Irm. José Soares de Albuquerque *
Agosto de 2003
É
com muita emoção e sobremodo honrado, pela escolha do
meu nome, que atendo à designação do Eminente
Grão Mestre do Grande Oriente do Piauí, Irmão
JOSÉ LEITE GONDIM CAVALCANTI, para dizer algumas palavras aos
Amados Irmãos sobre a importante data que hoje comemoramos
- o DIA DO MAÇOM.
O tema escolhido para o pronunciamento que agora faço a tão
seleta assistência é o HOMEM - este laboratório
onde se processam experiências espetaculares, em todos os ramos
da atividade humana, na sua busca incessante pelo aperfeiçoamento
das idéias e por sua satisfação pessoal, profissional
e material.
Mas não fica só nisso: procura o HOMEM, desde os primórdios
da Humanidade, a sua satisfação espiritual, como elemento
essencial ao seu bem-estar, ao lazer, ao entretenimento, ao trabalho,
enfim, à sua afirmação no meio social. E para
que ele alcance esse “desideratum”, torna-se imprescindível
que sele se encontre consigo mesmo no caminho de uma verdade insofismável,
que acaba sendo o meio e o fim da sua trajetória terrena: a
Fé.
Bem a propósito, Pearl Buck, que viveu entre (1892 e 1973)
e foi uma das mais brilhantes romancistas americanas, ao escrever
um romance tendo como cenário a China, testificou: “Não
sinto necessidade de nenhuma outra fé, senão da minha
fé nos seres humanos. Como antigamente Confúcio, estou
tão absorta no milagre da Terra e da vida sobre ela que não
posso pensar no céu e nos anjos. Tenho bastante para esta vida.
Se não há outra, bastou esta para que tenha valido a
pena eu ter nascido como ser humano”.
Cito, ainda, com imenso prazer, o que pontificou em seu discurso de
posse, na Academia Piauiense de Letras, o Colega-Magistrado e escritor
OTON LUSTOSA, acerca do tema enfocado nesta palestra:
“ O homem não busca apenas satisfazer as suas necessidades
materiais. Para viver, plenamente, busca a satisfação
espiritual. Cheio de poder, posto que dotado de inteligência
- esta explosiva força criadora - o homem transforma o mundo.
Escarafuncha, mexe, bisbilhota as coisas da natureza... Queda-se extasiado
diante das belezas naturais... Encafifa-se com os mistérios
que levam à perfeição das coisas criadas... Chega
a uma conclusão derradeira, inapelável: Deus existe!
Mas... De tanto investigar termina por concluir que algo deve ser
melhorado ainda neste mundo de Deus. Quer o homem o mundo ao seu serviço,
útil e prático; que lhe proporcione um estado tal de
bonança, inenarrável, sublime. Algo a que deu o nome
de felicidade! Eis o objetivo primeiro e último do gênero
humano: Ser feliz! Por isso transforma, modifica, cria, destrói,
luta. É a tal felicidade como uma miragem, ora perto ora longe.
E haja esperanças e haja angústias e haja sonhos!
E enfatiza,
mais adiante, o imortal Oton Lustosa: “ Nesta sua caminhada
terráquea, a estação que o leva a mais aproximar
da felicidade é a contemplação da Beleza. É
aí que as artes ocupam importantíssimo papel na vida
do homem”.
Caríssimos IRMÃOS:
Os nossos Templos Maçônicos, como sóe acontecer
com o nosso querido Palácio Pelicano, rendem-se ante a beleza
e a perfeição. Lutamos todos indistintamente, por
uma beleza estética e uma beleza interior, sem discrepâncias
no conjunto harmonioso de nossa paz social. E sobre a beleza, particularmente,
cedo a palavra ao escritor OSCAR WILDE, irlandês (... 1854
- 1900), citado por ALDO DELLA NINA, em Dicionário da Sabedoria:
“ A beleza é a única coisa que o tempo não
pode prejudicar. As filosofias desfazem-se como areia; as crenças
passam uma após outra; mas o que é belo é um
prazer para todas as estações, uma possessão
para toda a eternidade”.
Todavia, quanto
à felicidade almejada e tão sonhada pelo HOMEM, insiro
dois pensamentos, o primeiro de Alexandre Pope, escritor inglês
( 1688 - 1744), autor de poemas didáticos ( Ensaio sobre
a Crítica e Ensaio sobre o Homem), transcritos no Dicionário
Universal Nova Fronteira de Citações, de autoria de
PAULO RÓNAI e, o segundo de RAQUEL DE QUEIROZ.
Ei-los, pela ordem: “ Oh, felicidade! fim e alvo do nosso
ser! Bem , prazer, bem-estar, satisfação! qualquer
que seja teu nome: Aquele algo que leva ao suspiro eterno. Que nos
faz suportar a vida e ousar a morte”; “ Para o homem
da cidade, ser feliz se traduz em “ter as coisas” :
ter apartamento, rádio, geladeira, televisão, bicicleta,
automóvel. Quanto mais engenhocas mecânicas possuir,
mais feliz se presume. Para isso se escraviza, trabalha dia e noite,
e se gaba de bem-sucedido. O homem daqui, seu conceito de felicidade
é muito mais subjetivo: ser feliz não é ter
coisas; ser feliz é ser livre, não precisar de trabalhar.
