Queridos
Acreditamos que a nossa Instituição tenha sido esboçada por observadores atentos, analistas profundos, edicadores de templos internos conscientes, que meditavam dominantemente, de modo a sobrepor a qualquer outro pensamento e objetivo a respeito de Deus, sobre a natureza, a alma do homem a cultura nosso espírito o enriquecimento do nosso ser. Por aquele que tratavam de descobrir a verdade e a justiça, em prol dos que carecem. Pelos que foram alvos e atingidos por ameaças, ataques, assaltos dos atingidos, dos corruptos, dos desmascarados, dos aproveitadores de boa fé. Pelos portadores de Pensamento crítico como Giordano Bruno. SDS fraternais tiberio sá maia

 

 


 

 


O pensamento crítico moderno, do qual Giordano Bruno é quase unanimemente considerado o fundador, dominava a indubitavelmente entre os fundadores da Grande Loja de Londres, e continuou a ser o ideal dos que procuraram as Lojas Maçônicas no século seguinte, especialmente na França.

Ambrósio Peters.


Giordano Bruno
Mártir do pensamento,
executado há 400 anos pela Inquisição



Rodrigo Garcia *



Digno representante do Renascimento, Giordano Bruno foi padre, cientista, místico, filósofo, poeta, astrônomo, autor de peças de teatro e, principalmente, um grande pensador.

Por pensar diferente da Igreja Católica - ele afirmava que Deus estava em todos os seres da natureza e que a Terra girava em torno do Sol, por exemplo - Bruno foi queimado numa fogueira pela Inquisição numa praça de Roma. O mundo inteiro celebrou o aniversário de 400 anos de execução desse homem que se tornou símbolo da luta pela liberdade de pensamento e de expressão.

Giordano Bruno nasceu em Nola, pequena cidade italiana perto de Nápoles, em 1548. Seu pai, o militar João Bruno, batizou o filho com o nome de Felipe. Aos 17 anos ele se tornou frade dominicano no Mosteiro de São Domingos, em Nápoles, e passou a chamar-se Giordano. Dez anos depois, em 1575, Bruno recebeu o título de doutor em teologia, dando início a uma brilhante carreira acadêmica.

Bruno foi muito influenciado pelo filósofo grego Platão e pelo pensador egípcio Hermes Trimegisto, bastante popular entre os eruditos do Renascimento. Entre tantas idéias, o pensador italiano defendia que o Universo era um sistema ilimitado em eterna transformação. "Não existem fins, termos, margens, muralhas que nos defraudem e roubem a infinita abundância das coisas", afirmava. Portanto a Terra não estava no centro do Universo. Para ele, no homem encontra-se o reflexo da plenitude e Deus não é o criador do Universo, mas o próprio Universo. Suas idéias influenciaram filósofos que viveram muitos anos depois, como o holandês Baruch Spinoza e o alemão Gottfried Leibniz.

Essas teses iam contra o pensamento dominante da época, o da Igreja Católica. Bruno foi forçado a abandonar a ordem dos dominicanos em 1575 e passou a lecionar em várias universidades da Europa: na Suíça (Genebra), na França (Paris), na Inglaterra (Londres e Oxford), na Alemanha (Frankfurt, Wittenberg e Helmstadt) e na República Checa (Praga). Bruno se aproximou do calvinismo e do luteranismo, mas também foi excomungado dessas duas religiões.

ADMIRADORES E INIMIGOS.

Nos intervalos das aulas, Bruno escreveu alguns de seus principais livros: Despacho da Besta Triunfante; a Ceia das Cinzas; As Sombras das Idéias; Cabala do Cavalo Pégaso e a sua obra-prima, Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos.

Em suas temporadas nesses centros de estudo, Bruno conquistava admiradores, mas também grandes inimigos. Ele se queixava: "Se eu manejasse um arado, pastoreasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia facilmente agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos."

