Samaúma

* O Autor é:
F.R.C. - M. M. .
Or Olinda - PE.

 

Bibliografia do texto SIMBOLOGIA:
- Blavatsky, Helena Petrovna. A Doutrina Secreta ( tomo 3 ). Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro - 1974.
- Adoum, Dr. Jorge. As Chaves do Reino Interno. FEEU, Rio Grande do Sul -1972.
Adoum, Dr. Jorge. EU SOU - Breviário do Iniciado e Poder do Mago. FEEU, Rio Grande do Sul - 1974.
Colangelo, Adriano. Evolução Ocultista do Símbolo (fragmento) - Revista, Planeta n. 54 - Ed. TRÊS, São Paulo - 1977.
Lewis, Ralph M. Los Antigos Simbolos sagrados - volumen X. Gran Loja Suprema de AMORC - Depart. de Prensa y Publicaciones - San José - California U.S.A.

Arcanum do Terceiro Milênio


. . . . . .Irm. Thales Antonio Rodrigues Galhardo *



SIMBOLOGIA

O Símbolo é uma linguagem misteriosa ou algo convencional?
Um Símbolo qualquer poderá estimular a nossa compreensão, despertar para algo que nos é peculiar ou que um dia nos sensibilizou superficialmente. Um típico exemplo é o triângulo eqüilátero e o círculo que aparecem, ora isolados, ora juntos, e quase sempre combinados a outros elementos sugerindo uma linguagem não verbal. Observam-se tais símbolos, comumente, em bandeiras, emblemas, logomarcas, códigos de trânsito, legendas publicitárias e científicas.

Se um jornalista cultural de um importante jornal noticiasse que uma determinada agremiação carnavalesca, famosa, inserisse em sua bandeira (ou estandarte) um triângulo representando os últimos três beneméritos presidentes, dentro de um círculo demonstrando a união daquela agremiação em torno daqueles nomes, certamente, essa bandeira seria merecedora da admiração e orgulho para os fãs, porém sem que ninguém mais se preocupasse com aqueles símbolos.

Se uma outra matéria aparecesse na mídia revelando o triângulo e o círculo como elementos simbólicos da primária cultura ameríndia, e que hoje esses elementos aparecessem nos rituais das diversas tribos das Américas, certamente, o grande público iria apontar ou rotular como traços ligados ao primitivismo, a algum tipo de crença pagã, ou ainda ao colorido, das formas ligadas ao folclore, inseridos nos rituais exóticos.
Infelizmente, pouquíssimos seriam os eleitos capazes de refletir sobre o profundo significado desses símbolos que singraram os milênios, desde a remota Atlântida, desde a formação dos povos da antigüidade, das religiões pagãs às sociedades iniciáticas.

Quanto a palavras "símbolo" esta vem do grego "symbolom" e refere-se a sinal ou distintivo e de forma mais abrangente quer dizer alegoria. O símbolo é uma representação estética de uma idéia oculta. Os símbolos remontam as origens da humanidade. São chamados naturais quando existem na natureza e artificiais quando provêm de idéias personificadas.

Todas as culturas das diversas raças incorporaram símbolos nas suas tradições, costumes e linguagens. Os símbolos artificiais podem reunir formas geométricas, letras, algarismos, instrumentos e ferramentas inerentes as várias profissões, formas humanas, animais ou vegetais (em forma acadêmica) ou tendências exóticas, psicodélicas e surrealistas.

Os símbolos não místicos são encontrados em logomarcas empresariais, nos emblemas de clubes de serviços, sociais, recreativos e esportivos. Nas instituições militares, políticas, científicas e educacionais; nos poderes constituídos da república, nas monarquias, etc. São considerados, ainda, símbolos não místicos os da heráldica.

Os símbolos místicos trazem, geralmente, elementos similares aos demais profanos, porém com algo que os distinguem, profundamente, na interpretação. Cada religião traz um arcabouço simbólico que revela sua doutrina e sua historicidade através de parábolas, preces, sermões (pregações) e rituais revelados aos seus seguidores.

No que tange as iniciações nas Escolas Esotéricas, certas leis universais são demonstradas e certos símbolos incluídos para poder explicá-las. A natureza universal desses elementos simbólicos dá o verdadeiro significado esotérico e suas aplicabilidades são quase infinitas.

Os símbolos são como uma verdadeira arte nunca deve falar aos sentidos, e sim, excitar a nossa imaginação. Sendo esses elementos, fundamentalmente, esotéricos revelam de forma infusa a sabedoria cósmica, que nos orienta nos passos da iniciação interna.

Os mistérios velados nos símbolos mergulham num passado longínquo e resgatam os métodos dos antigos Egípcios, da Grande
Fraternidade Branca, que ensinavam esses mistérios aos seus adeptos, através de uma rica estrutura alegórica e uma linguagem peculiar que fez da Grande Fraternidade uma sociedade ímpar.

A semiótica referente ao esoterismo abrange direta e indiretamente a todos os signos universais (naturais e artificiais) já conhecidos pelo homem. Por onde a Fraternidade Branca passou captou todo conhecimento, estudou, organizou e protegeu do alcance profano, usando a chave do simbolismo para preservar a sabedoria iniciática. As escolas de ocultismo cruzaram os milênios cristalizando todo conhecimento e poder nos corações de seus adeptos, perpetuando os mais sábios ensinamentos protegidos por uma invulnerável e indestrutível egrégora.

