Maçons

 

 

 

 

 

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( * ) O Irm Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, era enforcado e esquartejado, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792 .
Obs do Irm Nataniel Ozedo

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Tiradentes


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Irm Marco Antonio Monteiro

 

 

 

 

Há (mais de) 216 anos, ( * ) em Ouro Preto, então Vila Rica, um grupo de brasileiros colocava em risco a vida, a liberdade individual, seus amores e seu patrimônio para defender a vida dos brasileiros, a liberdade coletiva, o patrimônio de toda uma nação e o amor por um país que ainda nem havia nascido.

Os inconfidentes das Minas Gerais foram traídos e foram vencidos.

Tiradentes, homenageado em 21 de abril, pagou por todos com sua vida e, como disse, pagaria com mais dez vidas se as tivesse.

Mas seus ideais não morreram e não foram vencidos.

Os ideais de liberdade, de igualdade e de fraternidade continuam a ser perseguidos pelos brasileiros e constituem o cerne das esperanças de todos nós.

A liberdade que se vê constantemente ameaçada pelos interesses internacionais, por líderes que tentam construir a grandeza de seus países à custa da liberdade e da autodeterminação de outras nações.

A igualdade que é recusada por regimes econômicos cruéis, desumanos, em que a exploração do homem pelo homem é aceita como normal e tolerável.

A fraternidade que é negada por filosofias, ideologias e preconceitos, que leva os seres humanos ao individualismo, ao endurecimento dos corações, à supervalorização dos próprios interesses.

Nós, aqueles para quem esses valores de liberdade, igualdade e fraternidade estão na base de nossa filosofia e para quem são muito mais que um dístico, mas uma escolha de forma de viver, temos a nos inspirar o exemplo da Inconfidência Mineira, em especial o de Tiradentes.

Infelizmente, sabemos que temos pela frente um trabalho árduo, pois que nossa Pátria continua, como no tempo de Tiradentes, a sofrer ameaças por todos aqueles cuja forma de agir e de pensar são desumanas e cruéis.

Temos liberdade. Mas nossa independência, tão querida por Tiradentes e seus companheiros de Inconfidência, ainda não se concretizou completamente, uma vez que a independência política não foi acompanhada pela independência econômica.

Nosso Brasil, que era colônia portuguesa, trocou essa dominação pela do imperialismo britânico, substituindo-o depois pelo capitalismo selvagem, hoje transmutado e disfarçado de globalização liberal.

A exploração física do ouro foi se transformando, assumindo outras faces, muito mais enganosas, que continuam dilapidando nossa economia em favor de outras mais fortes. Mais fortes, exatamente, por subtraírem a liberdade e solaparem economias em desenvolvimento, como a nossa.

Portanto, a luta de Tiradentes tem que continuar. E cabe a todos nós, a cada brasileiro, servir-se do exemplo de nosso herói nacional e continuar lutando, dando nossas vidas, uma, dez, mil, milhões, se necessário for, para conseguir que nossas riquezas sejam utilizadas em favor de nosso povo e de nossa terra.

Temos que continuar a luta contra as desigualdades.

A educação, a saúde, a habitação, o direito ao lazer e à felicidade, direitos básicos para o ser humano, ainda não são uma constante, nem estão ao alcance da maioria dos brasileiros.

Pelo contrário, com as agruras econômicas, as disparidades sociais se agravam e multiplicam. O fosso existente entre os mais pobres (que são quase todos) e os mais ricos (que são poucos, e cada vez em menor número) se alarga e aprofunda.

Há uma dívida social que aparenta ser impossível de ser paga. Mas não é assim, nem pode ser aceita dessa forma.

E essa é a luta pela igualdade. Igualdade de oportunidades. Igualdade para as chances de ser feliz. Igualdade entre sexos, entre seguidores de todas as religiões, entre classes sociais, entre pensamentos de todas as tendências.

Essa foi a luta de Tiradentes. Não podemos permitir que seu exemplo se perca e que sua morte tenha ocorrido em vão.

Fraternidade. Essa é, e tem que ser, a nossa meta.

Se conseguirmos sucesso em termos um Brasil efetivamente livre, se conseguirmos fazer de nossa terra um país de igualdade de oportunidades para todos, poderemos então termos um povo de fato fraterno, em que as individualidades sejam preservadas e respeitadas, mas onde o individualismo não tenha mais lugar.

Que tiradentes seja o espelho para todos os brasileiros.

Que a homenagem que anualmente se-lhe renova não se limite ao culto do que foi heróico no passado, mas na inspiração para o presente e para o futuro.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade, abram suas asas sobre nós!