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Irm. Ito de Rolandis
Artigo Original
"Evoluzione e futuro dell'uomo",
da revista Hiram,
do
Gr:. Or. da Itália, nº 3/92
Tradutor autorizado: Ambrósio Peters
Divulgado p/ O Prumo 86
A NATUREZA REVOLTA
Levemos esse conceito ao limite, e notaremos que o homem corre o grande risco de encontrar-se, dentro de uma centena de anos ou mais, em um ambiente plasmado por ele mesmo a seu gosto, mas na realidade bem distante daquele habitat "na medida do homem" que ele mesmo se propunha a criar.
Já agora se notam conseqüências desse estado de coisas, que de momento ainda só agem no seu exterior e apenas tocam de leve o social. Mas é inegável que uma longa permanência nesse ambiente acabará por contaminar a esfera interior do homem, a sua própria estrutura orgânica e espiritual.
O tema é complexo.
Nas escolas de nível médio se ensinava que Cícero, no seu DE ORATORE, teria sentenciado: "Historia magistra vitae". "Mas a história não é na verdade a mestra da vida" - rebate o historiógrafo o Prof. Aldo A. Mola - "porque se o fosse os homens não continuariam cometendo sempre os mesmos erros".
A ciência e o progresso tecnológico puseram a disposição da civilização recursos inimagináveis. Há apenas setecentos anos 95% da população mundial vivia em refúgios naturais (cavernas), sem dispor de nenhum instrumento que não fosse uma arma de defesa ou um instrumento para a agricultura. Hoje 74% da população mundial vivem em habitações dotadas de móveis, água corrente, acessórios diversos, cada vez mais sofisticados nas nações desenvolvidas.
E deste modo a tecnologia está já modificando a raça.
Por milênios as características da genética foram modificadas pela natureza. Nos primeiros anos deste século, e isto não faz muito tempo, quem nascia frágil morria nos primeiros meses de vida, quem era débil perecia aos primeiros rigores do inverno, o doentio tinha truncada a vida pelos ventos e geleiras da primavera. Isto confirma a regra de que a espécie sempre se portava passiva ante a seleção natural.
Hoje porém, até a seleção natural está sendo modificada. A cirurgia cesariana -apenas para citar um exemplo- permite o nascimento de quem no passado não teria vindo ao mundo. Os novos avanços da medicina e o progresso dos recursos ambientais e sociais permitem a sobrevivência de quem é inábil, de quem é patologicamente defeituoso, de quem no passado a natureza teria inexoravelmente extinguido, se não nos primeiros meses de vida mas certamente a seguir, quando, sem mais a assistência dos pais, não estaria em condições de prover seu próprio sustento.
Os novos recursos da civilização convulsionaram e modificaram a seleção natural de ontem; hoje temos deficientes inseridos na coletividade, trabalhando e com família. Procriam pondo filhos no mundo.
São paraplégicos que comandam computadores por meio da voz, e executam até trabalhos complexos, perfeitamente adaptados ao tecido social.
Dissemos que o assunto é complexo; isto não é simples e não deve ser mal entendido. As observações científicas dirigidas a pesquisas mais avançadas não devem distanciar-se demais dos envolvimentos democráticos e humanos, que devem sempre sustentar as opções sociais, políticas, ou filosóficas, opções que devem ter por objetivo o bem estar de todos os homens, da coletividade inteira.
Exatamente quanto a conservação da raça é que tem sido cometida no passado atrocidades inauditas.
A defesa da raça não deve levar, como aconteceu no passado, ao genocídio. Não se pode pensar na criação de um super-homem em laboratório, com uma pré-seleção cromossômica com as características de um banco de gênios.
Dissemos que a evolução está em uma fase de aceleração, mas a esta evolução para melhor não interessa a estrutura do homem, tanto que é a própria constituição física a ser a mais comprometida, porque os antropólogos estão convencidos de que na mutação da raça uma grande variável está impregnada de condições não culturalmente responsáveis.
(Continua) |