MAÇONS
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O Zé dos Livros


 


Sexta-feira, 22 de maio de 2009
Postado por Carlos André Moreira
Recomendação do Irm Marcos Coimbra

 

 

 

Zé Rodrix era mais conhecido como músico — autor de pérolas de inspiração riponga que embalaram toda uma geração que abraçava a contracultura nos sofridos anos da ditadura — primeiro formando um trio com Sá e Guarabyra, depois em composições solo como Soy Latino Americano e Casa no Campo (aquela mesmo, a da "casa no campo" em que ele pudesse compor muitos "rocks rurais"). Mas em sua última década de vida Rodrix — que morreu na madrugada de hoje, aos 61 anos — entregou-se a outra atividade que exerceu com paixão, embora com pouca repercussão crítica até o momento (talvez até pelo exotismo do assunto que resolveu abordar).

Em 1999, lançou o primeiro romance de uma trilogia dedicada a recontar ficcionalmente a construção do Templo de Salomão, no ano 1000 a.C. (história que está na origem da Maçonaria, ao menos segundo a própria Maçonaria). O livro, Johaben: diário de um construtor do templo, conquistou o Prêmio Lima Barreto da União Brasileira de Escritores. Mais tarde, trouxe a público os demais volumes da saga, todos pela editora Record, Zorobabel: reconstruindo o Templo (2005) e Esquin de Floyrac: o fim do templo (2008) — esse último volume Zé Rodrix veio autografar na Feira do Livro do ano passado. E admitiu que mesmo com uma década de atividade literária, sua faceta de escritor ainda era pouco conhecida.

Filho e neto de maçons, Rodrix aproximou-se da sociedade secreta em 1991. Fascinado com as histórias que passou a colecionar, lançou-se aos livros e aos documentos. Estudou filosofia, grego, latim, hebraico, árabe, aramaico e francês arcaico para dar conta da trilogia que abarca mais de 20 séculos de história. Em Johaben, usando o ponto de vista de um personagem secundário, ele reproduziu a construção do templo de Jerusalém pelos arquitetos do rei Salomão, chefiados pelo mitológico Hiram Abbiff. Em Zorobabel, aborda a reconstrução do templo no período de esplendor do Império Persa dos governos de Ciro e Dario — em contraponto à decadência da conquistada Jerusalém (cujo templo havia sido pilhado pelas forças babilônicas de Nabucodonosor). Em Esquin de Floyrac, Rodrix dá um salto até a Idade Média e revisa, pela ótica de um traidor, as alianças entre os templários e os maçons durante os séculos 13 e 14. Entusiasmado com o novo ofício, Rodrix disse á reportagem de ZH na Feira, em novembro do ano passado, que lamentava ter descoberto tão tarde o quanto a literatura era uma prática prazerosa, principalmente em se tratando do tipo de livro que estava produzindo, romances históricos.

— A pesquisa é o trabalho mais divertido — ele disse ao editor de Zero Hora Eduardo Veras, enquanto passeava pela Praça da Alfândega relembrando também a Porto Alegre em que morou em 1969, com uma turma de hippies, fazendo teatro, tocando com a banda Liverpool ou trabalhando no gérmen do que seria o Segundo Caderno de ZH.





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