E, mormente, não trabalhar obrigado”.
Trago à apreciação de meus amados Irmãos
Maçons, também, dois pensamentos de Blaise Pascal
(1623-1662), escritor francês, matemático, físico
e filósofo, extraídos do Dicionário Universal
de Paulo Rónai, sobre os temas: “ Homem no Universo
e o Homem Natureza”.
O primeiro: “Quando considero a duração mínima
de minha vida, absorvida pela eternidade precedente e seguinte,
o espaço diminuto que ocupo, e mesmo o que vejo, abismado
na infinita imensidade dos espaços que ignoro e que me ignoram,
assusto-me e assombro-me de me ver aqui antes que lá, pois
não há razão por que antes aqui do que lá,
antes no presente do que então. Quem me pôs aqui? Pela
ordem e conduta de quem este lugar e este espaço me foram
destinados?”
O segundo pensamento anunciado: “ Afinal, que é o homem
na Natureza? Um nada, se comparado ao infinito: um tudo, se comparado
ao nada; um meio entre nada e tudo. Infinitamente afastado da compreensão
dos extremos, o fim das coisas e seu princípio estão
para ele invisivelmente escondidos num segredo impenetrável,
igualmente incapaz de ver o nada de onde é tirado e o infinito
pelo qual é absorvido”
Registro, por
um dever de consciência, o que ouvi dizer, certa feita, o
meu professor de História, Waldir Gonçalves, sem atribuir
autoria do pensamento: “ A história é a mestra
da vida”. E é exatamente nesta linha de raciocínio,
que me permito oferecer aos Amados Irmãos o conceito de história
de C. Cantu, tirado do Livro Dicionário da Sabedoria, para
melhor posicionamento do que aqui afirmei:
“A história é a narração dos acontecimentos
importantes, admitidos como verdadeiros, com o fim de obter do passado
probabilidades para o futuro, no desenvolvimento da atividade espontânea
do homem. A história tem por fontes: 1º a experiência
própria; 2º a narração das pessoas presentes
aos fatos, ou que poderão ter conhecimento deles; 3º
os monumentos que os atestam. Para que a História se torne
uma ciência, as tradições vagas e sem nexo não
lhe bastam; precisa de fatos verificados, observados, classificados
e bem descritos”.
Nesse mesmo
diapasão, tomo como abono de meu sentir as palavras candentes
de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, na mesma obra mencionada:
“ Uma curva descrita no espaço, eis o que é
a história, rastro luminoso do mais brilhante dos planetas:
o homem.”
Portanto, meus
Amados Irmãos Maçons, a História da Maçonaria
Universal se resume ao tópico central desta palestra: O HOMEM
COMO FONTE INESGOTÁVEL DE SABEDORIA, IMBUÍDO DA VONTADE
FÉRREA DE ATINGIR OS SEUS OBJETIVOS, MESMO COM O SACRIFÍCIO
DA PRÓPRIA VIDA. E nem é preciso lembrar (ou relembrar)
que dezenas - ou quiçá milhares - de Irmãos
nossos tiveram as suas vidas ceifadas em lutando por uma causa nobre,
isto é, a de difundir, de propagar, no Universo, os fundamentos
da nossa notável Instituição Maçônica,
que se assentam nos princípios de - Liberdade, Fraternidade
e Igualdade.
Diante de tudo isso, rendo-me, de joelhos, a tantos quantos foram
e têm sido os Irmãos que participaram e ainda participam,
direta ou
indiretamente, da História da Maçonaria universal,
ao tempo em reconheço sua efetiva luta, sacrifício,
dissabor, incompreensão, censura dos governos déspotas,
da Igreja de então (e de alguns de seus setores retógrados
de hoje) e, principalmente da rede de intrigas urdidas, de uns contra
os outros, o que resultou numa divisão do todo, daí
nascendo mais uma obediência maçônica no Brasil.
O importante,
contudo, é a prevalência da MAÇONARIA UNIVERSAL
como Instituição séria, respeitada, admirada
e consagrada como uma sociedade secreta, na qual se pratica o bem
sem olhar a quem; forja-se masmorras ao vício; nutre-se o
ideal de melhor servir à Humanidade;
pratica-se filantropia na última acepção da
palavra; dignifica-se o Homem; inspira-se confiança aos Obreiros;
levanta-se templos à virtude; reúne-se em nome da
Democracia, da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade entre todos
os povos; exalta-se o nome do Grande Arquiteto do Universo-GADU,
como inspiração divina e como proteção
de nossos trabalhos; leva-se à compreensão de todos
os homens livres e conscientes a certeza plena de que é possível
se viver sem os princípios da Maçonaria, nunca sem
praticar nenhum ato maçônico.
Concluo afirmando,
peremptoriamente, que ser Maçom é um estado
de espírito; é viver em paz com sua consciência;
é, essencialmente, praticar o bem à Humanidade
Que sejamos
bons e verdadoeiros Maçons !
Disse.
Teresina, 20
de agosto de 2002 |