MAÇONS

 

 

 




* Fernando Henrique Becker Silva - Sênior DeMolay
Nasceu em Nossa Senhora do Desterro, Santa Catarina.
Iniciado ma Ordem DeMolay no Capítulo “Vale do Itajaí” N° 79, foi mestre Conselheiro em 1999. É cavaleiro do Convento “Sir Lancelot” N° 04 desde 1998. Foi idealizador e primeiro bibliotecário da Biblioteca Catarinense da Ordem DeMolay “Wilton Cunha”, também em 1998. É formado em Direito pela Universidade Regional de Blumenau – FURB, exercendo atualmente a profissão de advogado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(1) Ir. Kurt Prober esteve presente à reunião da Loja "Fraternidade Blumenauense" Nº 6 em 27 de novembro de 1959, quando apresentou a palestra "Desenvolvimento da Maçonaria no Brasil".

2 Carlos Alberto de MELO (op.cit., p. 303), afirma que nesta Loja teria sido elevado ao Grau de Mestre Maçom.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 Tradução do Sr. Jacson Rudolfo Rekowsky: "Blumenau foi apoiado principalmente pelos hamburgueses, que viam na colônia do Brasil um aumento de negócios com a América do sul”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 Kurt PROBEIR (1961, p.30) e Edith KORMANN (1994, p.29) apontam 24 de junho de 1870 como a data de fundação da Irmandade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 Segundo PROBER (1961, p.30), a casa teria dado lugar à ala nova do Hospital Santo Antônio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


6 Através da Lei n., 860, de 04 de fevereiro de 1880, a freguesia de São Pauto Apóstolo de Blumenau foi elevada à categoria de Município, sendo desmembrada do município de 1tajaí. No entanto, em razão da grande enchente de setembro / outubro daquele ano (15,3m), a instalação do Município deu-se somente em 10 de janeiro de 1883.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 Data apresentada por Kurt PROBER (op. cit., p. 30), fundado no Calendário Maçônico Alemão; e confirmada pelo Ir. José GONÇALVES (ob. cit., p. 146).

8 Tradução do Sr. Rekowsky: "O jornal da Loja de Hamburgo (Das Hamburger Logenblatt) de Julho de 1885 notifica que, havia pouco, se constituíra uma Loja em Blumenau, a Zur Friedenspalme, e que seu Mestre de Cadeira, Wilheilm Scheeffer, foi encarregado de instalar e abrir a Loja a pedido da Grande Loja de Hamburgo".

9 Doada pela Sra. Jamile Hartmann.

Hermann Bruno Otto Blumenau

A Maçonaria em Blumenau

 

 

 

Fernando Henrique Becker Silva *

 

 

 

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blumenau


A História da cidade de Blumenau, sempre esteve, intimamente, ligada com a Maçonaria:- às vésperas da Primavera de 1850, o maçom Hermann Blumenau, Doutor em Filosofia, pela Academia Real Ludovico (23.03.1846), fundou a colônia que leva seu nome.

Filho de Karl Friedrich Blumenau e Christine Sophie Kegel, Hermann Bruno Otto Blumenau nasceu em 26 de dezembro de 1819, em Hasselfeld, na Alemanha. Faleceu quase oitenta anos depois, em 30 de outubro de 1899, na cidade alemã de Braunschweig.

Quanto à sua vida maçônica, entretanto, perdura ainda bastante discussão: Segundo Kurt PROBER (1) (1988, p. Z – 40), Dr. Blumenau foi iniciado em 1845, na Loja "CARL ZUR GEKROENTEN SAEULE”, de Brunsviga (sic), na Alemanha.

