|
Joaquim Gervásio
de Figueiredo, 33º ( * )
O
Ritual Maçônico
Uma
Loja Maçônica perfeita é uma representação
simbólica do Universo e suas leis, bem como da excelsa Hierarquia
de Poderes que dirige e governa. Na Maçonaria, com seu simbolismo
caracteristicamente construtor, todos estão hierarquicamente
empenhados na magna obra de Deus Criador, ou seja, de Deus Espírito
Santo, que maçonicamente corresponde ao Grande Arquiteto
do Universo.
A Loja é uma miniatura simbólica de um Universo dentro
do Cosmos. Em seus trabalhos ritualísticos, desde a abertura
até o seu encerramento, ela executa simbolicamente o drama
cíclico do início e encerramento das atividades progressivamente
evolutivas levadas a cabo num Universo segundo o divino plano traçado
pelo G. A. D. U. Todos os seus Oficiais exercem simbolicamente funções
específicas similares às que, nos níveis superiores
do Universo, desempenham os excelsos Oficiais da perfeitíssima
Grande Loja Branca a que aqui e ali têm se referido abalizados
autores maçônicos, e da qual o Apocalipse nos dá
um vislumbre alegórico em seu capítulo IV.
O Ritual Maçônico está baseado no Ritual Supremo,
e por meio dele seus participantes se põe em contato com
a gigantesca atividade do G. A. D. U. Desde a abertura até
o encerramento de uma Loja Maçônica se segue ponto
por ponto o divino Ritual da criação, desenvolvimento
e extinção de um Universo, e cada ato ali tem o um
significado cósmico muito além de nossas concepções
sobre a importância do Ritual de que estamos participando.
Esse Ritual nos capacita a colaborar na magnífica obra do
G. A. D. U e auxiliar humildemente na consagração
diária do Universo na manutenção de toda a
vida, e assim, por alguns momentos, somos mais que humanos: somos
divinos.
Esses e outros fatos cósmicos, de conhecimento tradicional
entre os povos cultos, sempre foram revividos e representados dinamicamente
nas antigas religiões, escolas filosóficas, instituições
iniciáticas, e sobretudo, nos antigos Mistérios da
Índia, Egito, Grécia, Samotrácia, Roma e ainda
no Cristianismo primitivo. Esses mesmos fatos eram também
diretamente mostrados ao vivo, nos ensinamentos esotéricos,
amiúde em criptas ou câmaras secretas, ou individualmente
por meio de provas e experiências práticas, porém
somente aos “eleitos”, isto é, aos que já
haviam assimilado e realizado os ensinamentos exotéricos.
Entre os antigos Mistérios ou Instituições
iniciáticas se inclui aquela que hoje conhecemos como Maçonaria,
ou mais precisamente, a moderna Franco-maçonaria.
Homens e mulheres de qualquer posição social e cultura
podiam solicitar sua iniciação nos diversos mistérios,
que se dividiam em Menores (exotéricos ou públicos)
e Maiores (esotéricos ou privativos). E todos que fossem
achados puros e de conduta nobre podiam participar dos Mistérios,
que destruíam todo temor à morte e incutiam a certeza
da imortalidade. A exclusão do elemento feminino da tradição
iniciática maçônica ocorreu muito posteriormente,
no século dezoito na Inglaterra, sem dúvida por influência
dos mistérios judaico-mitrico-romanos e de algumas agremiações
operativas da Idade Média que vivam na clandestinidade para
poder escapar às cruéis perseguições
eclesiásticas e políticas, porém essa exclusão
não foi geral nem total, como examinaremos mais adiante.
As Origens da Maçonaria Moderna
Os movimentos da Renascença nos séculos XV
e XVI, da Reforma religiosa de Martinho Lutero do século
XVI e do chamado Iluminismo do século XVII que inclui os
Rosa-Cruzes, exerceram benéfica influência na evolução
da Maçonaria operativa em especulativa em 1717 já
que lhe criou, indiretamente, um clima de maior liberdade e lhe
abriu perspectivas mais amplas e luminosas; no entanto, diga-se
de passagem, infelizmente só foram parcialmente aproveitadas
pelos reformadores maçônicos.
As origens da Maçonaria se perdem nas brumas da antiguidade.
“Mas - escreve o Irmão Leadbeater 33º (1) - os
escritores maçônicos do século dezoito lhe especularam
a história sem o senso crítico, baseando seus conceitos
numa crença literal na história e cronologia do Antigo
Testamento e nas curiosas lendas do Artesanato, herdadas das épocas
operativas das Antigas Ordenações. Assim é
que o Dr. Anderson, em seu primeiro Livro de Constituições,
chegou a aventar que "Adão, nosso primeiro pai, criado
à imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, devia ter
possuído as Ciências Liberais, particularmente a Geometria,
escritas em seu coração, ao passo que outros escritores,
menos fantasistas, atribuíram sua origem a Abraão,
Moisés ou Salomão”.
