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Fernando
Mariani *
Meu objetivo
aqui, nesta data, é o de cumprir a tarefa para a qual fui
designado pelo Presidente da PALEM-RS, qual seja, a de substituir
um Ilustre Irmão, previamente designado, que é um
Ex Grão-Mestre do GOESUL, decano de nossa Assembléia
e o seu orador que, por motivos particulares, plenamente justificados,
não pôde comparecer para realizar esta palestra. Estou
certo de que o faria, com o brilhantismo que a ocasião requer
se aqui estivesse. Porém, “quem não tem cão
caça com gato”, assim diz o ditado popular.
Justifico, assim, o Presidente que me escolheu nesta emergência
e homenageio o ilustre Irmão Sérgio Almeida a quem
tenho a honra de substituí-lo e tentarei seguir seus passos
no trato das causas comuns de interesse da Maçonaria. Aceitei
esta tarefa que foi extemporânea para mim e espero contar
com a benevolência e compreensão dos Irmãos
ao expressar meu testemunho e minha versão sobre o tema escolhido
pela Presidência: "Política da Maçonaria".
Como condição prévia, vamos verificar sucintamente
o significado de Maçonaria e de Política para estabelecer
os marcos no interior do qual o tema proposto se inscreve.
"A Maçonaria é uma associação de
homens esclarecidos e virtuosos que se consideram irmãos
entre si, que convivem em perfeita igualdade, intimamente ligados
por laços de reciproca estima, confiança e amizade,
estimulando-se uns aos outros, na prática da virtude".
"Os fins supremos da Maçonaria são a LIBERDADE,
a IGUALDADE e FRATERNIDADE”, obviamente, para todos os povos
sem exceção.
Esses fins, portanto, integram todos os valores que concorrem para
a civilização, a paz e o progresso da Humanidade.
Eles também se encontram dispersos em diversas religiões,
filosofias e ciências sociais.
Por via
de conseqüência, a Maçonaria, para concretizar
seus objetivos, precisa de muita força e união para
enfrentar resistências de interesses poderosos. Por esse motivo,
ela, cautelosamente, parte do princípio, de que mesmo os
mais virtuosos maçons também são imperfeitos.
Estão sujeitos a serem tentados ou corrompidos pelo menos
por dois vícios traiçoeiros que causam imensos prejuízos
em qualquer Instituição: a vaidade e o sectarismo.
Esses vícios ainda causam danos de proporções
aos maiores propósitos da Maçonaria. Conspiram de
modo a fazer o maçom perder de vista as finalidades e objetivos
maiores da Ordem e a investir o seu potencial em futilidades geradoras
de desilusões, desuniões e a sua conseqüente
estagnação.
A palavra "Política", por sua vez, tem vários
sentidos. O filósofo grego Aristóteles considerava
o homem um animal político, porque nenhum ser humano pode
viver sozinho, pois a natureza humana exige a vida em sociedade.
Essa convivência, via de regra, gera conflitos entre pessoas,
grupos de pessoas ou nações. E o modo mais apropriado
de atenuar os conflitos e estabelecer o máximo de concordância
entre muitos é promover o bem comum, o bem da maioria senão
de todos. É justamente isso, que o Maçom deve entender
por Política: "a promoção do bem comum
visando, ao máximo, a concordância entre muitos para
reduzir, ao mínimo, os conflitos que são inerentes
à vida em sociedade". É o tipo de Política
maior, que não é sectária porque visa ao bem
da coletividade. É o tipo de Política que privilegia
a maioria e está de pleno acordo com as regras de convivência
democrática.
A Igreja a define nos seguintes termos:
"É o conjunto de ações pelas quais os
homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos,
grupos e nações, que ofereça condições
para realização do bem comum."
Logo, não há diferença significativa entre
a concepção de Aristóteles, da Igreja e a do
Maçom. No entanto, o Maçom não pode perder
de vista a seguinte ilação: se a Maçonaria
afirma que a Virtude é a disposição da alma
que induz à prática do bem, a mesma disposição
que induz à prática do bem comum só pode ser
uma virtude superior, a virtude em sua mais elevada expressão.
Essa virtude, por conseguinte, quando é concretizada, é
a "Política da Maçonaria", quando não
é concretizada, é uma ilusão.
De qualquer modo, fica transparente, haver dois tipos de política.
A Política maior, apartidária, de um lado, que é
a Política da Maçonaria e a política que visa
apenas ao bem de um determinado indivíduo ou de um pequeno
grupo de indivíduos, ainda que com o sacrifício da
maioria. Esta, em princípio, é uma política
estreita, partidária, gera privilégios para poucos
em detrimento de muitos, geralmente aumentando e não diminuindo
os conflitos. Por via de conseqüência, esta não
interessa a Maçonaria, porque abriga o vício do sectarismo
e fere seus princípios. Logo esta é a política
que a Maçonaria repele em seus Templos. Assim se justifica,
de certa forma, porque a Maçonaria proíbe discussões
sobre política-partidária em seus templos ou que,
em seu nome, se faça política-partidária.
A Política da Maçonaria, na prática atual,
contudo, é um tema delicado e polêmico pela própria
natureza da Política e da Maçonaria. Da Política,
porque, na prática democrática, ela somente pode se
expressar através de partidos. E cada um desses partidos
concentra, prioritariamente, para não dizer exclusivamente,
suas energias na defesa e manutenção dos interesses
e conveniências dos financiadores de suas respectivas campanhas
eleitorais. Da Maçonaria, porque, como vimos, coerentemente
com seus princípios, ela proíbe a discussão
política-partidária, pelas razões anteriormente
expostas. Porém, a Política apartidária, aquela
que é a maior representação da virtude, aquela
que teoricamente é a "Política da Maçonaria",
na prática, se apresenta demasiado aquém do desejável.
Se, de fato, a Maçonaria possui uma Política, como
sugere de antemão o título da palestra, ela não
poderia ser outra senão a chamada Política maiúscula,
a Política virtuosa. No entanto, essa conclusão também
faz parte da polêmica. Para melhores esclarecimentos, podemos
perguntar sem nenhum pejo: a "Política da Maçonaria" é, de fato, praticada em nossos dias?
Respondo que a Maçonaria, quanto à política-partidária,
está praticando uma política bem clara: a da proibição
de discussão, ou controvérsia, sobre essa matéria
em seus templos, ou fora deles em seu nome.
Essa proibição não quer dizer que o maçom,
como cidadão que é, esteja impedido de filiar-se a
um partido político. A lei exige, como condição
prévia, para se candidatar aos cargos eletivos públicos,
que o cidadão esteja filiado a um partido. Logo, com vistas
à execução de nossos princípios, o ideal
seria que tivéssemos maçons eleitos e empossados em
todos os partidos políticos ou neles atuando.
Conseqüentemente, proibir a discussão de matéria
política-partidária é uma questão superada,
ela é acatada por todos os maçons, é um ato
político maçônico, entendido e resolvido a contento.
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