Ref. Eleições de Ficção
do Mano Marcos Coimbra
Querido Irmão Tibério,
Faço há anos esta reflexão que o meu dileto Irmão Marcos Coimbra acaba de nos brindar, mas não tive a coragem precisa para colocá-las no papel. Parabéns Irmãos Marcos e Tibério por levantar estas questões.
O que acontece de fato é uma cumplicidade entre os poderosos (donos do Poder) e a vassalagem (eleitores), em um conceito próximo ao servilismo. Tudo bem, vota-se hoje e daqui a quatros, novamente. E de dois em dois anos (municipais e federais) se arma o Circo da Democracia.
Continuam os analfabetos votando e sem a oportunidade de serem alfabetizados. Imito, agora, o Senador Cristóvão Buarque: que democracia é esta? O voto continua obrigatório, mas sem direito de escolha dos candidatos. Por que não eleições majoritárias para todos os cargos políticos? Aí sim! Chegaríamos pela via indireta ao voto distrital. Assim, o povo estaria escolhendo o candidato, pois, os partidos são todos iguais, e não vence o capital. Tivemos um Deputado Federal eleito pelo Estado de São Paulo (maior colégio eleitoral do país) sem se quer ter ido a São Paulo.
Foi guindado nas barbas do Enéas. Horário eleitoral para que? Para beneficiar aqueles que estão no Poder? Aliás, você já ouviu a proposta de algum candidato para o seu município - a base do Estado - onde o fenômeno do fato político ocorre. Você vê: a fotografia do candidato; e quando muito os chavões: pela educação; pela segurança; pela saúde; e pelo transporte.
Poucos se aventuram: pela moralidade; pela ética; pelo fim do nepotismo; pelo concurso público para os cargos públicos (faço questão de ser repetitivo); pela nomeação para os cargos de direção e assessoramento de funcionários públicos "concursados", pois, são eles que administram de fato o município, deixando para o Prefeito e Vereadores a decisão política do que fazer.
Hoje, o TSE veicula na TV propaganda pela valorização do voto chamando o eleitor a rever o que fez seu candidato nos últimos quatro anos. O efeito dessa propaganda, paga pelos cofres públicos, portanto, com o meu dinheiro, pois, sou compulsoriamente contribuinte, é insignificante. A inteligência do seu criador está muito além da média a quem a propaganda se destina.
Comparar a aparição do Halley (oportunidade única) com a qualidade do voto é exigir demais de uma clientela que, se escreve, não entende o que lê. Estamos cheios de analfabetos funcionais, rol em que me incluo. Além disso, esta propaganda oficial ocorrer nos intervalos comerciais, momento raro para os diálogos, em família; ou monologo dos pais para com os filhos e vice-versa, sendo mais importante buscar alguma coisa na geladeira ou ir ao banheiro com o tempo de voltar e assistir a programação normal.
Mais como concertar isto? O caminho é um só: EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL. Criaremos cidadão e não eleitores. Daremos, com a educação integral, um chute na violência, pois, tiraremos os "aviõezinhos" das ruas. Reduziremos o número de enfermos, pois, a infância será melhor alimentada e terá acompanhamento das vacinações contra epidemias. Daremos maior oportunidade e tranqüilidade aos pais para irem trabalhar; e em conseqüência melhorar a qualidade de vida, gerando riqueza, com novas ambições de consumo, quer de bens duráveis e quer da melhoria de suas residências.
EDUCAR é o caminho, pois, não teremos analfabetos políticos (aquele que não liga para o que está acontecendo em sua volta e em seu país) e sim cidadãos esclarecidos. Pergunto então: quem se interessa por isto?
João Correia Silva Filho
Grão-Mestre de Honra do GODF |