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Irm. Ito de Rolandis
Artigo Original
"Evoluzione e futuro dell'uomo",
da revista Hiram,
do
Gr:. Or. da Itália, nº 3/92
Tradutor autorizado: Ambrósio Peters
Divulgado p/ O Prumo 86
INVOLUÇÃO
Há muitos indivíduos portadores de alguma imperfeição que não somente desenvolvem um trabalho normal, mas que, como já afirmamos, constituem família, e põe filhos no mundo. Estes serão forçosamente portadores hereditários de tais defeitos que, pela lei da transmissão das características genéticas, interessam à sua descendência futura.
Correremos então o risco de uma involução? Mais de um cientista diz que sim. Um risco, é certo, mas com que percentual? Ninguém o pode prever. Mas é necessário considerar que a variabilidade da espécie possui reservas inesperadas para fazer face às situações severas. Recordemos os caso dos talassêmicos, ou seja, daqueles que há dois mil anos eram acometidos da anemia mediterrânea. Eles pareciam infelizes completamente passivos no contexto social, marginalizados por Atenas e por Esparta. Mas já há dois mil anos os gregos descobriram que eles eram imunes à malária. E Atenas formou contingentes de talassêmicos e com eles beneficiou vastas superfícies paludosas. Por isto hoje na Itália Meridional ainda há muitos indivíduos afetados pela anemia mediterrânea, ainda que os banhados já tenham desaparecido.
Quanto à questão da raça, há ainda questões que sangram, e os genocídios de Dachau e Buchenwald, iniciados por delirantes discursos de Hitler, ainda suscitam horror e condenação. E sem dúvida não será esta a estrada a percorrer. O problema poderá ser enfrentado sob um perfil cultural, com o homem pondo-se diante do problema do risco da prole com mais responsabilidade do que acontece hoje. Uma mais firme compreensão do problema induzirá os indivíduos a uma decisão cultural especialmente para aquele que espera procriar. "Muitas vezes se põe a pergunta: daqui a cem anos será o homem mais inteligente do que hoje? Eu não duvido da resposta. Se em julho queremos uma planta boa e viçosa devemos semear bem no outono." A opinião é do professor George Hause do centro de Oak Ridge. Hause se ocupa de antropologia há trinta anos, desde que a Nasa pensou em hibernar astronautas para conseguir que percorram centenas de anos luz.
Todos sabem quais os efeitos que a droga produz sobre os grupos de cromossomas, mas quem se entrega aos estupefacientes não pensa nos danos que provoca a droga em seus descendentes. Quantos filhos de tóxico-dependentes há sobre o nosso planeta? E quantos são os filhos dos alcoólatras? Certos estudiosos estão de acordo em afirmar que Roma perdeu o império porque sua população se imbecilizara devido ao chumbo absorvido com a água potável. O saturnismo também produz alterações cromossômicas. Se nós desejamos uma sociedade futura de indivíduos sãos, devemos hoje tomar uma decisão cultural. Uma coisa certamente não fácil, porque o homem, hoje espiritualmente egoísta, pensa sempre mais em si mesmo e muito pouco nas gerações futuras.
Muitas correntes filosóficas sustentam que a evolução começou ainda no nascimento da Terra, não se podendo, portanto mais falar de involução. Para alguns sociólogos o homem hoje é individualmente atrasado, e citam as grandes crises do saber, as crises do livro, as crises das artes, as crises das comunicações. A solidão é hoje catalogada como um mal social, e é também um dos mais angustiantes. Esta situação faz nascer no indivíduo reflexões egoísticas, enquanto inconscientemente tem sede de associar-se, como resíduo de um precedente "status vivendi".
O HOMEM SEMPRE MAIS ISOLADO
As manifestações agregativas de hoje são esporádicas; a pouca sociabilidade do ambiente de trabalho, por exemplo, onde o indivíduo passa mais tempo do que no ambiente familiar; as funções religiosas para os crentes, ou as assembléias políticas ou sindicalistas, onde muito se escuta, mas pouco se comunica. As grandes cidades são a sede de solidão, ou seja, unia sociedade que não considera o social, uma coletividade feita de indivíduos rendidos ao individualismo. Tantos mundos entre si distantes em um planeta independente. Singularmente conturbante é o exemplo bíblico da torre de Babel; todos unidos para subir ao céu, mas separados por falta de uma língua comum. Esta situação de exasperada solidão (TV, autos, stress, telefone, etc.) acentua no homem o desejo de associar-se, agregar-se, co-participar, mas paradoxalmente, ainda que este desejo esteja em todos, latente ou manifesto, ninguém faz nada para realizá-lo. Neste panorama se insere por fim o divertimento que, as mais das vezes, em vez de tornar participante o público e possibilitar a sua agregação, ainda que só no conceito comum, o separa e acentua ainda mais o seu isolamento, como os flippers, os jogos eletrônicos, os solitários, as apostas, etc. E os outros divertimentos?
O teatro, pela sua definição, deveria ser o proscênio da vida, mas não é mais assim. Propaga-se o teatro do absurdo, o cinema fantástico, a expressão artística das aberrações. Todas as coisas que não refletem a realidade, isto é a vida cotidiana com a participação do indivíduo. Não! Como se tudo fizesse parte de um plano de enlouquecimento para desarmonizar os ânimos já oprimidos por uma abrangente incomunicabilidade, eis que cada manifestação conduz principalmente ao isolamento do espectador; nas discotecas não se fala, nas famílias não há diálogo, vai-se a uma mostra de pinturas e não se compreende o que se vê, se vai ao cinema e ao teatro e não se vê ai refletida a vida, o falar, os gestos de cada dia. Os políticos usam uma linguagem que não se entende, os sindicatos dialogam em sindicalês, a música recorre a partituras que o ouvido não percebe na totalidade da freqüência audível, na alimentação se inventam produtos que nosso organismo não distingue, e por isso não assimila, como as substâncias que não engordam. E isto quando, por carga da hereditariedade cromossômica, com as outras informações o homem traz na carga celular a exigência imprescindível da própria sociabilidade, como as abelhas, as formigas, ou qualquer outro ser nascido para viver em coletividade.
(Continua) |