrutura os valores mais caros de um povo, sustenta e identifica a soberania da nação. Ao exército brasileiro, onde viveu e venceu nosso irmão Luiz Alves de Lima e Silva, símbolo maior de grandeza do soldado brasileiro, nossas homenagens neste dia.

O nosso país atravessa neste momento, uma crise sem precedentes, o que exige a união de todas as instituições nacionais. A convergência de vontades, capacidades, talentos e patriotismo de todos os brasileiros, é condição essencial para a superação. A palavra crise, em chinês, é constituída de dois ideogramas que significam "risco" ou "perigo" e "oportunidade".

Segundo o filósofo grego Anacrusio, que viveu no ano 600, antes de cristo, "é o momento crítico que revela o homem", nessa hora, surgem as oportunidades de soluções definitivas.

Não estamos em guerra, mas muitos de nossos irmãos brasileiros são mortos todo dia pela fome, fruto do desemprego. Atualmente existem 12 milhões de brasileiros desempregados.

Somos o 5º maior produtor de alimentos do mundo, mas é assombroso o número de pessoas desnutridas, que passa fome, que morre de fome.

O salário mínimo representa hoje, apenas 18% do seu valor real quando instituído em 1940, com a observação de que mais de 50% dos brasileiros, integram famílias cuja renda "per capita" é inferior a meio salário mínimo. A pobreza atinge no Brasil, 50 milhões de pessoas e a miséria já bate a casa dos 21 milhões.

Segundo o Banco Mundial, nossa dívida externa, consome 65% dos recursos do Brasil. Em maio deste ano, a dívida externa do Brasil estava próximo a 232 bilhões de dólares.

Não estamos em guerra, mas é alarmante a violência que campeia as cidades e o campo, desencadeada pela corrupção em setores nunca antes imaginados, cujos atores rapinam os cofres públicos, em cifras astronômicas, que fazem falta ao atendimento das políticas básicas da população;

Não estamos em guerra, mas grande número de brasileiros tombam todos os dias, vítimas das desigualdades sociais provocadas pela injusta distribuição de renda do país.

Segundo o banco mundial, o Brasil ocupa o primeiro lugar em concentração de renda, onde 10% dos mais ricos detém 56% do nosso produto interno bruto.

Claro está que as riquezas produzidas por todos os brasileiros não são distribuídas entre todos os brasileiros, acabando concentradas nas mãos de grupo minoritários que se beneficiam da estrutura injusta estabelecida no país; Não estamos em guerra, mas experimentamos o caos social, convivendo com 40 milhões de crianças e adolescentes carentes e abandonados. No Brasil, 500 mil crianças morrem por ano em razão da desnutrição, da fome e de doenças facilmente evitáveis.

Se o quadro afigura-se de tragédia, por outro lado anima-nos saber da vontade da ordem maçônica em contribuir positivamente para o fim dessa letargia de morte, rompendo paradigmas nesse novo milênio que se avizinha, conclamando a cada maçom, para nos limites de sua atuação social, empregar toda a força de sua conduta retilínea e toda emanação de seu primado justo e perfeito, pois nas transformações em direção à plenitude, avultam em importância os mestres, as figuras exemplares.

A função do mestre transcende a identificar a verdadeira natureza, não só com palavras mas principalmente por seus exemplos de virtude e modo de agir.

Nessa empreitada somos todos maçons. A Maçonaria, como caixa de ressonância dos problemas humanos e sociais, cada cidadão, pai de família, profissional que atua nas mais diversas áreas de atividade, cada um pode impregnar-se dessa benfazeja atmosfera humana, pulsando, com seu coração e mente, em atos e ações, no firme e decidido propósito de promover melhores dias a nação brasileira.

No alvorecer de um novo milênio, a maçonaria como instituição digna de suas tradições, coloca-se em disposição permanente para o aprimoramento do homem, acreditando que somente assim, poderá influir decisivamente nos destinos de uma nação, através de seu principal elemento: o homem.

Homem, capaz de uma conduta ética, com temperança, coragem, justiça e prudência.

Por sugestão divina, o homem foi criado para o bem, força motriz que lhe proporciona plenitude.

O bem realiza nossos sentimentos de virtude, conjunto de princípios que nos mostram o que deve e não deve ser feito. A razão de ser de nossa existência como pessoa humana, está na perfeita identificação de nossos valores morais.

O homem de comportamento reto com a família, com a profissão, com a sociedade e com deus, é a síntese de toda evolução humana através dos tempos.

Não basta a harmonia social, se o homem não é feliz. Felicidade alcança o homem quando sua consciência o informa de estar vivendo dentro de bons preceitos, tornando-se fonte de vida e luz, iluminando não só os seus caminhos, mas toda sua existência.

Dominasse eu, a arte da retórica, pediria permissão aos ilustres homenageados para com a alma de joelhos a deus, a quem chamamos Grande Arquiteto do Universo, para com a força maior que brota do coração, dizer:

Pai nosso que estais no céu, de onde irradia a luz até a terra onde vive o homem da hora presente, angustiado e descrente, injustiçado, esmagado pelos escombros da esperança em realizar-se como espécime do gênero humano.

Abandonado nos corredores da violência e entregue à própria indigência a aviltar sua condição humana,

Santificado seja o vosso nome, como devem ser santificados todos os dias, daqueles que vivem o trágico drama de sua aventura na face da terra, para que possam um dia alcançar a dimensão de dignidade, do respeito e da realização pessoal,

Que se faça a vossa vontade agora e sempre, permita-nos irromper um vício ético, uma perturbante indignação com a violação dos direitos humanos e das liberdades, que possamos ouvir a voz das ruas e nos transformemos em síntese dos anseios de justiça social e cidadania,

Dá-nos o pão e o perdão das injustiças que praticamos e das nossas omissões.

Que saibamos, antes repartir o pão com nossos irmãos mais carentes e necessitados. Que possamos matar a fome e combater a miséria, garantir a saúde e preparar a felicidade de todos.

Que possamos decretar o fim do teatro de lágrimas das crianças com fome e os jovens arruinados pelo vício das drogas, que compromete seu futuro,

Faça-nos um instrumento de vossa vontade, a serviço de uma sociedade mais justa, nesta pátria tão amada do Brasil, não permita a aridez do egoísmo e da opressão a esse povo digno e honrado que a cada um chamamos de irmão, embala-nos com vosso cântico celestial e orienta nossos passos para a construção de um mundo melhor.

E para dizer Amém, deveremos fazer tudo isso agradecendo ao nosso criador, cada segundo da vida, como a maior dádiva que poderemos receber.

No entanto, senhor perdoa nossas imperfeições, pois só prometemos cumprir esses propósitos se estiveres sempre ao nosso lado.

Que assim seja.