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EVOLUÇÃO E FUTURO DO HOMEM.
Parte I

 

Irm. Ito de Rolandis
Artigo Original
"Evoluzione e futuro dell'uomo",
da revista Hiram,
do Gr:. Or. da Itália, nº 3/92
Tradutor autorizado: Ambrósio Peters

Divulgado p/ O Prumo 86

 

Em poucas dezenas de anos a humanidade superou limites nem sequer pensáveis há apenas meio século. Como será o homem daqui a cem anos? É angustiante a pergunta que o articulista se propõe: será deveras possível, no quadro atual de uma visão ecológica da realidade, uma reconciliação do homem com a natureza?

Dentro de cem anos, somente cem anos, como será o homem que estará habitando a Terra?

No indivíduo do ano 210O prevalecerá a lógica ou o instinto? A razão ou o sentimento? Terão ainda sentido para ele as hipóteses científicas, as inquirições espirituais, as análises interiores, a magia, os cultos, as posições éticas que hoje se multiplicam numa afanosa busca de respostas acerca de nossas origens?

Como será o homem de um planeta diferente daquele naturalmente concebido, com suas chuvas ácidas de anidrido sulfuroso, seus rios esterilizados por perborato de sódio, seus mares estéreis pelos hidrocarburetos, suas terras esturricadas pelo polietileno?

A poluição terá chegado também a ferir o misticismo, o êxtase, a santidade, a ignorância, a prevaricação, a filantropia? Ambiente e consciência estarão sufocados pelos dejetos do consumismo e seus condicionamentos?

Habitualmente somos levados a examinar o passado, como se dos achados arqueológicos pudéssemos tirar elementos para decifrar as origens do homem. Interrogamos as pedras, lisas ou trabalhadas, e valorizamos as suas pequenas respostas. Hoje, contudo já parece perceber-se que o passado perde sua loquacidade e já se o preserva exclusivamente para o amanhã, tirando-se do presente o perfil do homem que estará povoando a Terra dentro de mais um século.

É através de uma análise assim, rigorosamente científica, que emergem situações desconcertantes. Fala-se com preocupação, e uma amarga convicção de se estar testemunhando uma indesejável metamorfose, incontornável no seu desenvolvimento, e sinal evidente de mudanças impetuosas que em poucos anos modificarão estruturas que ficaram imutáveis por milênios.

Ciência e metafísica não andam de acordo. Agem em um binário isolado, não se podendo atribuir a uma o que é conseguido pela outra. Mas exatamente sobre o futuro do homem parece que um diafragma, mantido ileso por séculos, vem cedendo e numa inusitada osmose de informações deixa emergir daquelas duas principais bases de pesquisa duas hipóteses novas, talvez exageradas, mas que nos fazem refletir.

EVOLUÇÃO PRECIPITADA

Nos laboratórios de Oak Ridge, Passadena e Brayton, os estudiosos se perguntam sobre o que está acontecendo; a evolução está em uma fase de impulsão, se observam mais descobertas na biofísica em um decênio do que se registraram em um milênio. Os cientistas estão convencidos de que se tenha acrescido um novo fator a teoria darwiniana, um fator que ainda não tem nome nem modelo, mas que é detectado por quem pesquisa: por milhões de anos o homem teve que se adaptar ao ambiente, mas hoje ao invés é o ambiente que se adapta ao homem.

É o homem que está a construir uma nova Terra. O homem, com sua imperfeita racionalidade, se adiante ao Grande Arquiteto do Universo, modifica o habitat que recebeu por herança dos pais, e com os inumeráveis instrumentos resultantes das pesquisas científicas, se atreve a reestruturar até suas bases genéticas. Mas, atenção, esta adaptação da natureza ao homem não é um processo fisiológico, decorrente de uma adequação. Não! Muitas vezes se trata de uma verdadeira e autêntica mutação devida a metas utilitaristas, consumistas, hedonísticas, bem distantes da natureza humana e daquela ordem que durante milhões de anos governou o nosso planeta.

(Continua)