PORTAL MAÇÔNICO


 




"Maçonaria é uma instituição de caráter também político, quando a idéia política tem por escopo a nossa augusta trilogia. Guardiã das sagradas tradições, porto seguro dos ideais superiores, timoneiro das arrancadas cívicas, esteve sempre presente na hora da angústia, da dor, do sofrimento e da revolta contra, a injustiça e a opressão, seguindo, assim, a sua doutrina, cumprindo o que determinam as Constituições, fiel aos ritos, palmilhando o caminho que lhe apontam os conclaves maçônicos".
Irmão João César (in Maçonaria e Política.)

O PRUMO - Nº 99

 

 

A Politização dos Maçons

e o Bem Comum


Tese da GLESP aprovada pela CMSB em 1990

A luta para tornar mais feliz a humanidade, ou seja, pelo bem comum é o que deve presidir as ações individuais e coletivas dos maçons, como já vimos, o que torna a política seu instrumento indispensável na consecução desse objetivo. E, historicamente, foi essa a vocação da Maçonaria desde sua introdução, no Brasil, em fins do século XVIII, através da fachada cultural das Academias dos irmãos Suassuna, do Paraíso, da Universidade Secreta do irmão Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva e outras congêneres, que ocultavam intelectuais desejosos de trabalhar num movimento separatista de Portugal, inspirados nos princípios de liberdade que haviam incendiado a França e promovido sua revolução famosa.

Dispensando aqui a crítica histórica, o fato é que até o começo do século XX essa vocação ainda norteava os destinos da instituição, quando cisões e política interna mudaram esse perfil. Acresça-se a isso os longos anos de totalitarismo vividos na história da República, nos quais houve um imobilismo da Ordem, que se restringiu a ações esporádicas, na defesa de seus princípios de liberdade.

Hoje, se realizarmos uma pesquisa entre nossos obreiros sobre o perfil de nossa instituição, constataremos que diversas conotações serão obtidas e uma minoria, apenas se lembrará de nossa vocação política, porque esta vem sendo tratada de maneira secundária, principalmente por irmãos zelosos, porém desinformados, que confundem divulgação político-partidária com defesa de posições políticas visando o Bem Comum e a Justiça Social. Por isso é inadiável começarmos a praticar Maçonaria também fora de nossos Templos, sem falsos pruridos e tendo em mente que nossa missão não terminou quando fizemos a Pátria livre, libertamos nossos irmãos negros e proclamamos a República.

A Maçonaria não precisa da política para se promover como instituição ou projetar seus membros, mas é a política que precisa da Maçonaria e de seus obreiros porque esta, não permitindo qualquer tipo de sectarismo entre suas colunas e espalhada por todo o Brasil com seus quinhentos mil pedreiros livres, sob a égide extraordinária de seus princípios, muito tem ainda por fazer por esta Pátria. E, sem falsa modéstia, sabemos que o dia em que a sociedade adotar os princípios de nossa doutrina esta será, sem dúvida, mais justa e perfeita.

Urge, portanto, retomar o poder de influência que se dissolveu ao longo dos anos e levar à sociedade profana os princípios que norteiam a vida dentro da sociedade maçônica. Transformar a Maçonaria em entidade filantrópica, clube de serviço, grupo de estudos místicos e esotéricos, templo religioso ou grupo social fraterno é desconhecer suas origens e particularizá-la em funções estanques, não condizentes com suas raízes, pois Maçonaria é tudo isso e muito mais.

É benemerência, e prestadora de serviços à sociedade, é escola de cultura esotérica e maçônica, é religiosa sem ser Religião, é social e fraterna, mas é também política, porque com este instrumento atingirá muito mais amplamente seus objetivos de construtora social. E é com pesar que temos visto os maçons, eternos perseguidores da Verdade enclausurarem-se em seus Templos; os vocacionados à política calarem suas vozes ou, adormecidos, buscarem outros rumos; os potencialmente líderes, amordaçados, afastarem-se das discussões dos problemas nacionais; os projetos, os ideais superiores, o patriotismo, outrora articulado em nossos Templos, passarem a fazer parte de um passado de uma instituição que sufocou suas gerações sucedâneas numa improdutividade social condenável.

