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Irm Geraldo Mendes dos Santos *
Os princípios que norteiam a vida maçônica são simples e todo cidadão é capaz de compreendê-los, bastando para isso bom senso e interesse. Aqui, apresento esses princípios, de maneira resumida, destacando as idéias-chave para facilitar seu entendimento pelos profanos, isto é, os ainda não iniciados na Ordem. A intenção desse texto, como de todos os outros publicados nessa coluna, é contribuir para a recordação e propagação da riquíssima orientação dessa instituição milenar e que tanto tem contribuído para o progresso da humanidade.
A maçonaria, Ordem universal, é uma associação fraternal, de natureza filosófica, filantrópica e educativa e que proclama desde sua origem a existência de um Princípio Criador, sob a denominação de Grande Arquiteto do Universo. Ela é formada por homens de todas as cores, credos, nacionalidades e acolhidos por iniciação e congregados em Lojas, nas quais, por meio de meios racionais e auxiliados por elementos simbólicos, estudam e trabalham para o aperfeiçoamento da pessoa e para a construção de uma sociedade humana mais justa e fraterna. Seus postulados básicos estão assentados na tríade que deu origem à revolução francesa e alimentou os ideais da independência do Brasil e de vários outros países do mundo, ou seja, a liberdade, a igualdade e a fraternidade e que podem ser desmembrados nos seguintes princípios:
- Prevalência do espírito sobre a matéria.
- Liberdade de consciência e de expressão como sacrossanto direito do homem.
- Tolerância ao pensamento, idéias e crenças alheias
- Busca permanente da verdade e da solidariedade humana.
- Combate à ignorância, à superstição e à tirania.
- Apoio à educação, à instrução e ao conhecimento em geral.
- Incentivo à filantropia, com base na assistência social e na caridade.
- Dedicação ao trabalho honesto, como instrumento de realização e progresso.
- Cumprimento do dever cívico e da promessa dada.
- Amor e dedicação à família, sendo essa a célula primordial da sociedade.
- Fidelidade aos amigos e aos princípios éticos e morais
- Honra e devotamento à Pátria e seu povo.
- Luta em prol da cidadania plena, fundada no aperfeiçoamento dos costumes e no combate às paixões e aos vícios.
- Trabalho incessante pela felicidade e pelo aperfeiçoamento humano
- Obediência aos ditames da moral, da honradez e da lei.
- Amor incondicional à Pátria, à família e à sabedoria, em seu sentido amplo.
- Ajuda no desenvolvimento do país e do mundo através do estudo de todos os grandes problemas sociais e morais e da prática da assistência e da caridade, nas suas mais diversas modalidades.
- Colaboração permanente para a construção da paz universal.
Como se pode desprender facilmente dos princípios acima, a Maçônica não tem natureza científica, mas trabalha com os mais preciosos valores humanos. Nesse sentido, a Maçonaria visa a sabedoria humana, na sua mais ampla acepção e que vai muito além da simples ciência ou do puro senso de cognição ou entendimento. A ela interessa muito a verdadeira evolução, aquela que promove o aperfeiçoamento do homem como ser social e, portanto, respeitador do direito dos outros e do meio ambiente em que vive e viverão seus descendentes. Ela estuda o passado para compreender bem o presente e projetar um futuro melhor para todos.
Ao invés de desenvolver seu trabalho no mundo externo, a Maçonaria trabalha no íntimo da pessoa, tentando lapidar seu caráter e transformá-la num ser o mais perfeito possível, sabendo que a perfeição absoluta só existe em Deus. Como normalmente é afirmado em seus rituais: a Maçonaria está empenhada na construção do templo de dentro. Assim sendo, a Maçonaria opera como interlocutora entre todas as formas de conhecimento disponíveis e imagináveis e também, como intermediadoras entre o homem e seu criador, o Grande Arquiteto do Universo, carinhosa e respeitosamente designado com a sigla GADU.
Pelo exposto é fácil perceber que o maçom é livre para investigar a verdade, podendo para isso debater ou até discordar de certas instruções, contudo, enquanto o adepto for novo ou neófito, é aconselhável manter-se reservado e totalmente voltado para o conhecimento e a reflexão. Nessa fase e também no exercício pleno da maçonaria, saber ouvir é tão ou mais importante que saber falar. Aliás, essa é uma singularidade altamente importante nos tempos modernos, em que a quase totalidade das instituições de ensino parecem completamente voltadas para a formação de falantes.
Também é importante assinalar que o Maçom é livre para deixar a Ordem sempre e quando desejar, mas na certeza de que continuará sendo sempre maçom, pelo fato de ter experimentado um tipo de instrução e vivência raramente encontrado em qualquer outra instituição. Além disso, ou melhor, por isso mesmo, provavelmente sentirá que ao deixar a Maçonaria estará renunciando a uma grande oportunidade de continuar evoluindo pessoalmente e desfrutando de uma convivência verdadeiramente fraternal, apesar das imperfeições humanas. Nesse momento histórico em que as grandes instituições humanas dão sinais de fragilidade e incapacidade de construir um mundo realmente justo e fraterno, é bom observar os princípios maçônicos, todos eles sumamente importantes, mas quase sempre esquecidos ou relegados, até mesmo por aqueles que são maçons apenas no título e não na mente e no coração. |