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Tese da GLESP
aprovada pela CMSB em 1990
A luta para tornar mais feliz a humanidade, ou seja,
pelo bem comum é o que deve presidir as ações
individuais e coletivas dos maçons, como já vimos,
o que torna a política seu instrumento indispensável
na consecução desse objetivo. E, historicamente, foi
essa a vocação da Maçonaria desde sua introdução,
no Brasil, em fins do século XVIII, através da fachada
cultural das Academias dos irmãos Suassuna, do Paraíso,
da Universidade Secreta do irmão Antonio Carlos Ribeiro de
Andrada Machado e Silva e outras congêneres, que ocultavam
intelectuais desejosos de trabalhar num movimento separatista de
Portugal, inspirados nos princípios de liberdade que haviam
incendiado a França e promovido sua revolução
famosa.
Dispensando aqui a crítica histórica,
o fato é que até o começo do século
XX essa vocação ainda norteava os destinos da instituição,
quando cisões e política interna mudaram esse perfil.
Acresça-se a isso os longos anos de totalitarismo vividos
na história da República, nos quais houve um imobilismo
da Ordem, que se restringiu a ações esporádicas,
na defesa de seus princípios de liberdade.
Hoje, se realizarmos uma pesquisa entre nossos obreiros
sobre o perfil de nossa instituição, constataremos
que diversas conotações serão obtidas e uma
minoria, apenas se lembrará de nossa vocação
política, porque esta vem sendo tratada de maneira secundária,
principalmente por irmãos zelosos, porém desinformados,
que confundem divulgação político-partidária
com defesa de posições políticas visando o
Bem Comum e a Justiça Social. Por isso é inadiável
começarmos a praticar Maçonaria também fora
de nossos Templos, sem falsos pruridos e tendo em mente que nossa
missão não terminou quando fizemos a Pátria
livre, libertamos nossos irmãos negros e proclamamos a República.
A Maçonaria não precisa da política para se
promover como instituição ou projetar seus membros,
mas é a política que precisa da Maçonaria e
de seus obreiros porque esta, não permitindo qualquer tipo
de sectarismo entre suas colunas e espalhada por todo o Brasil com
seus quinhentos mil pedreiros livres, sob a égide extraordinária
de seus princípios, muito tem ainda por fazer por esta Pátria.
E, sem falsa modéstia, sabemos que o dia em que a sociedade
adotar os princípios de nossa doutrina esta será,
sem dúvida, mais justa e perfeita.
Urge, portanto, retomar
o poder de influência que se dissolveu ao longo dos anos e
levar à sociedade profana os princípios que norteiam
a vida dentro da sociedade maçônica. Transformar a
Maçonaria em entidade filantrópica, clube de serviço,
grupo de estudos místicos e esotéricos, templo religioso
ou grupo social fraterno é desconhecer suas origens e particularizá-la
em funções estanques, não condizentes com suas
raízes, pois Maçonaria é tudo isso e muito
mais.
É benemerência, e prestadora de serviços à
sociedade, é escola de cultura esotérica e maçônica,
é religiosa sem ser Religião, é social e fraterna,
mas é também política, porque com este instrumento
atingirá muito mais amplamente seus objetivos de construtora
social. E é com pesar que temos visto os maçons, eternos
perseguidores da Verdade enclausurarem-se em seus Templos; os vocacionados
à política calarem suas vozes ou, adormecidos, buscarem
outros rumos; os potencialmente líderes, amordaçados,
afastarem-se das discussões dos problemas nacionais; os projetos,
os ideais superiores, o patriotismo, outrora articulado em nossos
Templos, passarem a fazer parte de um passado de uma instituição
que sufocou suas gerações sucedâneas numa improdutividade
social condenável. Defender a participação da Maçonaria
nas grandes decisões nacionais e para as quais a política
é o caminho natural, é muito mais do que praticar
política partidária e por isso não pode ser
confundida. A Maçonaria, enquanto instituição,
não corteja o poder, mas tem a grande missão de preparar
seus obreiros para que exerçam condignamente como cidadãos
e como indivíduos formados ao abrigo ela Arte Real. E isso
só se tornará possível se voltarmos às
nossas origens e nossos dirigentes se conscientizarem da importância
de se proporcionar condições para a politização
dessa massa poderosa que é a comunidade maçônica
brasileira. Concluindo, diríamos ser obrigação
do maçom a salutar prática de levar os princípios
maçônicos para dentro da política; exercer,
se for sua opção de cidadão, a militância
partidária; participar, ao menos opinativamente, da vida
da Nação. Em qualquer destas modalidades de engajamento,
o maçom estará contribuindo para o bem da sociedade,
para o qual jurou solenemente lutar no ato de sua iniciação.