O Dr. Oliver,
escrevendo na primeira metade do século dezenove e portanto
bem posteriormente, sustentou que a Maçonaria, tal qual a
conhecemos hoje, é a única e verdadeira relíquia
da fé dos patriarcas antidiluvianos, ao passo que os antigos
Mistérios do Egito e de outros países, que tanto se
assemelham a ela, não passam de corrupções
humanas de uma tradição primitivamente pura".
(2)
Todavia, à medida que, desde então, os conhecimentos
científicos e históricos progrediram em outros campos
de pesquisas, e especialmente na análise crítica das
Escrituras, os métodos científicos foram sendo gradativamente
aplicados também no estudo da Maçonaria, de tal sorte
que atualmente existe ao alcance de todo pesquisador maçom
ou não, um vasto acervo de informações positivamente
exatas e das mais interessantes sobre verdadeira história
da Ordem.
Como resultado
destas e outras linhas de investigação, já
existem quatro principais escolas ou correntes de pensamento maçônico,
ainda não necessariamente definidas ou organizadas como escolas,
porém agrupadas, segundo suas relações, em
quatro importantes departamentos de conhecimento, primitivamente
não incluídos no campo maçônico.
Cada um desses
grupos tem características próprias, afins com a Maçonaria.
Cada um deles tem seus próprios cânones de interpretação
dos símbolos e cerimônias maçônicos, enquanto
seja claro que muitos dos modernos escritores maçônicos
são influenciados por mais de uma escola. Essas quatro escolas
são:
I - A vulgarmente denominada Escola Autêntica.
A tendência desta escola é fazer a Maçonaria
derivar das Lojas e Guildas ou Corporações operativas
da Idade Média, e fazer supor que os elementos especulativos
foram enxertados nos tronco operativo. Esta hipótese não
é contraditada pelos arquivos existentes, cujas atas mais
primitivas e muito raras datam, porém, do ano de 1598, segundo
D. Murray-Lyon (History of the Lodge of Edinburgh, p. 9). Afirma
o grande historiado maçônico R. F. Gould que se pudermos
admitir que o simbolismo (ou cerimonial) da Maçonaria é
de origem anterior a 1717, não haverá, praticamente,
limites na computação de sua idade (Concise History
of Freemansory, p. 55). Mas muitos outros escritores não
vão além dos construtores medievais, na procura da
origem dos Mistérios maçônicos, como se a concepção
das mesmas e de seu complexo significado estivessem ao alcance de
qualquer artífice construtor!
II -
A Escola Antropológica.
Esta escola, ainda em processo de desenvolvimento, aplica
as descobertas da antropologia aos estudos da história maçônica,
com notáveis resultados. Os antropologistas têm reunido
um vasto cabedal de informações sobre os costumes
religiosos e iniciatórios de muitos povos antigos e modernos,
e os Maçons estudiosos neste campo têm encontrado muitos
de nossos símbolos , tanto na Ordem como de graus superiores,
nas pinturas murais, gravuras, esculturas e edifícios das
principais raças do mundo. Portanto, a Escola Antropológica
computa à Maçonaria uma antiguidade muito maior do
que a defendida pela Autêntica, e assinala surpreendentes
analogias com os antigos Mistérios de muitas nações,
os quais possuíam claramente nossos símbolos e sinais,
com toda a probabilidade ligados a cerimônias análogas
às executadas atualmente nas Lojas Maçônicas.
Entre os pioneiros neste campo cabe mencionar os Irmãos Albert
Chuchward, J. S. M. Ward, e Bernard H. Springett.
III
- A Escola Mística. Esta escola encara os mistérios
da Ordem de um outro ângulo, isto é, como
um plano para o despertar espiritual do homem e seu desenvolvimento
interno. Seus adeptos declaram que os graus da Ordem são
simbólicos de determinados estados de consciência,
que devem ser despertados no iniciado se ele aspira obter os superiores
tesouros do espírito.
A meta do maçom místico é a união com
Deus; para ele a Ordem representa a Senda para essa meta, e oferece,
por assim dizer, um guia simbólico capaz de orientar os passos
do buscador de Deus. Seus estudiosos estão mais interessados
em interpretações do que em pesquisas históricas,
e sustentam que a Maçonaria tem pelo menos parentesco com
os antigos Mistérios, que visavam precisamente a mesma finalidade.
Também
deploram o fato de que a maioria de nossos Irmãos modernos
tenha de tal modo se esquecido da glória de sua herança
maçônica, que deixou que os antigos ritos se tornassem
pouco mais que formas vazias.
Um bem conhecido
representante desta escola é o Irmão A. E. White,
um dos mais requintados e cultos maçons da atualidade e uma
autoridade sobre a história dos graus superiores. Outro também
é o Irmão W. L. Wilmhurst, que tem produzido algumas
formosas e profundas interpretações espirituais do
simbolismo maçônico. Muito tem feito esta escola para
espiritualizar a Maçonaria, e sem dúvida uma de suas
marcas é a mais profunda e cada vez mais destacada reverência
por nossos Mistérios.