É muito importante que os estudantes e praticantes do esoterismo ao entrarem num Templo compreendam todo seu significado. Cada detalhe do conjunto de uma Loja, foi criado, especialmente, para expressar de maneira objetiva, princípios cósmicos. A convivência com os símbolos, dentro de uma Loja conduz o estudante ao aprendizado desses princípios.

Para o buscador, dessas verdades, a contemplação dos símbolos evoca novos e estranhos responsivos acordes no seu interior. As formas enigmáticas provam-se fascinantes e o estudante, muitas vezes, não sabe o porquê. Os Símbolos o intrigam, desafiam-no e parece falar-lhe uma língua bem compreensível para seu Eu exterior.
Finalmente, é inerente ao esoterista o olho clínico na observação, leitura e análise dos símbolos de uma Loja. Muitas são as palavras que ali estão implícitas revelando ensinamentos ocultos que às vezes a linguagem verbal é incapaz de nos ensinar. Os símbolos podem estimular certos setores da mente do iniciado fazendo-o relembrar ensinamentos (passados) encravados no seu subconsciente. Os símbolos são as ferramentas da iniciação, conduz o iniciado do exterior para o interior.

Os Símbolos e a Mente

Após este estudo preliminar sobre simbologia vamos dar mais um passo em direção aos chamados "misteriosos ícones". Já sabemos que os símbolos são infinitos e estão em toda as culturas, em toda história do homem. Esses elementos parecem se multiplicar, em suas interpretações e cada vez nos ensinam mais.

Carls Gustay Jung afirmou que os símbolos não são apenas alegorias e sinais significativos, porém imagens de conteúdos que em grande parte transcende a consciência. E completa dizendo: "é indispensável ao homem um estudo psicológico dos símbolos".

Então, Jung ao afirmar que esses elementos transcedem a consciência (plano objetivo) aponta para outros planos da mente humana. As imagens externas captadas pela visão (objetiva) são decodificadas pela nossa mente e se não há leitura e entendimento dessas imagens no plano consciente, elas perderão, logicamente, seus valores e ficarão sem sentidos. Porém se uma imagem for lançada ao subconsciente e ali encontrar um remoto registro logo despertará no neófito interesse em desvendar o significado da imagem mesmo intuitivamente. Em geral, a simples observacão dos símbolos místicos no interior de uma Loja, provoca estímulos subliminares no cérebro que podem ser processados e compreendidos durante a caminhada do aprendiz. Assim como as células ( DNA ) são um patrimônio genético que guardam todas as informações dos nossos ancestrais, o subconsciente é a caixa preta que guarda as informações e aprendizados de vidas passadas.

É preciso exercitar essa área da mente, o que pode ser alcançado com exercícios de concentração, mentalização e trabalhar certos chakras para levantarmos o véu do esquecimento e então entender os diversos símbolos das religiões orientais, filosofias herméticas, mitologias e astrologia que revelam os mistérios da vida, do renascimento, da morte, da vida eterna, dos ciclos do homem sobre a terra e as leis da natureza. Os estudantes de esoterismo, mais adiantados, percebem imagens internas, vistas na tela da mente, através do chakra frontal. São visões metafísicas e geralmente, simbólicas. Devem ser cuidadosamente entendidas.

Já podemos concluir que não é uma simples olhada para um símbolo místico que se vai aprender alguma coisa ou perceber algum fenômeno metafísico. O que devemos fazer é uma leitura permanente dos símbolos e vivenciá-los dentro dos rituais esotéricos além dos exercícios acima propostos. Sendo assim, as chances de entender o verdadeiro sentido da simbologia esotérica vão aumentando a cada degrau conquistado. Quando todos os seres humanos conhecerem essa área da mente, a civilização estará muita avançada.
 
A Arca dos Símbolos.

As religiões milenares e as sociedades esotéricas trazem um maravilhoso mundo mágico inserido na simbologia. As religiões pagãs, também deram grandes contribuições no simbolismo e rituais que ainda hoje aparecem com traços marcantes. O maior arcabouço simbólico, pode-se assim dizer, é o conjunto dos oráculos: tarôs, runas, baralhos, ciganos, búzios, numerologia, etc. Os números são os mais universais porque aparecem em todas as culturas.

As mitologias, também com grande acervo simbólico, guardam a história dos mistérios da cerimônias e cultos onde os pagãos reverenciavam seus deuses e heróis. As lendas orientais, com suas histórias fantásticas e imaginosas, perpetuaram-se através da tradição oral e receberam nas suas entrelinhas muitos elementos simbólicos da sabedoria oriental.

As Shephirotes ( ou a Árvore da Vida), as Iniciações públicas de Jesus e o Apocalipses de João são as grandes riquezas simbólicas do Cristianismo gnóstico. Os alfabetos: hebraico, sânscrito, egípcio antigo, o vatan e o Arqueômetro guardam os maiores segredos da alta magia.

Finalmente, para se abrir a ARCA DOS SÍMBOLOS e desvendar os mistérios ali contidos, é preciso afastar a visão do racionalismo. Não devemos limitar nossa mente ou acorrentá-la à mesquinha condição materialista. Não devemos ficar presos às conclusões dos cinco sentidos externos do homem, apenas com uma compreensão parcial ou equivocada das coisas do nosso mundo. O racionalista jamais entenderá o valor da INICIAÇÃO, e logo, não ultrapassará a porta da mesma.

O estudante de esoterismo deve ser um caçador de enigmas para poder encontrar a chave da ARCA DOS SÍMBOLOS, e assim, desvendá-los!