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A Porta Fechada por Dentro!

 

De um Neófito Rejeitado
Londrina, 28 de março de 2007


                            Pois é! Convidaram-me para participar do evento. Amigos queridos, distantes, outros nem tanto, mais distantes ou nem tão íntimos, mas todos, de modo geral afeiçoam–me. Fiquei exultante, feliz, e ansioso para o dia primeiro. Foram a minha casa, a minha intimidade, até aos meus maiores valores, minha FAMILIA!

                            Respondi questões com toda sinceridade a pessoas que recebi, sem conhecê-las! Abri meu coração e minha privacidade, pois realmente estava exultante com o convite. O convite partira de um outro amigo, que me propunha um novo enfoque relacionado ao “modus vivendi”.

                            O que permitira toda esta exposição era o desejo de poder participar de algo que considero essencial a existência humana. O aperfeiçoamento do espírito, na busca de melhorar sempre, incessantemente, o burilamento d’alma, compromisso maior da nossa existência .
                            A razão de não poder entrar, apenas aqueles que impediram meu ingresso é que levarão consigo! A porta estava fechada por dentro! Tenho certeza que alguns gostariam de abri-la, não por méritos meus, mas com certeza pela bondade e amor que carregam em seus corações, pelos seus olhos puros que não vê maldades outras.

                            Não se apiedem de mim, estarei lá fora, aguardando o dia em que a razão, o motivo que cerrou a porta, possa ser debelado e eu tenha também a oportunidade de adentrar.

                            Busco pensar qual será o motivo para não me abrirem a porta. Se tenho defeitos, cometo erros, equivoco-me, sem dúvida que os faço pela minha total ignorância, limitação, entretanto busco auxílio para aprender e melhorar. Talvez, alguém, atrás da porta, possa me aconselhar onde posso encontrar um lugar, de portas abertas, que se disponha a me acolher em seu meio, e a me enxergar como realmente sou.

                            Diante disso tudo, gostaria de poder receber o bálsamo para a dor que me invade, em face do sentimento de rejeição que estou sentindo! Talvez aqueles que me deixaram lá fora, me conhecendo, possam indicar o melhor remédio! Reluto em acreditar que alguém que não me conhece, está impedindo a minha entrada.

                            Mas o maior problema que hoje enfrento, é de ordem familiar. A FAMÌLIA que constituí juntamente com minha esposa, meus filhos. Qual será a explicação que darei a eles, que seja convincente e verdadeira, que possa justificar, apontar o motivo de eu estar aqui fora. De não poder entrar? Afinal, eles foram consultados por alguns amigos que estão do lado de dentro, sobre a possibilidade de permitirem também a minha entrada!

                            Será que eles também poderão me auxiliar na justificativa aos meus filhos e minha esposa, do fato de não terem me deixado entrar! Será que minha imagem, aquela que os amigos entrevistadores ouviram de meus filhos e esposa permanecerá como era antes?

                            Entretanto, quero que saibam, todos aqueles que me incentivaram a bater na porta, que estarei do lado de fora, aguardando o dia em que a porta possa ser aberta para que eu, em fim, do lado de dentro, possa conviver e trabalhar com todos os que estão deste lado, de maneira fraternal e festiva. Quero que saibam ainda de mais uma coisa, que a porta que me interessa, pelos amigos que ai estão, não será outra senão a mesma que bati hoje. Entretanto, se no futuro isso não acontecer, por vontade alheia a minha, terei a certeza de que estes que estão barrando a minha entrada não poderão me privar! De continuar batendo na porta e de sonhar que um dia ela se abrirá.
 
                            Obrigado amigos, agradeço de coração a cada um de vocês, indistintamente. Aqueles que tentaram abrir a porta, pela sua fidelidade e demonstração de carinho e amizade. Aqueles que impediram que a porta se abrisse, pelo alerta que me lançam, fazendo refletir sobre minhas condutas e assim propiciar que eu procure mudar o que está errado.

                            A vida, como escola que é, nos ensina que nos enganamos até mesmo a nosso respeito