Portal Maçônico
Samaúma


 

 




* João Correia Filho
é Grão-Mestre de Honra do GOB-DF e um dos grandes incentivadores das Lojas Universitárias do GOB

 

* * D Pedro I percebeu a necessidade de que os assuntos políticos de qualquer amplitude, dentro das Lojas fossem tratados com extrema reserva, embora não tenha proibido.
Do Editor

* * * Durante o Estado Novo, houve infiltração de pessoas ligadas a Getúlio Vargas com o propósito de analisar a posição da Ordem em relação ao Governo. O próprio Anjo Negro - Gregorio Fortunato e David Nasser reporter de "O Cruzeiro"



 

Não aprendemos nas Lojas,
não sabemos agir em sociedade.

 

João Correia Filho *

 

Caro Mano Tibério:

Nós Maçons temos desejos e opiniões, porém, temos os nossos óbices:

a) confusão do conceito de "política" e partidarismo\ideológico;
b) a proibição feita durante a 1ª Republica (República dos Coronéis) em que o Soberano Grão-Mestre proibiu a discussão política nas Lojas e arrastou com ela a discussão dos problemas nacionais; **
c) o terror imposto (veladamente) pelo Estado Novo e a Revolução de 64, que quebrou o laço de confiança entre os Irmãos com a presença de delatores, entre nós;*** e, finalmente,
d) a troca de uma Ordem socialmente efetiva (formada por uma elite intelectual, cultural, econômica e política) como "corpo de obreiros" por uma Ordem Templária encrespada de misticismos e simbolismos, que privilegia o quantitativo, cuja ação exterior se limita a benemerência de qualidade,  muitas vezes,  desejável.    Essa opção pelo quantitativo foi válida, em um determinado momento histórico. 

Não é mais agora!   A vez é da: quantidade qualitativa.   Caso continuemos no modelo atual em que um percentual considerado de Irmãos, embora galgados aos mais elevados graus e posições, não sabe o que é a sua missão na atualidade: ser construtor social. 

Quem não tem, não pode dar! Como não aprendemos nas Lojas, não sabemos como agir na sociedade!  O que são, em geral, os nossos "tempo de estudos":  - simplesmente cópias de artigos sobre simbolismo maçônico ou leitura do ritual.  Tudo sem uma crítica ou debate mais aprofundado sobre o tema.   Temos Lojas em quase todos os Municípios Brasileiro, estima-se próximo a 3 mil, quantas discutem os Orçamentos de suas localidades?   Quantas fazem esclarecimentos à população sobre o que está ocorrendo?  Exemplo: o plebiscito do desarmamento! Quantas Lojas possui um jornal ou uma rádio comunitária?   

         O Poderoso Irmão tem razão quando diz que "não nos falta nada", pois, o que não teve não sente falta de nada.  Por isto, estamos estarrecidos!   Falta-nos objetivo delineado, claro e preciso.  Falta-nos sinceridade e coragem para defender as nossas idéias!   E quando alguém faz isto: ah!  é vaiado!   Não falta caráter ou índole ao Maçom Brasileiro!  Falta-lhe rumo e direcionamento.   Enquanto, ele estiver discutindo em Loja o preço do ingresso para a feijoada, estará perdendo o "trem" da história.  Falta-lhe o sentimento de grandiosidade e de desafio. Enquanto estiver regozijando-se dos heróis do passado e de seus feitos, faltar-lhe-á disposição para o trabalho atual e, seremos, por isto, um hiato na história pátria, pois, já completou um centenário, o nosso último feito: a república. 

        Temos que refletir, repensar e re alinhar a Ordem.  Sei e tenho esperança nisto, vez que a "internet" tem sido um instrumento bom e adequado para implantar e trocar idéias sobre os diversos temas, talvez, seja este o caminho: a re-iniciação política-filosófica dos maçons (política de P maiúsculo - da grande política) para torná-los participe da sociedade e não mais um membro de nossa honrada e respeitável instituição.

Fraternalmente,
                                                    João Correia Filho