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Lojas Universitárias
Debate

 


From: RICARDO POLLINI


Objeto: Noticias/ Opine & Lojas Universitárias

Meu nobre Irmão Maia,
Tenho acompanhado a criação de Lojas Universitárias aqui em Uberlândia (MG), e na região com um pouco de preocupação. Indago: Não seria melhor colocarmos os jovens ao nosso lado, nas Lojas tradicionais para que aprendesem conosco, da mesma forma que estaríamos aprendendo com eles? Porque criar Lojas Universitárias se todos somos homens/maçons e iremos partilhar de mesma Instituiçãos, dos mesmos segredos, etc. Vejo, s.m.j., com reserva a fundação de Lojas Universitárias, pois parece-me que estamos separando o Filho do Pai e criando uma discriminação entre nossas famílias maçônicas. Não vejo sentido, nem mesmo necesidade. Os jovens podem conviver nas Lojas com os mais velhos sem qualquer conflito de geração, aliás isso seria mais sadio, já que somos uma família.  
Deveria-se fazer um levantamento dos jovens que ingressam nas Lojas Universitárias para se saber quantos deles permanecem nas Lojas depois de formarem-se em suas Universidades, pois, sem culpa, uma boa parte deles após formarem-se iniciam um novo desafio na vida que é o de seguir a carreira, trabalhar, formar família, alem de que, muitos mudam de Oriente, e por aí diante. Com isso, naturalmente a frequência na Loja passa a ser mais difícil e muitos deles, até mesmo acabam pedindo o quit placet. Creio que com esses jovens ao nosso lado, em nossas Lojas, teríamos como partilhar mais conhecimentos e fazer trocas de experiência. Com estaríamos obtendo um crescimento unido e mais alicerçado de nossa Ordem.    
Meu fraternal abraço a todos.
Ricardo  A. Pollini
Venerável Mestre
ARLS Fraternidade Sertaneja 3527
Or de Uberlândia (MG)



Tendo em vista o recebimento dessas opiniões ponderadas e distintas do querido Irm RICARDO POLLINI enviei a sua mensagem para três Pod Manos pelo fato de distinguir neles, pessoas de conhecimento e vivência sobre o tema. Tanto que um deles serviu-me de guia nessa senda. E os demais foram criadores e instaladores da Loja Universitária Livres Pensadores. Alem de submeter o assunto ao crivo do meus VM que, por sinal, preside uma loja universtária. Tenho esperança de que esse debate virá para trazer alguma luz em prol da nossa grande família.

Infelizmente a troca de opiniões não cabe numa mesma pagina e deverá conter por partes o assunto.

No ano de 2004 tive a alegria de escrever sobre essa matéria. Ocorre que coloquei dados estatísticos que estão bem superados. Porém traz o meu pensamento sobre esse tipo de Loja Maçocnica. Clique no logotipo a seguir

sim

Sds Fraternais
tibério sá maia

Mensagem do Irm João Correia Filho.
Or. de Brasilia - Grão Mestre de Honra do DFederal. Fundador da ARLS "Universitária - Verdade e Evolução" - jurisdicionada ao Grande Oriente do Distrito Federal e Federada ao Grande Oriente do Brasil - Fundada em 22 de Março de 2003 - Reuniões aos sábados (alternados) das 17;00 às 19;00 h.


Caro Irmão Tibério,

  Agradeço a oportunidade que me dá para contestar mais um Irmãos que com sofisma, tenta caracterizar a desnecessidade das Lojas Universitárias.  O Irmão Pollini, com todo respeito que de mim merece, parte sua critica da afirmação, sem antes deixar explicita sua preocupação com o soerguimento das Lojas Universitárias, indagando se melhor não seria iniciar os universitários nas Loja tradicionais. Aqui comete um grande equivoco. As Lojas Universitárias não são somente para o corpo docente universitário, mas, também para o corpo discente, criando-se com isto um núcleo discussão em elevado nível, onde se procura ser difusor do pensamento maçônico, com a crítica cientifica sobre os andamentos da Ordem. 

