Samaúma - Portal Maçônico
 

 

 





 

Bibliografia Consultada.

ASLAN, Nicola; Estudos Maçônicos sobre Simbolismo - Ed. Aurora, RJ, 3ª Ed.
CASTELLANI, José, CARTILHA DO APRENDIZ, Ed. Maç. A TROLHA, Londrina,
2004.
JUK, Pedro; - Exegese Simbólica para Aprendiz Maçon – Trolha – 2007
SILVA, Raul, MAÇONARIA SIMBÓLICA, Ed. Pensamento, SP, 2004.
CAMPOS, Tito Alves; - Instrucional Maçônico Aprendiz – GOB - 2007
VAROLI FILHO, Theobaldo – Curso de Maçonaria Simbólica – Tomo I - Ed. A
Gazeta Maçônica, 1ª Ed., 1976.
Ritual do R.:E.:A.:A.: - 1o Grau - GOB


OS SETE INIMIGOS ATUAIS DA HUMANIDADE

 


GRANDE ORIENTE DO BRASIL – G.·.O.·.B.·.
GRANDE ORIENTE DO BRASIL - PARANÁ - G.·.O.·.B.·. - PR
AUG.·. E RESP.·. LOJ.·. SIMB.·. MARINGÁ Nº 3336
REAA

 

 

Trabalho apresentado aos obreiros da ARLS Maringá, no tempo de estudos.
Oriente de Maringá, Maio de 2009.
Autor Ir.·. Antonio Celso Grosse
- M.·. M.·.

 

 

Resumo Introdutório

O presente trabalho tem por objetivo expor aos irmãos do quadro da A.·.R.·.L.·.S.·. Maringá uma interpretação, de minha parte, sobre o assunto relacionado à formação do Aprendiz Maçon e combate aos vícios, discutidos e apresentados em forma de instruções, durante o tempo de seu aprendizado no primeiro grau.

Ele se constitui numa interpretação parcial e pessoal, ainda que baseada em pesquisas da bibliografia do grau, de parte do simbolismo da iniciação.

Por se tratar de um assunto relacionado a ritual e exegese maçônicos, não me permiti ampliar o tema, cingindo-me ao básico, razão pela qual o trabalho ficou limitado a assuntos já conhecidos e dominados no grau de aprendiz.

Encontrei interpretações mais extensas e aprofundadas sobre este assunto, daí peço permissão aos Irmãos para recomendar-lhes uma leitura adicional da bibliografia citada.

2 - A formação do maçom começa no dia de sua iniciação. Há algumas alegorias que, se bem interpretadas, fazem-no refletir sobre a grandeza do ritual iniciático.

Mesmo antes de entrar no Templo o iniciando, na câmara de reflexão, depara-se com símbolos que lhe despertam pensamentos elevados e o induzem a entrar em contato consigo mesmo.

Em tal estado reflexivo, é levado a meditar sobre dois aspectos da prisão: o aspecto físico e o do espírito e que este último é mais complexo, pois esta prisão espiritual se forma com elementos da ignorância, do erro, da superstição, do fanatismo, do preconceito e da intolerância. Esta prisão mental existe para grande parte das pessoas.

Na câmara, rodeado de símbolos, tem ele a oportunidade de questionar suas crenças, a fugacidade da vida e seus motivos para tornar-se um iniciado.

As diversas inscrições, algumas ainda sem sentido para si, outras, intuitivamente entendidas e os símbolos mostram-lhe “a potencialidade do ser humano como agente construtor do Bem”, ressaltando o ideal do maçom e seus deveres para consigo mesmo e para com a sociedade.

Outra alegoria importante no ritual iniciático é o do punhal contra o peito. Mesmo sem ver, sente. A ponta da lâmina representa a Verdade; O sentir no peito, mesmo sem ver, a Intuição. Esta capacidade de sentir o Bem e a Verdade o guiará em direção à Luz; O desconforto pelo punhal contra seu peito representa o remorso sentido se conflitar suas ações com sua consciência.

O VM exorta o iniciando sobre seu propósito de tornar-se maçom e alerta-o sobre responsabilidades e deveres, pois ao ingressar na Ordem Maçônica assume o compromisso de sua própria evolução, bem como de trabalhar na evolução da humanidade.

3 - A sublime Ordem Maçônica tem entre outras finalidades, a de lutar contra a Hipocrisia, a Perfídia, o Erro, o Fanatismo, a Ambição, o Obscurantismo e a Corrupção. Na qualidade de escola iniciática, a Maçonaria ensina ao Aprendiz Maçon como combater estes vícios, considerados prisões do espírito e desenvolver a sensibilidade ao Bem, o conhecimento da Verdade e a prontidão maçônica na construção do Bem.

