Samaúma - PORTAL MAÇÔNICO
 

 

 

 

 



 

* é Desembargador
É Irm da
Loja Maçônica Acácia Teresinense n° 1234
Teresina - Piauí

 

 

Dia do Maçom
Poema
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20 DE AGOSTO ou 9 DE SETEMBRO
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Dia Nacional
do Maçom
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4 Partes


Dia do Maçom

O Homem


 

 

 

 

Irm. José Soares de Albuquerque *
Agosto de 2003

 

 

 

É com muita emoção e sobremodo honrado, pela escolha do meu nome, que atendo à designação do Eminente Grão Mestre do Grande Oriente do Piauí, Irmão JOSÉ LEITE GONDIM CAVALCANTI, para dizer algumas palavras aos Amados Irmãos sobre a importante data que hoje comemoramos - o DIA DO MAÇOM.

O tema escolhido para o pronunciamento que agora faço a tão seleta assistência é o HOMEM - este laboratório onde se processam experiências espetaculares, em todos os ramos da atividade humana, na sua busca incessante pelo aperfeiçoamento das idéias e por sua satisfação pessoal, profissional e material.

Mas não fica só nisso: procura o HOMEM, desde os primórdios da Humanidade, a sua satisfação espiritual, como elemento essencial ao seu bem-estar, ao lazer, ao entretenimento, ao trabalho, enfim, à sua afirmação no meio social. E para que ele alcance esse “desideratum”, torna-se imprescindível que sele se encontre consigo mesmo no caminho de uma verdade insofismável, que acaba sendo o meio e o fim da sua trajetória terrena: a Fé.

Bem a propósito, Pearl Buck, que viveu entre (1892 e 1973) e foi uma das mais brilhantes romancistas americanas, ao escrever um romance tendo como cenário a China, testificou: “Não sinto necessidade de nenhuma outra fé, senão da minha fé nos seres humanos. Como antigamente Confúcio, estou tão absorta no milagre da Terra e da vida sobre ela que não posso pensar no céu e nos anjos. Tenho bastante para esta vida. Se não há outra, bastou esta para que tenha valido a pena eu ter nascido como ser humano”.

Cito, ainda, com imenso prazer, o que pontificou em seu discurso de posse, na Academia Piauiense de Letras, o Colega-Magistrado e escritor OTON LUSTOSA, acerca do tema enfocado nesta palestra:

“ O homem não busca apenas satisfazer as suas necessidades materiais. Para viver, plenamente, busca a satisfação espiritual. Cheio de poder, posto que dotado de inteligência - esta explosiva força criadora - o homem transforma o mundo. Escarafuncha, mexe, bisbilhota as coisas da natureza... Queda-se extasiado diante das belezas naturais... Encafifa-se com os mistérios que levam à perfeição das coisas criadas... Chega a uma conclusão derradeira, inapelável: Deus existe! Mas... De tanto investigar termina por concluir que algo deve ser melhorado ainda neste mundo de Deus. Quer o homem o mundo ao seu serviço, útil e prático; que lhe proporcione um estado tal de bonança, inenarrável, sublime. Algo a que deu o nome de felicidade! Eis o objetivo primeiro e último do gênero humano: Ser feliz! Por isso transforma, modifica, cria, destrói, luta. É a tal felicidade como uma miragem, ora perto ora longe. E haja esperanças e haja angústias e haja sonhos!

E enfatiza, mais adiante, o imortal Oton Lustosa: “ Nesta sua caminhada terráquea, a estação que o leva a mais aproximar da felicidade é a contemplação da Beleza. É aí que as artes ocupam importantíssimo papel na vida do homem”.

Caríssimos IRMÃOS:

Os nossos Templos Maçônicos, como sóe acontecer com o nosso querido Palácio Pelicano, rendem-se ante a beleza e a perfeição. Lutamos todos indistintamente, por uma beleza estética e uma beleza interior, sem discrepâncias no conjunto harmonioso de nossa paz social. E sobre a beleza, particularmente, cedo a palavra ao escritor OSCAR WILDE, irlandês (... 1854 - 1900), citado por ALDO DELLA NINA, em Dicionário da Sabedoria: “ A beleza é a única coisa que o tempo não pode prejudicar. As filosofias desfazem-se como areia; as crenças passam uma após outra; mas o que é belo é um prazer para todas as estações, uma possessão para toda a eternidade”.

Todavia, quanto à felicidade almejada e tão sonhada pelo HOMEM, insiro dois pensamentos, o primeiro de Alexandre Pope, escritor inglês ( 1688 - 1744), autor de poemas didáticos ( Ensaio sobre a Crítica e Ensaio sobre o Homem), transcritos no Dicionário Universal Nova Fronteira de Citações, de autoria de PAULO RÓNAI e, o segundo de RAQUEL DE QUEIROZ.