No ano de 1591, o nobre veneziano Giovanni Mocenigo convidou Bruno para voltar à Itália e dar-lhe aulas de técnica de memorização, assunto sobre o qual o filósofo tinha realizado pesquisas. Confiando nas garantias de proteção dadas por Mocenigo, Bruno foi para Veneza. Mas seu aluno, insatisfeito com os resultados obtidos nas aulas, prendeu o filósofo e o entregou às autoridades eclesiásticas.

Bruno foi transferido para Roma em 1593, onde durante sete anos foi julgado por heresia e blasfêmia. Quando ouviu sua sentença de morte, Bruno declarou aos juízes: "Tendes mais medo em proferir a sentença contra mim do que eu em recebê-la".

Giordano Bruno foi queimado vivo em 17 de fevereiro de 1600 no Campo dei Fiori (Campo das Flores), no centro de Roma, onde no século 19 foi erguida uma estátua do filósofo.

Quatrocentos anos após a execução de Bruno, suas idéias continuam a provocar debates em universidades e em instituições religiosas. Mas ele nunca foi perdoado pela Igreja.

No começo do mês, o cardeal Paul Poupard disse que a Inquisição estava errada em executar Giordano Bruno, mas certa em rejeitar suas heresias.

GALILEU GALILEI ESCAPOU DA FOGUEIRA AO NEGAR QUE A TERRA GIRAVA EM TORNO DO SOL

O italiano Galileu Galilei, um dos maiores cientistas da Renascimento, também foi processado pela Inquisição. Mas, conseguiu escapar da pena máxima renegando suas idéias, entre as quais que a Terra girava em torno do Sol.

A Igreja defendia com vigor a teoria heliocêntrica, estabelecida pelo astrônomo egípcio Cláudio Ptolomeu, que viveu no século 2 depois de Cristo. Segundo ele, a Terra era o centro do Universo, ao redor da qual giravam os outros corpos celestes: o Sol, a Lua, planetas, estrelas. Para a Igreja, esse sistema, que teria fundamentos na Bíblia, confirmava que o homem, que seria imagem e semelhança de Deus, estava no centro do Universo.

Mas, em 1530, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico lançou a teoria heliocêntrica, segundo a qual o Sol seria o centro do Universo. As idéias dele, que morreu de causas naturais poucos anos depois de divulgá-las, abalou as comunidades científicas e religiosas. Giordano Bruno defendia o heliocentrismo. Galileu Galilei também concordava com o astrônomo polonês e atacava as supostas bases científicas da Bíblia. Para ele, as Sagradas Escrituras são "meramente alegóricas e não competentes para conclusões científicas".

BÍBLIA
O cientista afirmou: "As Sagradas Escrituras e a natureza vêm da palavra Divina. Mas, enquanto a Bíblia, acomodando-se à inteligência do comum dos homens, fala, na maioria dos casos e com razão, a partir das aparências, e emprega termos que não são destinados a expressar a verdade absoluta, a natureza se conforma, rigorosa e invariavelmente, às leis que lhe foram dadas. Não se pode, apelando aos textos das Escrituras, pôr em dúvida um resultado manifestamente adquirido por observações seguras e provas suficientes."

Em 1616, a Igreja reagiu e pôs no índex, lista de livros proibidos, a obra de Copérnico Sobre a Revolução dos Corpos Celestes. E em 1633 Galileu foi processado por heresia. No dia 22 de junho, ele renegou suas idéias. De joelhos e com a mão na Bíblia, Galileu afirmou: "Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias". Há versões, nunca confirmadas, que o cientista, logo após ter abjurado suas idéias, disse baixinho "Eppur si muove" (No entanto se move), referindo-se à Terra.

Para alguns a negação de Galileu foi uma prova de covardia, ele não teria tido a coragem de Giordano Bruno. Para outros, ela foi conseqüência de um pragmatismo inteligente, pois, evitando a morte, Galileu pôde continuar suas pesquisas científicas. Em 1992, o papa João Paulo II perdoou Galileu, afirmando que a perseguição ao cientista foi "o símbolo de uma pretensa recusa, da parte da Igreja, em aceitar o progresso científico".

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