 Outro ponto argüido pelo Irmão é "a separação dos pais dos filhos". Isto não acontece. Numa Loja tradicional é difícil a discussão dos assuntos maçônicos para o jovem que ali ingressa.  Tiro como exemplo o meu próprio caso.  Sou Neto e filho de Maçom. Na minha Loja 7 de Setembro VII, quando iniciei tinhas além de meu pai, um tio com 04 filhos (meus primos em primeiro grau); meu sogro e alguns Irmãos de parentesco próximo.  Eu me iniciei aos 22 anos, fazendo, ainda, o meu bacharelado.  Quando apresentei o trabalho para aumento de salário, foi um escândalo.  Porque ousei falar da lenda do terceiro grau, ainda como aprendiz, por acaso numa sessão que contava com a presença de candidatos ao Grão-Mestrado, o tema do  trabalho, escolhido por mim (era de livre escolha) foi: O Verbo e o Tempo.  Partindo de João 1.1 até os nossos dias, abordando o conceito de "Deus". Isto, um exemplo, só para esclarecer. 

   A Maçonaria doutrinariamente tem nivelado o conhecimento por baixo no sentido de acolher todo aquele que tenha discernimento a fim de entender suas metas ou postulações, só que utilizamos para aplicar a nossa doutrina, padrões do século XVII e XVIII.  Daí vem a dificuldade dos jovens universitários navegar nas águas rasas da filosofia ministrada nas Lojas, porquanto, ali tudo é superficial, em regra.  O jovem universitário foi no passado, é no presente, e será no futuro, os Grandes nomes das transformações sociais, diga-se construção de novos parâmetros sociais.  Neles encontramos a chama da ousadia, da paixão desmesurada; e da arrogante sabedoria de sua cultura, e são estes os quesitos necessários a formulação de uma ação estratégicas capaz de transformar a sociedade, em base de uma sólida doutrina.

   O que fizemos partir da República.  Quase nada !!!  não ser algumas meritórias obras assistencialistas.  Pelo exposto, para fechar esta questão: as Lojas tradicionais podem iniciar, de acordo com sua vontade, estudantes e docentes Universitários, mesmo tendo no Oriente uma Loja Universitária; 2) Formado o Universitário ele está culturalmente capacitado para compreender a evolução do pensamento humano; e concluído o simbolismo, apto a ingressar em qualquer loja que lhe prover, por filiação, para ser construtor dos conhecimentos maçônicos; portanto, é função das lojas Universitárias formar doutrinadores, historiógrafos, pesquisadores maçons para distribuir e difundir Luzes para as demais Lojas 
 3) o jovem será sempre um o vetor de envolvimento com as grandes causas da Ordem (interna e externamente) e têm o talento, a coragem e a audácia para enfrentar, se necessário, as situações que nos desafiarem.

   Outro aspecto o considerado pelo Poderoso Irmão Polinni, é a questão da convivência fraternal, com os pais e com a família maçônica.  A Loja Universitária ao invés de desagregar a Ordem, ela une as Lojas tradicionais em torno dela. O filho, objeto de orgulho do pai, é sempre uma motivação para estarem juntos, e todo o evento social envolvendo uma Loja Universitária, congrega em si as demais Lojas e suas famílias.  Não vamos, na Loja Universitária, somente ensinar e aprender, as palavras, sinais e toques. Vamos debater os grandes temas.  Vamos ficar livres de assuntos esteires: se ajuda uma instituição ou uma pessoa, pois, o propósito dela é o estudo em elevado nível. 

   Um aspecto que temos a considerar que não foi levantado pelo Poderoso Irmão Polinni é o envelhecimento da população maçônica.  Nós criávamos o Lowton de uma Sessão na vida, pois, após a cerimônia nada acontecia. Abriram-se as portas para eles, quando a maioridade era de 21, para iniciar aos 18, o que quase sempre não ocorre. Criamos esta dicotomia de ser Lowton para se tornar (meio) maçom aos 18 anos. Por outro lado,. a Ordem DeMolay com características iniciaticas, induziu a necessidade de buscar, para os Senior, com mais de 21 anos de idade, que praticamente são expurgados daquela Ordem, e as Lojas Universitárias é um porto seguros para esses jovens, pois, lhes oferece um ambiente iniciático maçônico.

