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AS LOJAS EGÍPCIAS


 

Irm.·. José Carlos Ribeiro M.·.I.·.
Campo Grande, 25 de novembro de 1996.

                   

Segundo, Charles Leadbeater, havia no Antigo Egito, três Grandes Lojas de Amon, cada uma das quais estava estritamente limitada a quarenta membros, todos eles como partes igualmente necessárias do mecanismo, inclusive os oficiais, cuja função era a recitação do ofício e a magnetização da Loja. Cada membro representava uma qualidade particular, um era chamado o Cavalheiro do Amor, outro o Cavalheiro da Verdade, outro o Cavalheiro da Perseverança, Cavalheiro da Fraternidade, e assim sucessivamente, de maneira que cada um deles se supunha capaz de ser, em pensamento, palavra e obra, uma perfeita expressão da qualidade por ele representada. A idéia consistia em que as quarenta qualidade assim manifestadas, no conjunto da Loja assim representava o caráter do homem perfeito, uma espécie de homem celeste, por cujo meio poderia derramar-se a energia divina por todo o país.

Estas três Lojas funcionavam em três distintos tipos de Mistérios, dos quais somente um chegou até nós. O Mestre da primeira Loja simbolizava a Sabedoria e seus dois Vigilantes, A Força e a Beleza, como hoje. A predominante energia infundida era a da Sabedoria, equivalente ao perfeito amor, qualidade que, realmente é a mais necessária no mundo de nosso tempo. O mestre da segunda Loja simbolizava a Força, e seus Vigilantes, a Sabedoria e a Beleza, de sorte que a força do primeiro aspecto da Trindade era a qualidade predominante da Loja. O Mestre da terceira Loja representava a Beleza e os vigilantes a Sabedora e a Força, assim subordinadas à Beleza, o aspecto predominante da característica da Loja.

Como todos os assistentes tinham que executar sua parte na construção da forma, eram absolutamente necessárias a exata cooperação e perfeita Harmonia. De sorte que, só os capazes de se esquecerem por completo de si mesmos, na magna obra, eram escolhidos dentro do quadro, para fazer parte de uma das Grandes Lojas, cujo poder era tal que invadia todo o país com a sua influência. A mais leve mancha no caráter de um dos quarenta membros, teria debilitado consideravelmente a forma que servia de instrumento à obra.
Uma reminiscência, talvez, desta suprema necessidade é a regra atual que se dois Irmãos estão inimizados, não podem cingir o avental enquanto não houverem ajustado amistosamente suas diferenças. Ou seja, não poderiam freqüentar aos trabalhos ritualísticos, para não desarmonizarem a Loja.

No Antigo Egito, havia entre os membros de uma Loja tão intenso sentimento de fraternidade, que hoje raras vezes se alcança. Consideravam-se ligados por laços sacratíssimos. Não só como peças de um mesmo mecanismo, mas como efetivo operário da Obra Divina.
O Ritual executivo nas três Lojas se chamava: A Construção do Templo de Amon. Celebrou-se este Ritual por milhares de anos. Enquanto o Egito foi uma poderosa nação; mas chegou o tempo em que os   Egos mais adiantados, na evolução, se encarnaram, em novas nações, onde, como em diferentes classes da escola do mundo, pudessem aprender novas lições. Então ficou abandonada esta parte dos antigos Mistérios "Maçônicos", e a civilização Egípcia foi se degenerando, em formalismo, porque era palco de atividades de seres menos evoluídos.

Espalhadas por todo o país, um grande número de outras Lojas, mais parecidas com as dos tempos atuais, com a missão de preparar seus membros para misteres mais altos e para dar-lhes ampla educação. O propósito era o mesmo dos mistérios em todas as partes, ou seja, oferecer aos adultos um sistema definitivo de cultura e educação, tal qual se faz em nossos Templos, porque predomina a estranha crença de que a educação do homem termina no colégio ou na universidade.
Nas Lojas comuns, os obreiros, tomavam parte na obra e o trabalho dos que ocupavam as colunas era considerado mais árduo que o dos oficiais. Tinham que executar com exatidão suas obras e os oficiais haviam de se valer do poder de seu pensamentos e de emitir correntes mentais para que a obra sempre fosse executada com zelo. Se o pensamento de algum membro era ineficaz, prejudicava uma parte do edifício mental. Como o Venerável Mestre da Loja era, comumente, um sacerdote clarividente, podia ver donde se originava o defeito e mantinha, estritamente a Loja no devido nível. Estas Lojas também cooperavam na magna obra de distribuição de energias, ainda que em muito menor grau que as Grandes Lojas às quais estavam especialmente confiada. Sem um propósito idêntico a este, tornou-se incompreensível nosso grande esforço Maçônico.

Em todas as nossas Lojas Maçônicas, segundo Leadbeater, temos um formoso cerimonial de abertura, cheio de profundo significado simbólico, o qual, quando se compreende, denota não ser um mero formalismo, mas uma evocação admiravelmente eficaz que atrai várias entidades, em nosso auxílio e prepara os meios de prestar um serviço positivo a humanidade. Contudo, depois da abertura da Loja e de feitos todos os preparativos, fechamos em seguida, a menos que haja alguma iniciação ou exaltação, ou alguma conferência para dar aos Irmãos do quadro. Certamente tão formosa preparação ritualística devia produzir algum resultado positivo e concreto, uma obra benéfica para a humanidade.

Não há razão para que em nossos dias deixarmos de fazer com o Ritual tanto quanto os Antigos Egípcios fizeram. Qualquer efeito ou inconveniente com que deparamos, não provem do mundo profano, mas de que os Irmãos não atentam para a gravidade da obra empreendida ou não consegue elevar-se ao grau de altruísmo que se necessita para assegurar a assistência regular a Loja em serviço da humanidade. No Egito Antigo todos os obreiros se consideravam honradíssimos de pertencer ao quadro, e era para eles o mais valioso benefício e gozo de sua vida, de sorte sempre assistir e participar assiduamente.

A recordação da maneira como se trabalhava maçonicamente nos antigos tempos, nos pode ser útil sob vários aspectos, porque aqueles adeptos praticavam as cerimônias com inteiro conhecimento de seu significado, e portanto, os pontos a que davam maior importância também a podem ter para nós, atualmente.

Consideravam o seu Templo tanto quanto o mais fervoroso cristão considera a sua Igreja Paroquial, ainda que a atitude dos primeiros derive do conhecimento, mais do que sentimento emocional. Sabiam que o Templo estava poderosamente magnetizado, e que era preciso o máximo cuidado para conservar o pleno vigor desse magnetismo. Falar dentro do templo sobre coisas profanas teria sido considerado sacrilégio, pois seguramente acarretaria perturbadoras influências.

Estes assuntos eram tratados numa sala especialmente para isto, a ante-sala, onde trocamos as indumentárias, e vestimos nosso ser de altruísmo e energias positivas para podermos adentarmos no Templo da virtude e elevadas emoções. Que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e guarde.
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