IV -
A Escola Oculta.
O objetivo do ocultista, não menos que o do místico,
é a união consciente com Deus, porém diferem
seus métodos de busca. O método oculto se desenvolve
através de uma série de etapas definidas numa Senda
de Iniciações conferindo sucessivas expansões
de consciência e graus de poder sacramental. Para o ocultista
é de suma importância a exata observância de
uma forma, e por meio do emprego da magia cerimonial ele cria um
veículo através do qual se pode atrair a luz divina
e espalhá-la em benefício do mundo invocando em sua
ajuda a assistência dos Anjos, espíritos da natureza
e outros habitantes dos mundos invisíveis. Ao passo que o
método do místico é pela prece e oração;
ambos estes caminhos conduzem a Deus.
A escola oculta
do pensamento está representada por uma corporação
sempre crescente de estudiosos da Ordem Maçônica Mista
Internacional Le Droit Humain, com sede em Paris e dirigida por
um Supremo Conselho de âmbito mundial. Ela se distingue no
resto do mundo maçônico pela admissão de mulheres
por meio da iniciação no mesmo nível de igualdade
com os homens, e gozando ambos ali as mesmas prerrogativas, segundo
o seu mérito pessoal.
Nesse grupo se pode incluir também a antiga escola de Pitágoras,
a Filosofia Secreta de Henrique Cornélio Agrippa, a Filosofia
de Paracelso, a Ordem Rosa-Cruz de Christian Rosenkreutz e a Maçonaria
Egípcia de Cagliostro.
A Mulher na Maçonaria
Sob o critério místico-filosófico,
tal qual os antigos Mistérios, a Maçonaria se destina
igualmente ao homem e à mulher, complementos que são
um do outro, pois ambos visam atingir a mesma meta evolutiva e constituir
a família como base celular de uma sociedade bem organizada,
e segundo os mandamentos da própria Ordem, um dos antigos
Landmarks maçônicos é que todos os seres humanos
são fundamentalmente iguais, e, portanto, suas diferenças
são meramente circunstanciais. Sobre este ponto não
há nenhuma dúvida nas tradições maçônicas
baseadas nas legítimas escolas antropológicas, místicas
e ocultas. E mais, mesmo nas escolas que atribuem sua origem às
Corporações Operativas da Idade Média, os investigadores
não encontraram em seus registros e instituições
nada de discriminatório contra a inclusão do elemento
feminino, mas, antes bem ao contrário.
Essa esdrúxula
proibição ao arrepio da tradição, normas
e ideais de todas as demais sociedades secretas passadas e contemporâneas,
como das anteriores Constituições e Regulamentos da
Maçonaria Operativa foi introduzida pelo presbítero
James Anderson no artigo 18º de sua Constituição
de 1723, após a transformação da Maçonaria
Operativa em 1717. É justo, porém, ressaltar que tal
transformação já havia sido empreendida nos
anos 1648-49 pelo célebre e culto Alquimista e Rosa-Cruz
Emílio Ashmole (1617-1692) de quem a Universidade de Oxford
conserva, com seu nome, um museu de raridades, e é bem sabido
que os verdadeiros Rosa-Cruzes jamais nutriam preconceito de sexo,
nem por princípio jamais o aprovariam.
Sobre a reforma
de 1717 comenta o famoso maçom Miguel André Ramsey
(1686-1743), contemporâneo dos reformadores: “Muito
de nossos ritos e costumes contrários aos preconceitos dos
reformadores forma mudados, disfarçados e suprimidos, e assim
muitos irmãos lhes esqueceram o espírito e lhes retiveram
apenas a casca externa, porém no futuro a Maçonaria
será restaurada em sua pristina glória”. (C.
W. Leadbeater, Glimpses of Masonics History, p. 309).
Por sua vez, o erudito e alto Maçom e Rosa-Cruz Charles Sotseran,
32º, escreve em 11 de janeiro de 1877: “As Constituições
de 1723 e 1738 do falso Maçom Anderson foram adaptadas para
a recém-emplumada da primeira Grande Loja de Livres e Aceites
Maçons da Inglaterra, tal derivaram todas as demais do mundo
atual. Anderson compilou estas adulteradas Constituições,
e a fim de contestar a chamada ‘história de lixo’
da Ordem teve a audácia de declarar que quase todos os documentos
relativos à Maçonaria na Inglaterra haviam sido destruídos
pelos reformadores de 1717. Felizmente, no Museu Britânico,
na Biblioteca Boldeiana e em outras instituições públicas
Rebold, Hughan e outros descobriram provas suficientes ao molde
das antigas Observâncias Maçônicas Operativas,
para refutar a assertiva”. Depois de salientar que graças
à Maçonaria Especulativa os Estados Unidos lograram
obter sua independência política, pois Maçons
foram Washington, Lafayette, Franklin, Jefferson e Hamilton, e a
Itália obteve sua unidade através do braço
executor do Maçom 33º Garibaldi, continua:
“A Maçonaria especulativa tem muitas tarefas a executar.