O Brasil caminha para a maturidade política
e viceja no peito do brasileiro o anseio pelo gozo de uma democracia
plena. Neste contexto, emerge a grande responsabilidade da Sublime
Ordem de comprometer-se com a defesa desse ideal, usurpado que tem
sido nos últimos anos, mas tendente a proporcionar, dentro
de um novo espírito de cooperação social e
fraternidade, respaldo para a organização social do
novo milênio, na ampla concepção de uma sociedade
aberta econômica, política, social e culturalmente.
Os extraordinários avanços tecnológicos, as
grandes mudanças sociais em curto espaço de tempo,
o conhecimento que o Homem tem logrado alcançar de si próprio,
fazem-nos prever um começo de milênio alvissareiro,
mas que pede a organização e a preparação
dos segmentos organizados da sociedade para tal, para que não
se atrasem na marcha da História. A Maçonaria, instituição
tradicional e de caráter universal, tem por dever, sem mexer
na sua estrutura e sem "modernismos", acompanhar o mundo
em suas transformações e em seu progresso. Ao maçom,
que é um patriota em essência e um elemento de alto
espírito cívico, já que o fundamento de sua
moral é a solidariedade humana e o campo de sua atuação
a humanidade, compete lutar pelo reerguimento da Nação
brasileira nesta hora grave de sua história.
Tornando seus obreiros mais aptos intelectual e
moralmente, conscientizando-os de sua missão social através
do estudo de suas raízes históricas e preparando-os
para a discussão e análise dos grandes problemas nacionais
a Sublime Ordem estará criando mecanismos efetivos para que
estes passem a lutar pela melhoria da qualidade de vida da sociedade
brasileira. Diz a sabedoria popular que "muitos mourões
juntos não fazem cerca" e nossa irmandade é,
senão a mais preparada, a única capaz de compor urna
sólida e intransponível cerca de quinhentos mil 11
"mourões" dando-se as mãos e trabalhando,
nos mais recônditos cantos do chão pátrio, pelo
engrandecimento da Nação. Nesta nova etapa da vida
política brasileira, urge aliarem-se cidadãos preparados,
que ainda amam a pátria, independente de suas convicções
políticas e partidárias, para darem a este país
uma cara nova e promoverem uma conspiração de homens
honrados e elevar Templos à virtude e cavar masmorras aos
vícios e aos costumes perniciosos e corrompedores. A crise
porque passa o Brasil, antes de ser política, econômica
e social é moral. Grão-Mestres, seus Delegados, Veneráveis
e Vigilantes devem ser os pólos multiplicadores do espírito
cívico contidos em nossos postulados para que todos os irmãos
se empenhem em formar uma extensa e poderosa cadeia de união
e ajudá-lo a reerguer-se, fazendo jus à grande destinação
histórica que o aguarda.
O Brasil, caros irmãos sem que nos mova aqui
qualquer tipo de ufanismo, está predestinado a ser a grande
nação do futuro e a Maçonaria brasileira, cuja
história se contunde com a própria história
do país, deve se orgulhar imensamente desta pátria
e seus membros lutarem, se preciso for, até a morte, pelo
seu engrandecimento. |