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Extraído
do Editorial da Revista Maçônica "O Prumo",
Ano II, No 06, Janeiro-Fevereiro de 1951
É a pergunta
que escapa diariamente daqueles que ainda acreditam na reabilitação
da Maçonaria.
A desagregação que se observa, examinada à
luz cristalina da verdade, espelha sem dúvida, o lúgubre
aspecto de uma realidade que não permite rodeios ou simulações
para ludibriar os tolos ou noviços.
No Brasil, principalmente, ela é comparável ao arco-íris,
que depois de sua fase encantadora e admirada, cujas cores são
símbolos tão ligados aos rituais maçônicos,
significando profundos ensinamentos morais, esmaece lentamente,
até o seu completo desaparecimento.
Também a Maçonaria já teve sua fase áurea,
brilhantíssima, em pleno pontificado da sua intromissão
nos destinos políticos de nossa Pátria e na campanha
da emancipação de nossos pretos, fazendo em nosso
território, o mosaico dos seus templos, onde a igualdade
não distingue raças.
Os templos maçônicos foram a escola dos maiores brasileiros
do 1o e do 2o Império, a quem a Pátria reconhecia
e aos quais mantemos consagradora veneração, que escreveram
as páginas mais belas de nossa história política.
Não soubemos guardar herança tão rica de homens
e de fatos. Ao contrário, temos, dissipado-a em erros graves
e numa continuidade sucessiva em busca disto que ainda resta e que
está visível aos nossos olhos e até da sociedade
profana que, por não conhecer tudo de nossa intimidade, apenas
sentencia: "A Maçonaria não vale mais nada".
Encontraremos ainda que os grandes maçons daqueles tempos,
são esses que estão sagrados pela opinião pública,
consagrados em monumentos de nossas cidades ou com seus nomes em
nossas ruas, lembrando a nossa gratidão e conclamando os
porvindouros aos seus exemplos de civismo e de patriotismo como
benfeitores que foram da Humanidade.
A Maçonaria Brasileira ressente-se de chefes, porque os que
a dirigem não possuem a cultura intelectual dos seus princípios
nem a formação moral necessária ao desempenho
integral do malhete da Sabedoria e da Justiça.
O que se verifica é a permanência e a oligarquia dos
cargos, para a locupletação de interesses pessoais.
Há exceções honrosas e conhecidas.
As Grandes e Antigas Constituições, os Regulamentos
Gerais, os Códigos e Rituais têm sido podados, seguidamente,
a fim de tornar mais fácil a autoridade discricionária
dos seus dominadores e afastados aqueles que possam fazer sombra
aos condecorados de títulos e de peitos adornados com medalhões
de ouro, prêmios merecidos pelo mal que vêm fazendo
à Instituição.
Aos batedores de palmas, nos templos como nos ágapes, são
distribuídos títulos de "beneméritos",
como buchas, para ridículas auto-biografias.
Os que não suportam tal ambiente, afastam-se, como único
recurso que lhes resta.
A seleção tornou-se um mito. A escolha dos dirigentes
que outrora era um direito de grave responsabilidade, desapareceu
pela submissão imposta pelos prepotentes.
As sessões maçônicas estão alcunhadas
de "sessões de malhetes".
Não vemos constantemente a indiferença dos maçons
que não comparecem às suas Lojas e estas ou realizam
suas sessões com o quorum mínimo ou nada fazem? Entretanto,
nas sessões de iniciação a fraternidade toma
força e vigor, não propriamente pelo fim ritualístico,
mas pelos deliciosos salgadinhos e bebidas dos banquetes, onde aparecem
conhecidos "jacarés"?
Se não fosse demais dizer, seria o momento de profligar o
comportamento de alguns que após o banquete vão fazer
a sobremesa nos bordéis, aos quais conduzem os aprendizes
que ouviram alguém na iniciação alguém
que lhes dizia: "segui com passo seguro vosso guia e nada receieis".
A Maçonaria é ainda motivo para responder pelas pandegas
dos maçons que voltam à casa em horas adiantadas da
noite.
É este o panorama de uma instituição que diz
levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício.
O que cada um deve fazer é consultar sua própria consciência
e dela invocar: Qual a solução?
O indiferentismo, esteio de uma situação que avilta
e desmorona a Instituição, ou a reação,
para destronar os bezerros de ouro?
Infeliz de quem perdeu a personalidade e prefere a submissão
incondicional que é a posição dos covardes
morais.
Impõe-se a meditação de tão magno problema,
para encontro da solução salvadora. |