Uma delas é a de admitir a mulher como colaboradora do homem
nas atuações da vida, segundo o fizeram recentemente
Maçons húngaros ao iniciarem a condessa Haiderk. Outra
importante tarefa é o reconhecimento prático da fraternidade
humana, de modo que a nacionalidade, a cor, crença e posição
social não sejam obstáculos ao ingresso na Maçonaria.
O negro não há de ser irmão do branco apenas
teoricamente, pois Maçons da raça negra não
são admitidos nas Lojas norte-americanas. É preciso
persuadir a América do Sul, a participar dos deveres para
com a humanidade. Se a Maçonaria há de ser, como se
pretende, uma escola de ciência e religião progressivas,
deve ir na vanguarda e não na retaguarda da civilização”.
(H. P. Blavatsky, Isis Unvelled, Vol. II, p. 389, ed. 1931).
Nas investigações empreendidas nesse setor, o primeiro
Escrito com o nome Freemason que aparece é um ato do Parlamento
do ano de 1530, 25º ano do reinado de Eduardo I, regulamentando
a profissão de pedreiro; é minucioso em suas normas
e omisso em relação à mulher. Depois vem o
chamado “Manuscrito Régio” ou de “Halliwel”,
descoberto por um antiquário não-maçon no Museu
Britânico de Dnodez escrito em 1390 e publicado no Magazine
Freemason de junho de 1815, porém que, segundo alguns autores,
era cópia de um escrito mais antigo. Trata-se de um pequeno
livro em papel de vitela, com 794 versos em inglês arcaico.
A primeira parte trata da tradição da Corporação,
e a segunda, dos versos 97 a 794 é de estrito teor legal
maçônico, mas nada se consigna ali de ser a Maçonaria
privativa só para homens. Muito ao contrário, deparam-se
provas, no mínimo, da presença e colaboração
femininas. Com efeito, em seu artigo 10º, versos 203 e 204,
se lê: que nenhum Mestre suplante outro, senão que
procedam todos entre si como irmão e irmã. No ponto
9º, versos 351 e 352, se diz: Amavelmente, servindo-nos a todos,
como se fossemos irmão e irmã.
Em todo esse
histórico documento, básico para uma autêntica
enumeração dos “Antigos Limites” ou Landmarks,
existe apenas uma proibição: a admitir servos (verso
129) e inválidos (verso 154).
Também
a Constituição de York, de 926, em seu artigo 11º
assinala a condição obrigatória de o candidato
à iniciação não ser servo, inválido
ou de maus costumes, e nada expressa contra a mulher.
O mesmo acontece em outros documentos antigos, como o “Manuscrito
de Watson”, de 1440, que coincide bastante como “Manuscrito
Régio”, levando o nome de quem o descobriu na Biblioteca
Boldeiana de Oxford.
Afinal, no regulamento elaborado em Londres em 27 de dezembro de
1663, numa assembléia geral em que o Conde Santo Albano foi
eleito Grão-Mestre, consta em seu artigo 2º que ninguém
seria admitido na confraria que não fosse são de corpo,
de nascimento honrado, de boa reputação e submisso
às leis do país. Ainda uma vez nenhuma referência
discriminatória à mulher. E segundo o Dr. Chethwode
Grawley (A. Q. C. XV, 69), existia em Deneraible, Irlanda, em 1710-12
uma Loja especulativa do tipo inglês, na qual foi iniciada
Elizabeth St. Leger, uma famosa dama maçônica.
Mais recente ainda são as Constituições de
Grande Loja de Hamburgo e os Estatutos de Grande Loja da Dieta Alemã.
Foram aceitas e aprovadas em 10 de março de 1782, sendo Frederico
Guilherme II da Prússia o Grão-Mestre e Protetor da
Ordem. Elas reproduzem com esmerada exatidão os “Antigos
Limites”, sob a denominação mais moderna de
Charges Landmarks, e nenhuma alusão fazem à mulher
nem contra a sua admissão na Maçonaria.
A revista inglesa
Hiram, em seu número maio-junho de 1908, publicou na íntegra
uma cópia de um “old charge” destinado à
Grande Loja de York, cujo original estaria na posse da Loja York
nº 236.
No Bulletin
International du Droit Humain do mês de maio de 1914 (páginas
390-394) uma Grande Inspetora da Federação Britânica
precisou que se trata de um texto datado de 1643, isto é,
de uma época em que existia sem sombra de dúvida,
e já há longo tempo, uma Loja maçônica
em York, e uma Loja que admitia as mulheres. Ele cita o texto inglês
original de um parágrafo do manuscrito particularmente sugestivo:
“Before the spec al charges are delivered, the one of the
elderes taking the book and that hee or she to be made a Mason shall
lay their hande thereon and the charges shall be given”.
O que se traduz como: “Antes que as instruções
especiais sejam dadas (nossa irmã prefere traduzir a palavra
‘ordenações’ pela palavra ‘instruções’),
um dos mais antigos toma o livro e aquele ou aquela que deve ser
constituído Maçom lhe coloca as mãos em cima,
e as instruções são dadas”.