   Tenho assistido muitas iniciações de sobrinhos, mas, não tantas como penso que poderia ser e andei conversando com alguns Irmãos (pais ) e percebi que a maioria desses pais não estão dispostos a apresentar os seus filhos para ingresso na Ordem, ainda jovem.  Quase todos alegaram falta de amadurecimento, que devem se preocupar com os estudos; ou que devem levar a sério a questão do emprego ou da carreira.  Em síntese: não está na hora de apresentar o filho. Os que são iniciados, em geral, são apresentados por outros Irmãos, os quais vêem nos sobrinhos potencial maçônico e, a revelia dos pais, os apresentam à Ordem.  Mas, isto é uma parcela ínfima de Irmãos com este comportamento.  O que acontece, em regra, e de se esperar que o sobrinho constitua família, crie e eduque sua prole, aí já dentro da idade dos "entas" se iniciem maçom, sem mais com o ímpeto progressista e inovador, do bom pesquisador, sem o ânimo da sua juventude

    Nossa população no GOB vinha reduzindo e envelhecendo até o final dos anos 90, veio tomar força e vigor, já neste século. Uma média etária de
50 anos no final do século, elevou-se em 2007 para 57 (anos).  É objetivo da maçonaria, sem dúvida, crescer e renovar.  Cresce em quantitativa e qualitativamente. Renovar com o rejuvenescimento dos quadros de obreiros.

    Quanto a evasão nas Lojas Universitárias, não posso dizer se há ou não. Mas, em breve tarei um estudo sobre o assunto. É importante esta pesquisa, Mas, usemos o que temos Como disse, eu não posso contestar com a absoluta certeza, mas posso afiançar que a evasão nas Lojas Universitárias é menor que nas Lojas Tradicionais, a ter por exemplo as Lojas Universitárias do DF, as quais acompanho de longe os seus acontecimentos.

     Vão aqui alguns dados, retirados os Relatórios de Gestão do GOB, que podem ser úteis:

 

   A N O.    Nº DE IRMÃOS.     MÉDIA ETÁRIA.
   
    2001 .........  51.758 ........ s/informação
    2002 .........  54.797 ...........  50 anos
    2003 .........  54.843 ......   s/informação
    2004 .........  56.612  ......  s/informação
    2005 .........  58.466 ...........  51 anos
    2006 .........  60.979 ............ 51 anos
    2007 .........  63.842 ...........  57 anos

 

   Os dados acima nos mostram que estamos envelhecendo, embora, crescendo o quantitativo de 54.797 Irmãos em 2002 chegamos em 2007 com o total de 63.843 e, ainda, respectivamente uma média etária de 50 para 57 anos. Crescemos envelhecendo, como toda a sociedade brasileira. Temos hoje mais velhos do que tínhamos 10, 15 ou 20 anos.  Se comparamos estes dados de crescimento do GOB com o crescimento da população brasileira, chegaremos a conclusão de que estamos de "fusquinha" em prova de Formula 1.  
   Interessante é de se observar no Relatório de 2006 a composição das faixas etárias. De: 18 a 29 anos, temos 3,44%  e de 80 a 89 anos temos 2,48%; e igual o maior de 90 anos temos 0,41%.  Mas, se juntarmos a duas últimas faixas teremos 2,89% contra 3,44% da primeira. Aqui não temos espaço para discutir esses dados, mas afianço-lhes que os Estados que têm maior número de obreiro na faixa de 18 a 29 anos, foram os Estados que floresceram as Lojas Universitárias.

   Temos que crescer quantitativa, qualitativa e nas faixas etárias menores idades, para que o peso das idades mais avançadas não deixe transparecer que somos um agrupamento de velhinhos, com todas as suas implicações.
 
Além disso temos que atentar para o tempo de atividade, que se deve exercer a bem da Ordem.  Iniciarmos um Irmão que com 5 ou menos anos de atividade maçônica seja considerado remido é ir na contra-mão História. As Instituições necessitam de membros que lhes dêem retorno com serviços prestados pelo tempo mais longo possível. Assim deveria haver uma idade limite para o ingresso na Ordem.