Para Carlos Alberto de MELO (1982, p.303), o colonizador alemão foi iniciado em 1845, mas na "VEREINIGTE FREIMAURERLOGE" da cidade de Erlangen. (2)

Já Ursula e Ulrich MUNCHHOV (1984) anotam:

"O Arquivo da cidade de Erlangen guarda um documento escrito por seu próprio punho: 'Hermann Blumenau, agricultor, residente às margens do Rio Itajaí, no Brasil', datada de Erlangen, 9 de fevereiro de 1849, no qual pede admissão na Erlanger Freimaurerloge (Loja Maçônica de Erlangen). Uma anotação a lápis, Nº 632: eliminado 1863, prova que foi aceito como membro. É mister lembrar aqui que principalmente em Hamburgo, estava a sede dos armadores e comerciantes que apoiavam os planos de Blumenau. A maçonaria desempenhava um papel relevante como congregação de pessoas ligadas à economia, artes, ciências, além das barreiras profissionais e sociais".

Ou seja, segundo estes últimos, o Dr. Blumenau teria sido iniciado na Maçonaria somente após sua primeira viagem ao Brasil, em 1846. Nada obstante, é certo que ao vir para o Brasil pela primeira vez, o sagaz colonizador trazia consigo uma carta de recomendação do também maçom alemão Alexander von Humboldt.

Conforme anotação no documento encontrado por Ursula e Ulrich MUNCHHOV, o Dr. Blumenau teria sido eliminado da "Vereinigte Freimaurerloge" em 1863, provavelmente por falta de freqüência e de pagamento - afinal, ele estava no Brasil.

Ocorre que a pequena vila do Sul do Brasil foi crescendo e se desenvolvendo, surgindo assim a necessidade de escoamento da sua produção. Dr. Blumenau, desejando promover a comercialização dos produtos coloniais e divulgar o potencial de sua colônia no Velho Mundo, decidiu ofertar seus produtos no mercado alemão, cuja principal porta de entrada era a cidade portuária de Hamburgo. Lá, em contato com os grandes barões do comércio - em sua grande maioria maçons - acabou sendo convidado a regularizar-se naquele Or. Desta forma, acabou ingressando na Loja "ABSALOM ZU DEN DREI NESSELN", Nº 1, a mais antiga Loja da Maçonaria moderna da Alemanha (1737), pertencente à "GROPEM LOGE VON HAMBURG" (Grandes Lojas de Hamburgo).

E na condição de maçom, Blumenau angariaria bastante apoio dos hamburgueses para a Colônia, conforme destaca STEFIFENS: "Unterstützt wurde Blumenau in Deutschland hauptsächlich von den Hamburgern, die sich aus einer Kolonisation in Brasilien einen Aufschwung ihres Handels mit Südamerika versprachen”. (3)

O Ir. José GONÇALVES, membro da Academia Catarinense Maçônica de Letras, numa peca de arquitetura intitulada "O Doutor Blumenau e a Maçonaria Blumenauense" traz detalhes do período em que se deu o ingresso do importante maçom na Loja de Hamburgo:

“No ano de 1865, o fundador viajou para a Alemanha já com a idade de 46 anos”. “Deixou a colônia sob a administração de seu notável colaborador Hermann Wendenburg”.

Foi nesta ocasião e nos anos que se seguiram, enquanto ele permanecia na Alemanha fazendo o trabalho de aliciamento de novos imigrantes, que Hermann Blumenau pôde desenvolver seus estudos e realizar-se maçom na autenticidade. Regularizou sua situação de aprendiz maçam na Loja de Hamburgo, a Apsalon nº 3 e a mesma freqüentou durante quase quatro anos, isto é, até retornar a Blumenau no dia 23 de novembro de 1869, trazendo consigo, além da condição de Mestre ou talvez de Mestre instalado, sua esposa Berta (nascida Repsold) e seu primogênito Pedro Hermann. Seu casamento ocorreu em 21 de março de 1867".