Mas nossa erudita irmã não se restringe a este documento,
pois utilizou também outros: “Examinando os registros
das antigas corporações - declara-nos ela - encontram-se
apenas cinco de cada quinhentos existentes (um por cento), que não
estavam igualmente constituídas de homens e mulheres”.
E ela acrescenta que há dificuldade de escolha entre a profusão
de manuscritos que ela pôde compulsar. Limita-se, todavia,
a apresentar três outros, conservando o arcaico texto inglês
que respeitaremos.
Vem primeiro uma citação tirada da “Corporação
de Santa Catarina, de Chartres”, datada de 1494 e assim começa:
“Admissão de Irmãos e Irmãs na Corporação
de Santa Catarina.
“...Depois se fará que se aproximem todos aqueles que
deverão ser admitidos como Irmãos e Irmãs na
Corporação, e o Alderman (dignitário tomado
posteriormente “Mestre” ou “Vigilante”)
os interrogará desta maneira: “Senhor ou Senhora, desejais
tornar-vos Irmãos entre nós, nesta corporação?”.
E, de sua própria vontade eles deverão responder “sim”
ou “não". (3)
Uma segunda citação é tirada das Ordenações
da Corporação de Corpus Chisti, York 1408, cujo manuscrito
mostra de maneira insofismável que é maçônico:
“Ordenação V: Nenhum leigo será admitido
na Corporação exceto apenas aqueles que exercem uma
profissão honesta, mas todos, sejam clérigos ou leigos,
e de ambos os sexos, serão recebidos se forem de boa reputação
e bons costumes”. (4)
No mesmo manuscrito
se indica que os Irmãos e Irmãs deverão prestar
juramento sobre um livro livro (5), e várias vezes se faz
alusão à “Dama”, particularmente no juramento
do Aprendiz, onde esta jura obedecer ao “Mestre”, ou
à “Dama”, ou a todo outro Franco-maçom"
(6)
Enfim, um último
documento nos é apresentado.
Na Idade Média
havia já desenhos especiais e um modo característico
inscritos sobre a campa sepulcral dos Franco-maçons, tal
qual ainda se encontram nos velhos cemitérios, e que permitem
aos irmãos reconhecerem que ali jaz um dos seus. Ora, um
velho testamento apresenta uma perturbadora conexão com este
costume. Está datado de 4 de fevereiro de 1482 e emana da
falecida Margaret, esposa de John Paston, Escudeiro, e filha e herdeira
de John Mauteboy, também Escudeiro (7). Ela ordena ali que
uma inscrição coincidente com o moto dos Franco-maçons
seja gravada em sua tumba, em respeito às prescrições
maçônicas. Uma placa de mármore conterá
escudos nos quatro cantos e, no meio da mesma, desejo ter um escudo
só com as armas paternas, encimando esta inscrição:
“Em Deus está a minha confiança” (8).
E a M. Il. Ir termina seu trabalho de investigação
com uma pergunta muito judiciosa: “Se os Antigos Mistérios
nunca incluíram as mulheres, e se mesmo as Corporações
operativas as mais maçônicas as recebiam de muito bom
grado, por que então a maçonaria especulativa masculina
de nossa época persiste tanto na discriminação
contra elas?”.
Na longa história da Maçonaria, a primeira vez que
aparece a proibição discriminatória contra
o elemento feminino é no “Livro das Constituições”,
compilado e publicado em 1723 por James Anderson, presbítero
anglicano e Gr. Vig. da Grande Loja de Londres, que no final de
seu artigo 3º diz: As pessoas admitidas a fazer parte de uma
Loja devem ser boas, sinceras, livres e de idade madura: não
são admitidos escravos, mulheres, pessoas imorais e escandalosas,
mas exclusivamente as que são de boa reputação.
Esta proibição foi repetida posteriormente no 18º
Landmark compilado por Mackey em sua Enciclopédia, donde
outros a tem copiado.
No entanto,
não tardou a reação. A Maçonaria continental
jamais se conformou com tão estranha discriminação
contra a mulher. E como que por triste ironia da sorte, o golpe
lhe foi desferido no exato momento em que se promovia a ampliação
dos estreitos horizontes da Maçonaria Operativa para os mais
brilhantes e esperançosos da Maçonaria Especulativa.
Conseqüentemente, em 1730 esboçou-se na França
a Maçonaria de Adoção, destinada às
mulheres, em quatro graus. Outras Ordens surgiram depois, como a
Moisés em 1738, fundada por alemães, e a dos Lenhadores
em 1747, derivada dos Carbonários da Itália. Mais
associações similares vieram depois, como a Ordem
do Machado na França, onde o Grande Oriente acabou criando
um novo Rito em 1774, chamado de Adoção, com seus
regulamentos próprios e sob o patrocínio de uma Loja
regular. Em 27 de Julho de 1786 o Conde Cagliostro, iniciado por
volta de 1770 na antiga Maçonaria Egípcia pelo Conde
de Saint Germain, fundava em Lyon, França, a Loja-Mater Sabedoria
Triunfante, do Rito da Maçonaria Egípcia adaptado
a homens e mulheres, declarando que desde que as mulheres haviam
sido indistintamente admitidas nos antigos Mistérios, não
havia nenhuma razão para excluí-las das ordens modernas.
