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GRANDE ORIENTE DO BRASIL – G.·.O.·.B.·.
GRANDE ORIENTE DO BRASIL - PARANÁ - G.·.O.·.B.·. - PR
AUG.·. E RESP.·. LOJ.·. SIMB.·. MARINGÁ Nº 3336
REAA
Trabalho apresentado aos obreiros da ARLS Maringá, no tempo de estudos.
Oriente de Maringá, Maio de 2009.
Autor Ir.·. Antonio Celso Grosse
- M.·. M.·.
Resumo Introdutório
O presente trabalho tem por objetivo expor aos irmãos do quadro da A.·.R.·.L.·.S.·. Maringá uma
interpretação, de minha parte, sobre o assunto relacionado à formação do Aprendiz Maçon e combate
aos vícios, discutidos e apresentados em forma de instruções, durante o tempo de seu aprendizado no
primeiro grau.
Ele se constitui numa interpretação parcial e pessoal, ainda que baseada em pesquisas da bibliografia
do grau, de parte do simbolismo da iniciação.
Por se tratar de um assunto relacionado a ritual e exegese maçônicos, não me permiti ampliar o tema,
cingindo-me ao básico, razão pela qual o trabalho ficou limitado a assuntos já conhecidos e dominados
no grau de aprendiz.
Encontrei interpretações mais extensas e aprofundadas sobre este assunto, daí peço permissão aos
Irmãos para recomendar-lhes uma leitura adicional da bibliografia citada.
2 - A formação do maçom começa no dia de sua iniciação. Há algumas alegorias que, se bem interpretadas,
fazem-no refletir sobre a grandeza do ritual iniciático.
Mesmo antes de entrar no Templo o iniciando, na câmara de reflexão, depara-se com símbolos que lhe
despertam pensamentos elevados e o induzem a entrar em contato consigo mesmo.
Em tal estado reflexivo, é levado a meditar sobre dois aspectos da prisão: o aspecto físico e o do espírito
e que este último é mais complexo, pois esta prisão espiritual se forma com elementos da ignorância, do erro,
da superstição, do fanatismo, do preconceito e da intolerância.
Esta prisão mental existe para grande parte das pessoas.
Na câmara, rodeado de símbolos, tem ele a oportunidade de questionar suas crenças, a fugacidade da vida e
seus motivos para tornar-se um iniciado.
As diversas inscrições, algumas ainda sem sentido para si, outras, intuitivamente entendidas e os símbolos
mostram-lhe “a potencialidade do ser humano como agente construtor do Bem”, ressaltando o ideal do maçom
e seus deveres para consigo mesmo e para com a sociedade.
Outra alegoria importante no ritual iniciático é o do punhal contra o peito. Mesmo sem ver, sente.
A ponta da lâmina representa a Verdade; O sentir no peito, mesmo sem ver, a Intuição. Esta capacidade de
sentir o Bem e a Verdade o guiará em direção à Luz; O desconforto pelo punhal contra seu peito representa o
remorso sentido se conflitar suas ações com sua consciência.
O VM exorta o iniciando sobre seu propósito de tornar-se maçom e alerta-o sobre responsabilidades e
deveres, pois ao ingressar na Ordem Maçônica assume o compromisso de sua própria evolução, bem
como de trabalhar na evolução da humanidade.
3 - A sublime Ordem Maçônica tem entre outras finalidades, a de lutar contra a Hipocrisia, a Perfídia, o Erro,
o Fanatismo, a Ambição, o Obscurantismo e a Corrupção. Na qualidade de escola iniciática, a Maçonaria
ensina ao Aprendiz Maçon como combater estes vícios, considerados prisões do espírito e desenvolver a
sensibilidade ao Bem, o conhecimento da Verdade e a prontidão maçônica na construção do Bem.
O maçom, em sua jornada de aprendizado, tem o dever de ficar alerta, lutar e superar estes obstáculos,
classificados pela maçonaria como os grandes inimigos atuais da humanidade.
A derrota da Hipocrisia se dá quando o maçom percebe que existe uma exata correlação entre o conhecimento
da Verdade e a prática da Virtude.
Identifica a Hipocrisia como enganosa e criadora de ideias falsas e entende que ela não combina com a Verdade, com a Moral nem com os ideais
maçônicos.
