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Eli Szwarc A.·. M.·.
Fraternidade Acadêmica Canaã – 3618
Or. São Paulo, 14 de abril de 2007.
A.·. G.·. D.·. G.·. A.·. D.·. U.·.
1 - O Simbolismo Maçônico
A Maçonaria Especulativa, na qualidade de instituição filosófica, nos estimula o desenvolvimento de uma percepção extra-sensorial, utilizando objetos simples do cotidiano, que passam desapercebidos pela maioria dos profanos, e os associa a conceitos abstratos. Tais objetos são os instrumentos da Maçonaria Operativa, que fazem parte de nosso cotidiano em loja. Assim, o Universo Físico de arquitetura, engenharia e construção se torna o substrato material para o desenvolvimento de um Universo Filosófico de idéias, ideais e condutas.
2 - O Templo de Jerusalém
O Templo de Jerusalém segue a mesma disposição do Tabernáculo, santuário portátil armado pelos hebreus para o serviço religioso, durante o êxodo do Egito. De acordo com o Livro Sagrado das Escrituras, Moisés teria recebido no Monte Horeb, no Sinai, instruções para armar um Templo portátil para guardar o Decálogo – As Tábuas da Lei, o qual deveria acompanhar o povo durante seus deslocamentos.
Existiram dois grandes Templos de Jerusalém, todos no mesmo local, no Monte Moriá, no setor oriental da cidade; local onde Abraão levou seu filho Isaac para ser sacrificado, fato não consumado por intervenção divina.
O primeiro Templo foi construído por ordem do Rei Salomão, por volta de 986 a.C. e destruído em 586 a.C., quando os babilônios de Nabucodonosor II tomaram a cidade.
O segundo foi o de Zorobabel, construído sobre as ruínas do primeiro, quando os hebreus voltaram do exílio na Babilônia, em 536 a.C..
As grandes diferenças do Templo de Jerusalém (imóvel) em relação ao Tabernáculo (portátil) eram: um grande pórtico de cinco metros de profundidade e duas grandes colunas ladeando sua entrada. Elas estavam do lado externo da edificação, e foram chamadas de Jachin e Boaz, respectivamente à direita e à esquerda. Esses nomes representam uma homenagem aos ancestrais de David e Salomão; e formam, para quem chega à porta do Templo, uma frase em hebraico, cuja leitura se faz da direita para a esquerda: J (relativo à letra hebraica Yod) corresponde ao nome hebraico de “Deus”; Achin significa “estabelecer”; Boaz significa “em força”, “solidamente”. Assim, temos: “Deus estabeleceu (o Templo) solidamente”.
As colunas eram lisas e possuíam um capitel trabalhado, no qual podiam ser encontradas folhas de palmeira, duas fileiras de romãs e lírios abertos nos quatro pontos cardinais; um pouco abaixo do capitel, envolvendo todo o fuste, havia três fileiras de lírios; a primeira de botões, a segunda de flores e a terceira de flores murchas, simbolizando as três etapas da vida humana.
3 - O Templo Maçônico
Da mesma maneira que no Templo hebraico, onde as colunas eram exteriores, no Templo Maçônico elas devem estar, rigorosamente, no átrio. Como isso nem sempre é possível, admite-se sua interiorização, desde que fiquem junto à porta ocidental e que considere que elas marcam os limites do Templo.
Já que o Templo Maçônico representa a Terra, as colunas marcam a passagem do Trópico de Capricórnio, ao Sul, e de Câncer, ao Norte, com a linha do Equador passando entre elas, e indo ao Delta, no Oriente.
O Templo Maçônico é sustentado por três colunas, assim designadas: Força, Beleza e Sabedoria.
A Coluna da Força, representada em loja pelo P.·. Vig.·. situada no Norte, segue a arquitetura Dórica, recebe a inscrição da letra B e nos remete à figura de Hiram, rei de Tiro. É a Coluna dos aprendizes.
A Coluna da Beleza, representada em loja pelo S.·. Vig.·., situada no Sul, segue a arquitetura Coríntia, recebe a inscrição da letra J e nos remete à figura de Hiram Abif, arquiteto do Templo do Rei Salomão. É a Coluna dos companheiros.
A Coluna da Sabedoria, representada em loja pelo V.·. M.·. situada no Oriente, segue a arquitetura Jônica, e nos remete à figura do Rei Salomão. É a Coluna dos mestres.
4 - A Coluna Esquerda do Templo Maçônico /A Coluna do Aprendiz/A Coluna da Força / A Coluna Boaz
A Coluna Esquerda do Templo Maçônico recebe a inscrição da letra B, em referência à Coluna Esquerda da entrada do Templo do Rei Salomão, assim chamada de Boaz, em homenagem ao bisavô de David, que significa “em segurança” ou “na força”.