A princesa Lamballe aceitou prazerosamente a dignidade de Mestra
Honorária de sua sociedade secreta, e sua iniciação
foi assistida por membros dos mais importantes da corte francesa.
As Lojas de Adoção acabaram por se espalhar por toda
a Europa e depois pela América do Norte, e o movimento culminou
na fundação em 4 de abril de 1893, em Paris, pelo
Dr. Georges Martin e sua esposa, da Ordem Maçônica
Mista Internacional Le Droit Humain (“O Direito Humano”),
também denominada Comaçonaria Internacional. Essa
Ordem outorga iguais direitos a homens e mulheres, e os admite e
inicia ao mesmo nível de igualdade; hoje está instalada
nos cinco continentes.
Importa assinalar que os preconceitos e discriminações
contra as mulheres e outras classes e raças sempre existiram,
em toda a parte, mas ao Maçom como a toda pessoa bem informada
cumpre combate-los e desfaze-los, e não apóia-los.
Já há cinco mil anos o divino Avatar Shri Krishna
os impugnava nas castas da Índia com estas palavras: “Aqueles
que em Mim se refugiam, ó Arjuna! Ainda que concebidos em
pecado, sejam mulheres, comerciantes ou artífices, também
vão para o Eterno.” (Bhagavad Gita, IX, 32).
Há 2500
anos Buda contestava o regime de castas na Índia e aceitava
igualmente homens e mulheres como seus discípulos no seu
Sangha (Confraria). Há 2000 anos Cristo sempre prestigiou
as mulheres, dialogando com elas, escolhendo-as para anunciar sua
chegada e partida, defendo-as das injustiças dos homens,
e escolhendo a maior delas para ser sua Mãe.
Por último
temos as palavras de São Paulo, um Iniciado nos antigos Mistérios
e que por isso se apresenta como “sábio mestre construtor”
(I Cor. 3:10). Assim aconselha ele sobre o trato com as mulheres
e os servos: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo
já vos revestistes de Cristo. Nisto não há
judeu nem grego, não há servo nem livre, não
macho nem fêmea, porque todos vós sois um em Cristo”
(Gal. III, 27, 28).
Parodiando o grande Apóstolo diríamos: “Quem
honra suas insígnias maçônicas perde todo preconceito
de nacionalidade, classe social e sexo” (9).
A Maçonaria de Adoção
Aos Irmãos que nos apontam a Loja ou Maçonaria
de Adoção como prova de que ali também se acolhem
as mulheres, cabe esclarecer que a Maçonaria de Adoção
não é senão um simulacro da verdadeira Maçonaria,
quando não uma espécie de engodo. Embora às
vezes possa prestar serviços de beneficência social,
como qualquer outra associação beneficente, ela não
pode outorgar os legítimos privilégios e direitos
maçônicos. A propósito, são muito elucidativas
as seguintes considerações do Il e Pod Irmão
Eduard Gesta, 33º, de Paris:
“Se o homem ou mulher deseja alcançar a Iniciação
pela via maçônica, isto só é possível
por meio dos ritos simbólicos tradicionais, com exclusão
de todos os demais. No tocante a organizações iniciáticas,
achando-se assim condenados todos os sistemas que utilizam ritos
e símbolos inventados ou fabricados, que não passam
de plágios dos da Franco-maçonaria. É o caso
não somente da Maçonaria de Adoção,
mas também de todas as instituições pretensamente
iniciáticas que se proveram de um aparelhamento simbólico
semelhante ao nosso”.
“Limitar-me-ei simplesmente a lembrar que não há
senão uma forma de iniciação maçônica,
e que não pode haver mais que uma. A mulher que deseje obter
a iniciação por essa via, deve ser admitida numa Ordem
maçônica que mantenha uma filiação autêntica
e que pratique e transmita os ritos tradicionais, como, por exemplo,
a Ordem Maçônica Mista Internacional”.
(Bulletin Internacional nº 8, Paris, dezembro de 1958)
É muito comum as esposas e outras parentes de Irmãos
filiados à Maçonaria masculina solicitarem e obterem
admissão na Ordem Maçônica Mista Internacional
Le Droit Humain. Ali, as mulheres são normalmente muito eficientes
e compenetradas no desempenho de seus cargos e funções,
tão bem e não raro melhor que os homens.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade
Há séculos a Franco-maçonaria adotou
para seu lema o moto Liberté, Égalité, Fraternité,
que mais tarde foi incorporado à Revolução
Francesa. Todavia, para ser válido, esse elevado ideal deve
ser vivido e aplicado integralmente. Mormente na Maçonaria,
por seu brilhante passado, tem de ser tão amplo e generoso
que inclua indistintamente todos os indivíduos, de ambos
os sexos, e não ficar restrito a um pequeno grupo de privilegiados,
como vem ocorrendo dentro e fora dela.
