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Irmão Roberto C. Hailler Chirend
Loja Ampliora Lucis 183
São Paulo
Fonte "A verdade" 357
A pedra cúbica é o símbolo da medida áurea, do desenvolvimento harmônico e equilibrado que supera todas as deficiências e controla a tendência para os excessos de qualquer natureza, pois todo excesso, em qualquer sentido, é uma falta de controle e discernimento.
Exceder-se, em qualquer sentido, é uma deficiência, pois indica a falta de qualidade oposta que deve controlar esta tendência. É uma das asperezas alegóricas da pedra bruta que deve ser desbastada, é uma irregularidade no desenvolvimento, em determinado sentido que, nos afasta do equilíbrio perfeito e da perfeição cúbica ideal.
A beleza da figura humana, assim como a de um edifício ou obra de arte é da mesma maneira função e resultado do grau de equilíbrio, harmonia e proporção perfeita entre todas as partes que compõem o conjunto. Quando existir desproporção e excesso, em qualquer sentido, manifestar-se-á a imperfeição que afasta a obra da medida áurea. A beleza imortal e proverbial das estátuas gregas deriva, precisamente, deste sentido de equilíbrio e harmonia que eliminava todos os excessos e que constitui a característica mais evidente da antiga cultura helênica. O que os gregos mais reprovavam nos estrangeiros era esta tendência habitual para a falta de equilíbrio e harmonia.
A saúde perfeita e a eficiência física, também dependem do grau de justo equilíbrio, harmonia e proporção que sabemos manifestar em nossos hábitos fisiológicos; todo excesso, em qualquer sentido, se converte em elemento destrutivo, enquanto a sóbria frugalidade caracteriza ao Mestre.
No campo moral, todo vício é um mau companheiro que é preciso revelar e disciplinar, para que não siga exercendo uma influência destrutiva sobre a obra da vida e acabe tornando inepta a pedra que deveria ocupar seu lugar no edifício social e humano.
O mesmo deve ser dito, no plano da inteligência, das diversas qualidades e faculdades que caracterizam a genialidade verdadeira, ou seja, a produtiva e a fecunda. O chamado gênio não é constituído somente pelo desenvolvimento da faculdade da memória, nem da imaginação; não consiste unicamente na abundância das idéias, nem no desenvolvimento da concentração. Nenhuma dessas qualidades, isolada, produz o gênio verdadeiro, que só se realiza com o perfeito desenvolvimento equilibrado de todas as qualidades da inteligência sem que haja excessos e desde que cada uma dessas qualidades e faculdades seja capaz de conservar o lugar ao qual pertence e atuar em perfeita harmonia as demais.
O iniciado deve comunicar-se com os planos superiores.
A intuição, quando desacompanhada do raciocínio, pode dar a percepção imediata da verdade, porém impede aquele que a percebe de expressá-la devidamente; enquanto que o raciocínio sem a intuição nos faz girar pelo campo das concepções e criações intelectuais, sem porém atingir aquelas regiões superiores onde resplandece a verdadeira luz e onde se pode perceber a razão intima das coisas. O que necessitamos é de uma cooperação e um desenvolvimento harmônico de ambas faculdades.
É este equilíbrio, esta ausência de excessos que pode fazer da pedra bruta a pedra cública útil ao edifício, ou seja, tornar-rios tais como nossa evolução necessi . ta.
Este trabalho deve ser feito por si mesmo, obter um aperfeiçoamento, sentir as misteriosas harmonias das esferas superiores, unir-se a estas harmonias e compreender que elas não podem ter sido formadas nem por acaso nem sem uma finalidade. É preciso que o iniciado se coloque por ele mesmo num estado físico e moral que permita estas revelações que resultam de uma iluminação última que se merece.
A Maçonaria, como centro iniciática verdadeiramente formado visando procurar a luz e não como organização materialista, pode colocar o iniciado sobre a senda e ser o guia e o apoio do verdadeiro pesquisador, mas ao atingir uni certo estado de evolução, tem o iniciado, o dever de deixar-se colocar por si mesmo em comunicação com os planos superiores.
O iniciado que atinge este plano de contato com as forças superiores é simbolizado pela Estrela Flamejante, e neste estado de perfeição, o ser humano irradia em torno de si todas as forças benéficas das quais se tornou senhor. Imaginemos agora, Iodos os seres humanos, senhores de si mesmos e possuidores de tais forças dirigindo-as para o bem, todas as paixões e vícios dominados e submetidos à bondade e à razão; e assim como nas sociedades pitagóricas, as forças de cada um pertenceriam aos sofredores, aos fracos. O mal deixaria de existir e o Sol espiritual, perfeito chegaria e espalharia seus raios por todo o universo. |