E como estava estabelecido no Brasil, o Dr. Blumenau teve permissão para fundar em terras tropicais uma Loja Maçônica. Assim, por volta de 1870 e junto de outros maçons que moravam no povoado, fundou a "ZURFRIEDENSPALME”. (4)

O Ir. José GONÇALVES (1978, p. 143), esclarece as origens desta Irmandade:

"( ... ) conclui-se que, a loja teria existido a partir ou até antes de 1870, mas em forma de uma associação de maçons que se reuniam, habitualmente em ambientes diversos, secretamente, quando praticavam os rituais maçônicos e desenvolviam os estudos filosóficos, assim como também seriam, tais reuniões, para estreitar os laços de amizade que uniam essas personalidades, cuja cultura e inteligência estavam muito acima do nível intelectual da grande maioria da população formada por imigrantes e descendentes destes, cuja principal atividade era o da agricultura. Sentindo, por isso mesmo, necessidade de palestras, diálogos, troca de idéias de sentido mais elevado, dentro de um nível de cultura que os identificava, eles resolveram promover a fundação da comunidade maçônica, sem todavia conseguir oficializar a existência de uma loja regular, senão muitos anos mais tarde. Nas reuniões que passaram a realizar periodicamente, muitos assuntos devem ter sido debatidos, todos do maior interesse da novel colônia, assim como os passos que deveriam ser dados para oficializar a existência da primeira loja maçônica em Blumenau".

A Loja oficiava de acordo com o rito de Schroeder, e desenvolvia seus trabalhos, numa antiga casa de colono, situada à Rua 1tajahy, no bairro Vorstadt, que seria posteriormente um asilo de anciãos, e depois, serviria como residência (Rua Itajaí, nº 516 ) (5)

E assim a Irmandade acompanhava o caminhar manso (mas não necessariamente tranqüilo) do progresso da pequena vila germânica. Seus membros participavam ativamente dos principais acontecimentos locais, profanos ou não, como foi o caso da grande enchente de 1880, conforme conta a professora Edith KORMANN (1994, p. 145):

"Um fato que marcou Blumenau após a grande enchente de 1880, foi o auxílio recebido da Loja Maçônica "Zur Eintracht" (Concórdia) de Porto Alegre da quantia de 2:667$000, quantia esta agradecida pela Comissão de Socorro integrada pelo Padre Jacobs-Vigário, Wilhelm Scheeffer, Heinrich Probst, Louis Sachtleben, P F Faust, Julius Baumgarten, Franz Lungershausen, Doutor Blumenau, Dr. Fritz Mueller e Viktor Gaertner, em carta de 2 de janeiro de 1881”.

Já Carlos Alberto de MELO (1982, p. 303) elenca os nomes dos OObr. que viram a instalação do Município (6):

“Em 1883, quando da instalação do Município de Blumenau, a Loja
Maçônica Zur Friedenspalme tinha como membros ativos os seguintes irmãos: Hermann Bruno Otto Blumenau, Wilhelrn Scheeffer, Friederich van Ockel, F Bockelmann, Luiz Altenburg Sênior, Gustavo Salinger e Pedro Feddersen, dentre outros". (MELO, p.303)

O Ir.Wilhelm Scheeffer, na ocasião, assumia como Juiz de paz.

A Loja, no entanto, não estava oficialmente regularizada, o que causava certo desconforto ao Dr. Blumenau, conforme deixa claro em uma carta endereçada aos seus IIr. Scheeffer, Saltinger, Altemburg, e Lungershausen, datada de 4 de agosto de 1884 (apresentada pelo Ir. José GONÇALVES, 1978, p. 145):

"( ... ) Tendo em vista as irregularidades verificados entre os nossos irmãos de Joinville, Rio de Janeiro e Hamburgo e que diga-se de passagem, foram bastante desagradáveis, não acho aconselhável, conveiente e acho até certo ponto ilegal e de mau sentido político, se a nossa Loja não se filiar ao Grande Oriente do Brasil, o país em que queremos ou teremos de viver, para filiar-se a uma ordem maçônica do exterior. Os motivos deste meu modo de Pensar, já tive oportunidade de expressar verbalmente a todos, não sendo mais necessário repetir aqui em pormenores.

Além do mais, eu sou de opinião de que nossa loja não seja considerada brasileira nem alemã, mas sim, uma loja teuto-brasileira e que essas características sejam oficializadas através dos timbres dos carimbos e dos selos, utilizando-se as denominações simultâneas de 'Palma da Paz' e 'Friedenspalme'.

