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Irm Marco Antonio Monteiro
Há (mais de) 216 anos, ( * ) em Ouro Preto, então
Vila Rica, um grupo de brasileiros colocava em risco a vida, a liberdade
individual, seus amores e seu patrimônio para defender a vida
dos brasileiros, a liberdade coletiva, o patrimônio de toda
uma nação e o amor por um país que ainda nem
havia nascido.
Os inconfidentes das Minas Gerais foram traídos e foram vencidos.
Tiradentes, homenageado em 21 de abril, pagou por todos com sua
vida e, como disse, pagaria com mais dez vidas se as tivesse.
Mas seus ideais não morreram e não foram vencidos.
Os ideais de liberdade, de igualdade e de fraternidade continuam
a ser perseguidos pelos brasileiros e constituem o cerne das esperanças
de todos nós.
A liberdade que se vê constantemente ameaçada pelos
interesses internacionais, por líderes que tentam construir
a grandeza de seus países à custa da liberdade e da
autodeterminação de outras nações.
A igualdade que é recusada por regimes econômicos cruéis,
desumanos, em que a exploração do homem pelo homem
é aceita como normal e tolerável.
A fraternidade que é negada por filosofias, ideologias e
preconceitos, que leva os seres humanos ao individualismo, ao endurecimento
dos corações, à supervalorização
dos próprios interesses.
Nós, aqueles para quem esses valores de liberdade, igualdade
e fraternidade estão na base de nossa filosofia e para quem
são muito mais que um dístico, mas uma escolha de
forma de viver, temos a nos inspirar o exemplo da Inconfidência
Mineira, em especial o de Tiradentes.
Infelizmente, sabemos que temos pela frente um trabalho árduo,
pois que nossa Pátria continua, como no tempo de Tiradentes,
a sofrer ameaças por todos aqueles cuja forma de agir e de
pensar são desumanas e cruéis.
Temos liberdade. Mas nossa independência, tão querida
por Tiradentes e seus companheiros de Inconfidência, ainda
não se concretizou completamente, uma vez que a independência
política não foi acompanhada pela independência
econômica.
Nosso Brasil, que era colônia portuguesa, trocou essa dominação
pela do imperialismo britânico, substituindo-o depois pelo
capitalismo selvagem, hoje transmutado e disfarçado de globalização
liberal.
A exploração física do ouro foi se transformando,
assumindo outras faces, muito mais enganosas, que continuam dilapidando
nossa economia em favor de outras mais fortes. Mais fortes, exatamente,
por subtraírem a liberdade e solaparem economias em desenvolvimento,
como a nossa.
Portanto, a luta de Tiradentes tem que continuar. E cabe a todos
nós, a cada brasileiro, servir-se do exemplo de nosso herói
nacional e continuar lutando, dando nossas vidas, uma, dez, mil,
milhões, se necessário for, para conseguir que nossas
riquezas sejam utilizadas em favor de nosso povo e de nossa terra.
Temos que continuar a luta contra as desigualdades.
A educação, a saúde, a habitação,
o direito ao lazer e à felicidade, direitos básicos
para o ser humano, ainda não são uma constante, nem
estão ao alcance da maioria dos brasileiros.
Pelo contrário, com as agruras econômicas, as disparidades
sociais se agravam e multiplicam. O fosso existente entre os mais
pobres (que são quase todos) e os mais ricos (que são
poucos, e cada vez em menor número) se alarga e aprofunda.
Há uma dívida social que aparenta ser impossível
de ser paga. Mas não é assim, nem pode ser aceita
dessa forma.
E essa é a luta pela igualdade. Igualdade de oportunidades.
Igualdade para as chances de ser feliz. Igualdade entre sexos, entre
seguidores de todas as religiões, entre classes sociais,
entre pensamentos de todas as tendências.
Essa foi a luta de Tiradentes. Não podemos permitir que seu
exemplo se perca e que sua morte tenha ocorrido em vão.
Fraternidade. Essa é, e tem que ser, a nossa meta.
Se conseguirmos sucesso em termos um Brasil efetivamente livre,
se conseguirmos fazer de nossa terra um país de igualdade
de oportunidades para todos, poderemos então termos um povo
de fato fraterno, em que as individualidades sejam preservadas e
respeitadas, mas onde o individualismo não tenha mais lugar.
Que tiradentes seja o espelho para todos os brasileiros.
Que a homenagem que anualmente se-lhe renova não se limite
ao culto do que foi heróico no passado, mas na inspiração
para o presente e para o futuro.
Liberdade, Igualdade e Fraternidade, abram suas asas sobre nós! |