A Perfídia é um dos principais entraves no desenvolvimento do Espírito Maçônico. Manifesta-se pela traição,
ainda que inconsciente, à fé jurada, pela deslealdade, pela falsidade e pelo fingimento. Para fazer crescer em
si o espírito maçônico, oposto a estes desvios, o maçom precisa, antes do mais, tornar-se consciente de seus
atos, pela reflexão e repetição, para si mesmo, dos ideais maçônicos e buscar seu desenvolvimento moral.
Em seu contínuo aprendizado o maçom tem o entendimento do que seja o Erro como oposto da Verdade.
Ele deriva da ignorância e só tem efeito moral quando praticado consciente e voluntariamente. Mesmo assim,
seus efeitos práticos são destrutivos. O maçom, que é um iluminado, não pode esquivar-se ante os próprios
erros. Assumi-los e repará-los é a atitude esperada de sua parte e, também, combatê-lo ativamente pelo
desenvolvimento da própria sabedoria.
Um dos entraves ao desenvolvimento intelectual das pessoas é o Fanatismo. Consiste na crença passional e
sem questionamentos em uma causa. Somente a aplicação do maçom em seu crescimento espiritual e intelectual
pode livrá-lo do Fanatismo. De forma proativa, o maçom precisa apoiar movimentos que melhorem a educação
das pessoas e lhes proporcionem capacidade crítica, dissipando assim a consciência mítica ou ingênua em favor
de uma visão mais racional das coisas.
A Ambição é outro inimigo da sociedade e como tal combatida pela Maçonaria. Consiste no defeito de caráter
que se manifesta pela aquisição desmedida de bens materiais, posições e prestígio sociais. Ela é prejudicial à
fraternidade, facilita a ação criminosa, gera injustiça, violência e corrupção. Entretanto, não se deve confundir
Ambição com a aspiração ao progresso, natural nos indivíduos. A Ambição cria graves desníveis sociais e
entra em conflito com a Maçonaria, pois choca-se com lema de Igualdade. O maçom precisa superar a tendência
egoísta de acumular bens e prestígio, de sempre ter mais. Ao contrário, o cultivo da solidariedade e cooperação
lhe é ensinado, bem como ficar satisfeito com seus bens e direitos adquiridos, respeitando os direitos de terceiros.
Outro inimigo declarado do gênero humano é o Obscurantismo, vício social conflitante com a Verdade e com
a Liberdade e que consiste em utilizar discursos e ações demagógicas que distorcem a percepção por parte da
população, de sua real condição sócio-econômica. É a utilização indevida de recursos do Estado, cujo dever é
promover o bem comum, para manter grupos no poder, indefinidamente.
O Obscurantismo forma-se a partir da desinformação, da ignorância e da subserviência. O maçom desde seus
primeiros passos na senda iniciática precisa combater a conduta obscurantista em si próprio.
Ao entender que o Obscurantismo favorece a manutenção do poder ilegítimo, o maçom trilhará o caminho
oposto e assim favorecerá a Verdade e o Conhecimento, ajudando assim o progresso intelectual de quem lhe
está próximo.
A Corrupção, outro inimigo da humanidade, é uma ação destrutiva da Moral, da Honra, dos Bons Costumes e
da Virtude e, como tal, é repelida pela Maçonaria.
O Iniciado, desde logo, percebe que a Corrupção se liga ao Egoísmo, Ambição e Vaidade. A ação corrupta
desorganiza o núcleo social onde é perpetrada e gera conflitos ao facilitar atos em desacordo com o previsto,
atos estes que resultarão em benefícios para uns à custa de prejuízos para a sociedade.
O maçom combate a Corrupção ao fazer autocrítica. Ao se comportar de forma intransigente no cumprimento
da legislação. Ao dar o bom exemplo incentivando seus próximos cumprirem a Lei. Jamais será omisso ou
conivente com práticas à margem da legalidade.
Consciente disto, no início de cada ritual, pode repetir, mentalmente, com alegria, a resposta que é dada ao
VM quando este pergunta: “Para que nos reunimos em Loja?” e lhe é respondido: “Para combater o despotismo,
a ignorância, os preconceitos e os erros”. |