Defender a participação da Maçonaria nas grandes decisões nacionais e para as quais a política é o caminho natural, é muito mais do que praticar política partidária e por isso não pode ser confundida. A Maçonaria, enquanto instituição, não corteja o poder, mas tem a grande missão de preparar seus obreiros para que exerçam condignamente como cidadãos e como indivíduos formados ao abrigo ela Arte Real. E isso só se tornará possível se voltarmos às nossas origens e nossos dirigentes se conscientizarem da importância de se proporcionar condições para a politização dessa massa poderosa que é a comunidade maçônica brasileira. Concluindo, diríamos ser obrigação do maçom a salutar prática de levar os princípios maçônicos para dentro da política; exercer, se for sua opção de cidadão, a militância partidária; participar, ao menos opinativamente, da vida da Nação. Em qualquer destas modalidades de engajamento, o maçom estará contribuindo para o bem da sociedade, para o qual jurou solenemente lutar no ato de sua iniciação.

O Brasil caminha para a maturidade política e viceja no peito do brasileiro o anseio pelo gozo de uma democracia plena. Neste contexto, emerge a grande responsabilidade da Sublime Ordem de comprometer-se com a defesa desse ideal, usurpado que tem sido nos últimos anos, mas tendente a proporcionar, dentro de um novo espírito de cooperação social e fraternidade, respaldo para a organização social do novo milênio, na ampla concepção de uma sociedade aberta econômica, política, social e culturalmente. Os extraordinários avanços tecnológicos, as grandes mudanças sociais em curto espaço de tempo, o conhecimento que o Homem tem logrado alcançar de si próprio, fazem-nos prever um começo de milênio alvissareiro, mas que pede a organização e a preparação dos segmentos organizados da sociedade para tal, para que não se atrasem na marcha da História. A Maçonaria, instituição tradicional e de caráter universal, tem por dever, sem mexer na sua estrutura e sem "modernismos", acompanhar o mundo em suas transformações e em seu progresso. Ao maçom, que é um patriota em essência e um elemento de alto espírito cívico, já que o fundamento de sua moral é a solidariedade humana e o campo de sua atuação a humanidade, compete lutar pelo reerguimento da Nação brasileira nesta hora grave de sua história.

Tornando seus obreiros mais aptos intelectual e moralmente, conscientizando-os de sua missão social através do estudo de suas raízes históricas e preparando-os para a discussão e análise dos grandes problemas nacionais a Sublime Ordem estará criando mecanismos efetivos para que estes passem a lutar pela melhoria da qualidade de vida da sociedade brasileira. Diz a sabedoria popular que "muitos mourões juntos não fazem cerca" e nossa irmandade é, senão a mais preparada, a única capaz de compor urna sólida e intransponível cerca de quinhentos mil 11 "mourões" dando-se as mãos e trabalhando, nos mais recônditos cantos do chão pátrio, pelo engrandecimento da Nação. Nesta nova etapa da vida política brasileira, urge aliarem-se cidadãos preparados, que ainda amam a pátria, independente de suas convicções políticas e partidárias, para darem a este país uma cara nova e promoverem uma conspiração de homens honrados e elevar Templos à virtude e cavar masmorras aos vícios e aos costumes perniciosos e corrompedores. A crise porque passa o Brasil, antes de ser política, econômica e social é moral. Grão-Mestres, seus Delegados, Veneráveis e Vigilantes devem ser os pólos multiplicadores do espírito cívico contidos em nossos postulados para que todos os irmãos se empenhem em formar uma extensa e poderosa cadeia de união e ajudá-lo a reerguer-se, fazendo jus à grande destinação histórica que o aguarda.

O Brasil, caros irmãos sem que nos mova aqui qualquer tipo de ufanismo, está predestinado a ser a grande nação do futuro e a Maçonaria brasileira, cuja história se contunde com a própria história do país, deve se orgulhar imensamente desta pátria e seus membros lutarem, se preciso for, até a morte, pelo seu engrandecimento.