Boaz viveu num período entre 1000 e 450 a.C., na cidade de Belém, em Canaã. É descrito nas escrituras como um rico dono de terras, homem de fé, sábio, justo e piedoso, valente e poderoso. A história de sua vida está registrada no livro de Rute.
Naquela época, o povo hebreu vivia sob o domínio do Império Persa, um período de opressão, fome e injustiça social.
A Lei de Israel preconizava que os pobres, órfãos e viúvas tinham direito a catar do chão dos campos de colheita o necessário para sua subsistência, o chamado “rebusco”, além de reservar as bordas dos campos aos necessitados, a chamada “peá”. Boaz, homem bom, justo e solidário, instruía seus empregados a deixarem nos campos quantidade além da habitual para os pobres. Além disso, Boaz é descrito com distinção no tato com seus próprios serviçais, ao cumprimentá-los e abençoá-los em várias ocasiões.
5-Reflexões:
-Sobre o Simbolismo Maçônico:
O grande desafio de todo maçom é saber utilizar nosso constante exercício de simbolismos da convivência maçônica, em nossa vida cotidiana: enxergar além de um simples objeto, compreender além de uma simples equação, e agir com retidão.
“O que perturba e engrandece verdadeiramente um homem não são as coisas, mas suas opiniões e fantasias sobre elas” - Epíteto , filósofo da Grécia antiga.
-Sobre o Templo de Jerusalém:
Alguns autores sugerem que as Colunas Externas não faziam parte da planta inicial do Templo. Eles acreditam ter existido influência da arquitetura de Tiro, de onde vinha grande parte dos materiais para a construção do Templo. O que isso pode nos dizer? Que podemos sim, construir nosso patrimônio intelectual e moral, aproveitando de boas influências externas na edificação no nosso “Templo Interior”, rompendo nossos preconceitos do desconhecido.
“Saber é ser capaz de aprender” – Martin Heidegger, filósofo alemão.
Além disso, o Templo foi destruído e reconstruído no mesmo lugar. Isso serve de inspiração na nossa luta diária no mundo profano, frente às hostilidades do mundo moderno. Devemos reconstruir nosso “Templo Interior” quantas vezes necessário for.
“A Ciência aumenta nosso poder na mesma proporção em que diminui nosso orgulho” – Claude Bernard, fisiologista francês.
As Colunas do Templo de Jerusalém formavam uma frase ao visitante que dele se aproximava. Da mesma maneira, em nossa vida, erguemos “colunas virtuais” em nossos relacionamentos. Cabe a nós escolhermos a melhor frase para recebermos nossos visitantes, baseados nos preceitos maçônicos mais elevados.
“Em matéria social, é o rótulo impresso na garrafa que determina a qualidade e o sabor do vinho” – José Maria Eça de Queirós, escritor português.
As três fileiras de lírios que enfeitavam as Colunas (botões, flores e flores murchas) simbolizam as três etapas da vida humana. Pode ser entendido com nascimento, evolução e morte. Mas, pode ser comparado a nossos laços na sociedade. Na infância, conquistamos pela força, utilizando os instintos. Na adolescência, a beleza tem seu papel. Mas é na maturidade que a sabedoria reina.
“Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo” – Cora Coralina, poetisa goiana.
-Sobre o Templo Maçônico e a Coluna B:
Em primeiro lugar, devemos admirar a homenagem que o Rei Salomão fez a seu antepassado, utilizando seu nome em alegoria tão simbólica. A primeira lição: honrar sua casa, dignificar seu nome e se orgulhar de sua origem, o seu “Canto Nordeste”. Além disso, associamos Boaz a um homem de “atitude”, com “força” de caráter e “segurança” de suas ações, lutando contra convenções sociais e pregando igualdade e fraternidade, baseado em preceitos judaicos de caridade. E isso deve nortear a coluna do aprendiz, para que a força (de caráter) consiga lapidar a pedra bruta que jaz em sua fileira, e que consiga chegar à beleza da pedra polida, da Coluna J. Sigamos o exemplo de Boaz.
“A ciência sem religião é capenga; a religião sem ciência é cega” - Albert Einstein, físico alemão.
“A prece é realmente boa, mas, enquanto pede a Deus, um homem deve ele mesmo dar a mão” – Hipócrates, médico grego.
“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar” – Martin Luther King, Irm.·. pastor protestante americano.
“O gênio dá início às grandes obras, mas só o trabalho as termina” – Joseph Joubert, escritor francês☆ |