Ei-los, pela ordem: “ Oh, felicidade! fim e alvo do nosso ser! Bem , prazer, bem-estar, satisfação! qualquer que seja teu nome: Aquele algo que leva ao suspiro eterno. Que nos faz suportar a vida e ousar a morte”; “ Para o homem da cidade, ser feliz se traduz em “ter as coisas” : ter apartamento, rádio, geladeira, televisão, bicicleta, automóvel. Quanto mais engenhocas mecânicas possuir, mais feliz se presume. Para isso se escraviza, trabalha dia e noite, e se gaba de bem-sucedido. O homem daqui, seu conceito de felicidade é muito mais subjetivo: ser feliz não é ter coisas; ser feliz é ser livre, não precisar de trabalhar. E, mormente, não trabalhar obrigado”.

Trago à apreciação de meus amados Irmãos Maçons, também, dois pensamentos de Blaise Pascal (1623-1662), escritor francês, matemático, físico e filósofo, extraídos do Dicionário Universal de Paulo Rónai, sobre os temas: “ Homem no Universo e o Homem Natureza”.

O primeiro: “Quando considero a duração mínima de minha vida, absorvida pela eternidade precedente e seguinte, o espaço diminuto que ocupo, e mesmo o que vejo, abismado na infinita imensidade dos espaços que ignoro e que me ignoram, assusto-me e assombro-me de me ver aqui antes que lá, pois não há razão por que antes aqui do que lá, antes no presente do que então. Quem me pôs aqui? Pela ordem e conduta de quem este lugar e este espaço me foram destinados?”

O segundo pensamento anunciado: “ Afinal, que é o homem na Natureza? Um nada, se comparado ao infinito: um tudo, se comparado ao nada; um meio entre nada e tudo. Infinitamente afastado da compreensão dos extremos, o fim das coisas e seu princípio estão para ele invisivelmente escondidos num segredo impenetrável, igualmente incapaz de ver o nada de onde é tirado e o infinito pelo qual é absorvido”

Registro, por um dever de consciência, o que ouvi dizer, certa feita, o meu professor de História, Waldir Gonçalves, sem atribuir autoria do pensamento: “ A história é a mestra da vida”. E é exatamente nesta linha de raciocínio, que me permito oferecer aos Amados Irmãos o conceito de história de C. Cantu, tirado do Livro Dicionário da Sabedoria, para melhor posicionamento do que aqui afirmei:

“A história é a narração dos acontecimentos importantes, admitidos como verdadeiros, com o fim de obter do passado probabilidades para o futuro, no desenvolvimento da atividade espontânea do homem. A história tem por fontes: 1º a experiência própria; 2º a narração das pessoas presentes aos fatos, ou que poderão ter conhecimento deles; 3º os monumentos que os atestam. Para que a História se torne uma ciência, as tradições vagas e sem nexo não lhe bastam; precisa de fatos verificados, observados, classificados e bem descritos”.

Nesse mesmo diapasão, tomo como abono de meu sentir as palavras candentes de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, na mesma obra mencionada: “ Uma curva descrita no espaço, eis o que é a história, rastro luminoso do mais brilhante dos planetas: o homem.”

Portanto, meus Amados Irmãos Maçons, a História da Maçonaria Universal se resume ao tópico central desta palestra: O HOMEM COMO FONTE INESGOTÁVEL DE SABEDORIA, IMBUÍDO DA VONTADE FÉRREA DE ATINGIR OS SEUS OBJETIVOS, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA. E nem é preciso lembrar (ou relembrar) que dezenas - ou quiçá milhares - de Irmãos nossos tiveram as suas vidas ceifadas em lutando por uma causa nobre, isto é, a de difundir, de propagar, no Universo, os fundamentos da nossa notável Instituição Maçônica, que se assentam nos princípios de - Liberdade, Fraternidade e Igualdade.

Diante de tudo isso, rendo-me, de joelhos, a tantos quantos foram e têm sido os Irmãos que participaram e ainda participam, direta ou

indiretamente, da História da Maçonaria universal, ao tempo em reconheço sua efetiva luta, sacrifício, dissabor, incompreensão, censura dos governos déspotas, da Igreja de então (e de alguns de seus setores retógrados de hoje) e, principalmente da rede de intrigas urdidas, de uns contra os outros, o que resultou numa divisão do todo, daí nascendo mais uma obediência maçônica no Brasil.

O importante, contudo, é a prevalência da MAÇONARIA UNIVERSAL como Instituição séria, respeitada, admirada e consagrada como uma sociedade secreta, na qual se pratica o bem sem olhar a quem; forja-se masmorras ao vício; nutre-se o ideal de melhor servir à Humanidade;

pratica-se filantropia na última acepção da palavra; dignifica-se o Homem; inspira-se confiança aos Obreiros; levanta-se templos à virtude; reúne-se em nome da Democracia, da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade entre todos os povos; exalta-se o nome do Grande Arquiteto do Universo-GADU, como inspiração divina e como proteção de nossos trabalhos; leva-se à compreensão de todos os homens livres e conscientes a certeza plena de que é possível se viver sem os princípios da Maçonaria, nunca sem praticar nenhum ato maçônico.

Concluo afirmando, peremptoriamente, que ser Maçom é um estado de espírito; é viver em paz com sua consciência; é, essencialmente, praticar o bem à Humanidade

Que sejamos bons e verdadoeiros Maçons !

Disse.

Teresina, 20 de agosto de 2002