   Meus Poderosos Irmãos Tibério e Pollini, a questão é uma paixão que tenho pela Ordem, que me leva a escrever o que sai do pensamento, sem rascunho, sem medir palavras, mas, para deixar latente o que penso.  Se isto for uma virtude, eu tenho este defeito, pois, muitas vezes magoou, aqui e acolá um ou outro irmão. Porém tenho um segundo defeito, não guardo raiva, quando me chateiam ou me magoam, se isto é defeito e tenho esta virtude.

   Na esperança de ter defendido a razão da existências das Lojas Universitárias, subscrevo-me fraternalmente
 
         João Correia Filho

Mensagem do Irm Arabutan Marinho
Or. de Campo Grande - MS - Integrante do Grão-Mestrado do Grande Oriente de MS. Fundador da ARLS Universitária Dos Livres Pensadores
Rito Francês - Fundada em 14/Julho/2006
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Caro Irm Tibério,
          
           EM DEFESA DAS LOJAS UNIVERSITÁRIAS

          A opinião do Ir.'. Ricardo Pollini é de uma forma isolada e indica o desconhecimento do verdadeiro sentido da criação e ou existência de uma Loja Universitária. Sou pai (66 anos) de 3 universitários e um deles é justamente Ven.'. M.'. de nossa Loja Universitária dos Livres Pensadores.

          A dificuldade que a maioria dos nossos IIr.'. apresenta, quando encara um fato novo é aceitá-lo e criar a devida inserção dos pensamentos maçônicos junto aos seus objetivos e permeabilidade no meio social dito, por nós, profano.

          A Maçonaria rejeita, atualmente, ainda muitos fatos e realidades novas se colocando, muitas vezes, como uma instituição anacrônica e divorciada das vertentes contemporâneas da sociedade em que está inserida, agindo na contramão dos meios de comunicação em nome de uma pseudoproteção, mas se esquece que está exposta nas informações contidas em diversas obras que ampliam o desejo e necessidade dos profanos (em particular os universitários - pesquisadores e estudiosos por excelência) em conhecerem nossa filosofia, hoje somente discreta e teimosamente contrária a qualquer avaliação mais profunda na sua proposta.

          Quanto a idéia de separar o filho do pai, como diz o articulista, é uma concepção distorcida senão piegas, pois as Lojas Universitárias normalmente são fundadas por IIr.'. experientes e com um bom tempo de maçonaria. Tutelam os passos iniciais dos universitários que nela ingressam e, aliás, em nossa Loja, pelo menos, há vários pais universitários. E, à distância que porventura se possa sentir, não é de uma "separação familiar" (já que os princípios doutrinários são os mesmos de uma Loja normal) e sim uma questão de mentalidade e visão mais aberta à pesquisa e discussões produtivas sobre a formação e atuação do homem-maçom, dentro de uma afinidade natural de seus membros universitários. É uma vivência e experiência altamente salutar para nós, mais antigos.

           O que se pretende com uma Loja Universitária, caro Ir.'., é aproveitar a mentalidade contemporânea portada pelos universitários e possibilitar, através de um ensino mais condizente, uma releitura quanto ao papel da atual prática maçônica junto à sociedade de um modo geral. É fato a ausência da Maçonaria nas iniciativas de agregar ajuda, sem ser a pontual, aos problemas que afligem os brasileiros sejam eles de ordem política, educacional ou social -  nossa atuação e ou participação é pálida e está distante dos tempos dos heróis maçônicos que construíram a cama onde, hoje, dormimos e só posso dizer que não podemos é ficarmos nela "deitados eternamente". A vacina do sangue novo que sacode o jugo das mórbidas idolatrias, conforme JOSÉ INGENIEROS, realmente abala o arcabouço mental de quem tem dificuldades em acompanhar o avanço cultural e educacional que as instituições e os meios de comunicação oferecem como laboratórios onde são preparadas as novas mentalidades que irão, indubitavelmente, nos suceder. 

           Caberia, sobre o título, ainda uma discussão mais aprofundada apresentando uma série de argumentos favoráveis a criação de Lojas Universitárias, mas o espaço não permite e obriga que me coloque a disposição para qualquer Ir.'. que desejar voltar ao assunto.
           Do Irm.'. Arabutan A. Marinho