A rigor, o ideal expresso nesse conhecido trinômio não
nasceu com a Franco-maçonaria; é muito mais antigo.
Suas raízes mais profundas remontam à antiga Índia,
onde tem sido enunciado e vivido em termos diferentes e com significação
mais subjetiva, ou seja, Libertação, União
e Compreensão, fatores básicos para uma saudável
tanto de caráter individual como do nacional. Onde quer que
se desrespeite esse ideal, ali reinam o caos, a confusão,
a discórdia e a desintegração final.
Da Libertação nasce a liberdade individual e coletiva,
da União a igualdade, e da Compreensão a fraternidade.
Mas a iniciativa tem de ser espontânea e partir do interior
de cada um, individualmente. No país de Gandhi e Nehru há
milênios este ideal é fundamental em todas as suas
escolas filosóficas, religiões e sistemas de Yoga.
Onde houver qualquer tipo de discriminação, mesmo
que justificada, ali se estará negando o tão proclamado
ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e bloqueando a plena
efusão do Amor infinito que, segundo Cristo (Mat. 6:45),
“o Pai que está nos céus faz que seu sol se
levante sobre justos e injustos”. E que dizer então
quando uma discriminação é feita, não
por serem as pessoas más ou injustas, ms simplesmente por
serem de sexo diferente, o sexo que Deus lhes deu?
Liberdade é o anseio nato de todas as criaturas, pequenas
ou grandes, de se tornarem livres, subjetiva e objetivamente. Igualdade
é o reconhecimento da origem divina comum de todos os seres
humanos e a outorga de oportunidades iguais, que o famoso socialista
e maçom francês Pierre Joseph Proudhon (1809-1865)
assim formulou: “a cada um segundo suas necessidades e de
cada um segundo suas capacidades”. Fraternidade é a
implantação de uma irmandade de seres humanos livres
e justos, isenta de discriminação de raças,
sexo, crenças castas e nacionalidades.
A Franco-maçonaria foi idealizada e constituída numa
época em que na Europa ainda subsistiam leis e costumes,
os mais retrógrados, herdados do feudalismo medieval e que
mais tarde provocaram a eclosão da revolução
francesa e a radical transformação dos sistemas econômicos,
políticos e sociais, inaugurando progressivamente uma nova
era mais democrática para todos os povos. Desde então
homens e mulheres passaram a tornar-se cada vez mais livres e auto-suficientes,
política e culturalmente, e audazmente abriram novos caminhos
e prepararam o terreno para a implantação de uma ampla
democracia, capaz de derrubar todas as barreiras separatistas. E
a democracia aí está, vicejante e forte, conseguida
à custa de muito “suor, lágrimas e sangue”,
porém, ainda se encontra em processo de aperfeiçoamento.
Nesta sua fase de transição a democracia ainda mostra
lacunas, porém são menores que as de outro regimes.
Com o tempo e nosso esforço ela atingirá a sua maturidade,
tal qual a sonhou Platão em sua Atlântida, Lorde Bacon
em sua Nova Atlântida, Sir Thomas Moore em sua Utopia, e o
Apocalipse a prenuncia aos cristãos em sua Nova Jerusalém,
que “descerá do Céu à Terra”, ou
seja, a democracia celeste se fundirá com a terrena.
Hoje assistimos a uma irreversível evolução
social em que as mulheres, antes discricionariamente relegadas a
um plano secundário, atuam ativa e altivamente, ombro a ombro
com os homens na vida política, econômica, científica,
social, artística, militar e administrativamente de seus
países. Na Inglaterra, berço da Franco-maçonaria,
tanto os homens como as mulheres só atingiram a plenitude
de seus direitos democráticos durante o século vinte,
e atualmente esse grande Império está sob o governo
de duas Damas Ilustres - a Rainha e sua primeira-ministra. Por outro
lado, em muitos outros países, dos mais civilizados, evidencia-se
a brilhante atuação do elemento feminino como seus
presidentes, primeira-ministras, diplomatas, magistradas, senadoras,
deputadas, cientistas, escritoras, educadoras, esportistas, e exercendo
funções militares tanto na paz como na guerra.
Durante os quase 300 anos que decorreram desde a reforma da Maçonaria
em 1717, as Constituições e leis dos países
têm sido profundamente alteradas no sentido de democratizá-las
e ajustá-las à evolução do tempo. A
escravidão, por exemplo, essa terrível chaga que a
Europa herdou de um passado remoto e tenebroso, nos fins do século
dezoito começou a levantar na Inglaterra ondas de protestos
contra o seu comércio, porém só em 1807 o Parlamento
promulgou uma lei proibindo-o. Em 1833 outro decreto liberou cerca
de 800.000 escravos nas Índias Britânicas, em 1838
a escravidão foi totalmente abolida n Índia. Depois
foi extinta nas colônias francesas em 1848; nas portuguesas
em 1856; na Rússia em 1861 e nos Estados Unidos em 1865,
depois de vencida a Guerra de Secessão. Finalmente em 13
de maio de 1888, após longa, dura e memorável campanha,
foi abolida no Brasil, entre profusão de flores e extensos
festejos populares.
