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Ricardo Maranhão *
Em
março de 1923, morria Rui Barbosa, o mais aplaudido publicista
brasileiro que, numa classificação exígua,
foi senador, advogado, diplomata, ensaísta, orador, escritor,
enfim, nenhum ferrete classificatório pode abarcá-lo
convenientemente.
Seus labores lingüísticos, vocabulários, senhor
das palavras esmerilhadas, conhecem todos, sabem os juristas, aplaudem
as academias, acolhem os estudiosos de todas as matérias,
estribilham os daqui e dacolá. Rui é um mundo.
Contudo, quando este
mesmo planeta sofre as ameaças de uma guerra insana, impulsionada
pelo despudorado Bush, apoiado numa arrogância obstinada e
beligerante, lembro-me de Rui Barbosa, quando da Segunda Conferência
de Paz, em Haia, no ano de 1907, convocada pelo czar da Rússia,
desempenhando o inesquecível baiano papel de grande importância.
Lutou sobretudo pelo princípio da igualdade jurídica
das nações soberanas, enfrentando irredutíveis
preconceitos das grandes potências. Venceu o joalheiro do
verso, venceu o diplomata sutil, venceu o Brasil desarmado que,
estribado nas conquistas da cultura, ganhou a guerra e trouxe a
paz. Por isso, foi chamado de "O águia de Haia".
Nos primeiros momentos
do governo que renova as esperanças dos brasileiros, dias
após o presidente Lula, no Congresso Nacional, ter advertido
das dificuldades que iremos passar em função desta
guerra, trago estas reflexões aos leitores.
Rui, casulo de metáforas radiosas, do verbo lavado e transparente,
das orações penetrantes, da inconfundível Oração
aos Moços, que cada qual de nós, em nossos colégios,
teremos lido. E leremos de novo, saudação e semântica
de brilhos incontornáveis, arrolamento de elegâncias
verbais, senhor do verso e da paz.
Rui, se aqui estivesse,
estatura franzina, gestos sublimados, nos deixaria a lição
que sustenta ser o maior direito das nações o de permanecerem
soberanas o maior deles, recapitulando o que o profeta Isaías
acentuou há 2.600 anos: só existirá paz como
filha da Justiça. Rui está aqui, em espírito,
o que significa estar em verdade. Vamos aplaudi-lo.
Sempre Rui.
Presença maravilhosa, que enche de glória as galerias
da fama do Brasil, insubstituível, advogado maior, jurista
inconfundível, senador das palavras para sempre oportunas
e eternas Por isso, sempre Rui, nascido na Bahia, mas que, com sua
inteligência gigantesca, ocupou todo o Brasil. |