O maçom, em sua jornada de aprendizado, tem o dever de ficar alerta, lutar e superar estes obstáculos, classificados pela maçonaria como os grandes inimigos atuais da humanidade.

A derrota da Hipocrisia se dá quando o maçom percebe que existe uma exata correlação entre o conhecimento da Verdade e a prática da Virtude.

Identifica a Hipocrisia como enganosa e criadora de ideias falsas e entende que ela não combina com a Verdade, com a Moral nem com os ideais maçônicos.

A Perfídia é um dos principais entraves no desenvolvimento do Espírito Maçônico. Manifesta-se pela traição, ainda que inconsciente, à fé jurada, pela deslealdade, pela falsidade e pelo fingimento. Para fazer crescer em si o espírito maçônico, oposto a estes desvios, o maçom precisa, antes do mais, tornar-se consciente de seus atos, pela reflexão e repetição, para si mesmo, dos ideais maçônicos e buscar seu desenvolvimento moral.

Em seu contínuo aprendizado o maçom tem o entendimento do que seja o Erro como oposto da Verdade. Ele deriva da ignorância e só tem efeito moral quando praticado consciente e voluntariamente. Mesmo assim, seus efeitos práticos são destrutivos. O maçom, que é um iluminado, não pode esquivar-se ante os próprios erros. Assumi-los e repará-los é a atitude esperada de sua parte e, também, combatê-lo ativamente pelo desenvolvimento da própria sabedoria.

Um dos entraves ao desenvolvimento intelectual das pessoas é o Fanatismo. Consiste na crença passional e sem questionamentos em uma causa. Somente a aplicação do maçom em seu crescimento espiritual e intelectual pode livrá-lo do Fanatismo. De forma proativa, o maçom precisa apoiar movimentos que melhorem a educação das pessoas e lhes proporcionem capacidade crítica, dissipando assim a consciência mítica ou ingênua em favor de uma visão mais racional das coisas.

A Ambição é outro inimigo da sociedade e como tal combatida pela Maçonaria. Consiste no defeito de caráter que se manifesta pela aquisição desmedida de bens materiais, posições e prestígio sociais. Ela é prejudicial à fraternidade, facilita a ação criminosa, gera injustiça, violência e corrupção. Entretanto, não se deve confundir Ambição com a aspiração ao progresso, natural nos indivíduos. A Ambição cria graves desníveis sociais e entra em conflito com a Maçonaria, pois choca-se com lema de Igualdade. O maçom precisa superar a tendência egoísta de acumular bens e prestígio, de sempre ter mais. Ao contrário, o cultivo da solidariedade e cooperação lhe é ensinado, bem como ficar satisfeito com seus bens e direitos adquiridos, respeitando os direitos de terceiros.

Outro inimigo declarado do gênero humano é o Obscurantismo, vício social conflitante com a Verdade e com
a Liberdade e que consiste em utilizar discursos e ações demagógicas que distorcem a percepção por parte da população, de sua real condição sócio-econômica. É a utilização indevida de recursos do Estado, cujo dever é promover o bem comum, para manter grupos no poder, indefinidamente.

O Obscurantismo forma-se a partir da desinformação, da ignorância e da subserviência. O maçom desde seus primeiros passos na senda iniciática precisa combater a conduta obscurantista em si próprio.

Ao entender que o Obscurantismo favorece a manutenção do poder ilegítimo, o maçom trilhará o caminho oposto e assim favorecerá a Verdade e o Conhecimento, ajudando assim o progresso intelectual de quem lhe está próximo.

A Corrupção, outro inimigo da humanidade, é uma ação destrutiva da Moral, da Honra, dos Bons Costumes e da Virtude e, como tal, é repelida pela Maçonaria.

O Iniciado, desde logo, percebe que a Corrupção se liga ao Egoísmo, Ambição e Vaidade. A ação corrupta desorganiza o núcleo social onde é perpetrada e gera conflitos ao facilitar atos em desacordo com o previsto, atos estes que resultarão em benefícios para uns à custa de prejuízos para a sociedade.

O maçom combate a Corrupção ao fazer autocrítica. Ao se comportar de forma intransigente no cumprimento da legislação. Ao dar o bom exemplo incentivando seus próximos cumprirem a Lei. Jamais será omisso ou conivente com práticas à margem da legalidade.

Consciente disto, no início de cada ritual, pode repetir, mentalmente, com alegria, a resposta que é dada ao VM quando este pergunta: “Para que nos reunimos em Loja?” e lhe é respondido: “Para combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros”.