Também na Inglaterra a Senhora Millicent Garret, G.B.E.,
(1847-1929), iniciou por volta de 1867sua campanha em prol do sufrágio
das mulheres, a qual só culminou em 1918, nos fins da 1ª
Grande Guerra Mundial, quando o Parlamento britânico estendeu
o direito de voto a cerca de seis milhões de mulheres. Foi
o glorioso resultado de um longo e duro prélio em que as
sufragistas, tanto nas ruas como nas prisões, mostraram a
tenacidade de suas fibras de lutadoras e a acuidade de sua inteligência
bem aplicada.
Durante as duas últimas Guerras Mundiais as mulheres se destacaram
e celebrizaram como mártires e heroínas nas frentes
de batalha em terra, mar e ar. Na França lutaram entre os
“partisans” nas guerrilhas de resistência, e só
depois da Segunda Guerra adquiriram o ali o direito de voto e de
ingressar na Academia de Ciências e Letras. Na Inglaterra
desempenharam papéis importantes do Real Serviço Naval
das Mulheres, no Serviço Territorial Auxiliar. no Serviço
Aéreo Auxiliar Feminino, em que milhares de senhoras inglesas
da nobreza e da plebe auxiliaram ombro a ombro as forças
combatentes, e mesmo, em alguns casos, assumiram funções
combatentes.
Por outro lado, na retaguarda, em seus países empenhados
na Guerra, elas constituíram verdadeiros exércitos
femininos operando nos campos, fazendas e fábricas, para
prover recursos vários para a manutenção das
forças combatentes, contribuindo notavelmente no esforço
nacional em prol da vitória. Terminada a guerra, continuaram
as mesmas atividades, porém em escala reduzida.
Milhares dessas heroínas perderam suas vidas, saúde
ou filhos e pais nas frentes de batalha ou campos de concentração
inimigos. Que melhor prova que essa para mostrar o grau de maturidade
moral e espiritual atingido pela mulher moderna?
Na Bíblia cristã, nas antigas Escrituras Sagradas
de outras regiões, como na história de cada nação,
numerosas sãos as figuras femininas que as ilustram como
modelos de virtudes e exemplos de amor, abnegação
e lealdade, para glória dessas nações e religiões
a servir de padrão de conduta a seus cidadãos e adeptos.
Nos panteões das divindades e heróis das mais antigas
religiões e países, como o Egito, Índia, China,
Ásia Menor, Grécia antiga e Roma e outros, ao lado
de seus deuses e heróis geralmente está a sua Consorte,
diversamente denominada Deusa-Mãe, Mãe Divina, Magna
Mater, Virgem Mãe, a Consolatrix Afflictorum, como o Divino
Arquétipo feminino a que devem aspirar ser todas as dignas
esposas e mães.
Em suma, em todos os tempos e regiões os povos cultos sempre
reservaram um lugar de relevo para a Dama Arquetípica a ser
cultuada, respeitada e imitada, por seus sublimes dotes de ternura,
compaixão, proteção, paciência, compreensão,
beleza e sabedoria.
Em 24 de outubro de 1945, finda a 2ª Guerra Mundial, com a
vitória total das potências democráticas, foi
fundada a Organização das Nações Unidas
(ONU), com sede permanente nos Estados Unidos, cuja Carta Magna,
entre outros objetivos, visa precipuamente garantir o desenvolvimento
dos direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os povos,
sem distinção de raças, sexos, línguas
e religiões.
Essa carta foi aceita e assinadas praticamente por todas as nações
do mundo.
No Brasil, desde 1981 sua Constituição declara que
todos os cidadãos são iguais perante a lei, sendo
proibido e passível de punição qualquer discriminação
de raça, sexo, cor ou crença. De sorte que, neste
país, toda mulher pode livremente concorrer a cargos públicos
na Magistratura, Universidades, Governo, Parlamento, escolas, Academia
de Ciências e Letras, exército e polícia, bem
como no comércio em geral.
Via de regra, em todo o mundo civilizado contemporâneo não
mais se antepõem óbices à admissão e
colaboração do elemento feminino, mas, antes, são
solicitados, e a tendência é tornar-se cada vez mais
atuante a sua participação em todas as atividades,
nas mesma condições do elemento masculino, segundo
as aptidões e méritos de cada um. Sendo esse o quadro
social imperante no mundo moderno, qualquer discriminação
antidemocrática, irracional, que se faça nos dias
de hoje contra nossos semelhantes se chocará inevitavelmente
contra as suas leis e costumes, muito mais avançadas no século
vinte do que as suas congêneres vigentes no século
dezoito e em épocas anteriores.
|