Na vida comum, existem preconceitos e lados especiais que a gente não deveria ferir, assim como existem fatos de somenos importâncias que a gente não devia deixar de lado, em se tratando de fazer o bem e evitar de fazer o mal. As pessoas cultas e esclarecidas, dotadas de experiência, aceitam os homens sejam eles maçons ou não, como eles de fato são e não como eles poderiam ou deveriam ser. - Saudações tríplices e fraternais. Assinado - Hermann Bruno Otto Blumenau"

Em 15 de agosto de 1884, Dr. Blumenau retornou definitivamente para a Alemanha, tendo, a partir daí, trabalhado para a regularização da Loja "Zur Friedenspalme" junto às Grandes Lojas de Hamburgo, tendo sido exarada, em 24 de junho de 1885 (7),
a Carta Magna de Reconhecimento pelas Grandes Lojas de Hamburgo. Estava oficialmente fundada a Loja Maçônico "ZUR FRIEDENSPALME".

Manfred STEFFENS (p. 77) anota que: "Das Hamburger Logenblatt vom, Juli 1885 vermerkt, dab sich in Blumenau vor kurzem eine Loge, Zur Friedenspalme' konstituiert habe und dab ihr Meister vom Stuhl, Wilhelm Scheeffer, beauftragt worden sei, die Loge im Auftrag der Groben Loge von Hamburg zu installieren und zu eröffnen". (8)

Encontra-se no Arquivo Histórico Prof. José Ferreira da Silva, a original de uma carta (9)
datada de 1º de outubro de 1885, assinada pelos IIr. W. Scheefer e Gustav Salinger, e endereçada ao Sr. Ottokar Dörffel, da cidade de Joinville, convidando-o para participar da instalação da Loja "Zur Friedenspalme" em 10 de novembro daquele ano.

Por fim, em carta endereçada ao Ir.-.Frederico von Ocket, datada de 1º de dezembro de 1885, o Dr. Blumenau informava-o: "Grandes novidades não tenho para lhe contar sobre os progressos e inovações em nossa colônia, já que isso deve ter sido informado pelos srs. Scheidemantel e o Diretor Stutzer. Fora isso, a novidade que tenho é a de que a nossa Loja 'Friedenspalme' já foi instalada e também reconhecida pelas Grandes Lojas de Hamburgo". (GONÇALVES, 1978, p. 146)



zur

 

A primeira Loja Maçônica de Blumenau, que teve em suas fileiras outras figuras ilustres como o Pastor Oswaldo Hesse, funcionou até meados de 1900, quando encerrou seus trabalhos. Os Calendários Maçônicos fazem menção à Loja "Zur Friedenspalme" até o ano de 1901, quando teria finalmente abatido colunas.

A PLAQUETA COMEMORATIVA

Com a morte do Dr. Blumenau, em 30 de outubro de 1899, em Braunschweig, Alemanha, foi encomendada uma plaqueta de bronze (78gr; 55x88mm) a MAX VON KAWACZYNSKI, cunhada em Berlim, numa homenagem póstuma ao maçom fundador da cidade.

Há controvérsias se quem encomendara a medalha teriam sido os maçons da colônia Blumenau, ou membros da Fraternidade Maçônica Irmãos da Colônia'', em Berlim.

Meio século mais tarde, quando dos preparativos da festa dos 100 anos de fundação da cidade de Blumenau, foi nomeado o Frei Ernesto Emmendoerfer

como presidente da Subcomissão do Livro do Centenário de Blumenau. O clérigo, avesso à Maçonaria, mandou o Sr. Frederico Kilian cortar aquela plaqueta, abstraindo as evidências de que Dr. Hermann Blumenau, (com justiça) tão elogiado nas páginas da obra, era maçom.

Um dos exemplares da relíquia pode ser encontrado no Museu do Grande Oriente do Brasil, no Or.do Rio de Janeiro. No acervo do Museu da Família Colonial de Blumenau, pode ser encontrado um molde de gesso da plaqueta, sob número de registro 91.411.

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