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Matéria
Pesquisada nas obras
pelo Irmão Roberto Chirenti.
"Ao encontro do passado" (Seleções).
"Os Grandes Iniciados" (L Schuré),
"Manual del Aprendiz"
(Magister) e
"O mito de Perséfone" (Ganimedes),
A palavra "mistério" deriva de
um vocábulo grego que significa fechar os olhos e, os Mistérios
de Elêusis eram segredos ciosamente guardados, protegidos
por sanções, tais como a morte para qualquer pessoa
impura que espiasse os ritos sagrados, ou o confisco das terras
de um iniciado que revelasse os segredos do culto.
Em tempos imemoriais, uma colônia grega vinda
do Egito havia trazido para a tranqüila baía de Elêusis
o culto da grande Ísis, sob o nome de Deméter ou mãe
universal.
Desde esse tempo, Elêusis ficou sendo um centro
de iniciação.
Deméter e sua filha Perséfone (Ceres e Proserpina
para os romanos) presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios.
Daí seu prestígio. Muitos desses mistérios
ainda não foram desvendados; no entanto, no grande complexo
de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter,
o Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas
em vasos que representavam alguns desses ritos.
Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe
e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste,
mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos
deuses cosmogânicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram
sempre a grande doutrina esotérica que lhes vinha do Egito,
da qual a Maçonaria é a grande depositária
nos dias atuais. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do
tempo, revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica,
repleta de beleza.
A doutrina da vida universal
O ritual dos Mistérios de Elêusis encontrava expressão
na lenda da deusa Deméter e sua filha Perséfone, raptada
por Hades (Plutão), rei do Mundo Inferior, quando colhia
flores com suas amigas, as Oceânidas, no vale de Nisa. Deméter,
ao tomar conhecimento do rapto, ficou tão amargurada que
deixou de cuidar das plantações dos homens aos quais
havia ensinado a agricultura. Os homens morriam de fome, até
que Zeus (Júpiter), que havia permitido a seu irmão
Hades raptar Perséfone, resolveu encontrar uma forma de reparar
o mal cometido. Decidiu, então, que Perséfone deveria
voltar à Terra durante seis meses para visitar sua mãe
e Outros seis meses passaria com Hades.
O mito simboliza o lançar sementes à
terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de morte
e ressurreição. No seu sentido íntimo, é
a representação simbólica da história
da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas
trevas do esquecimento e depois sua re-ascensão e volta à
vida divina. E a Doutrina da vida Universal, que se encerra no simbólico
grão de trigo de Elêusis, que deve morrer e ser sepultado
nas entranhas da terra, para que possa renascer como planta, à
luz do dia, depois de abrir caminho através da escuridão
em que germina. É a mesma doutrina pela qual o candidato,
tendo passado por uma espécie de morte simbólica no
quarto de Reflexões, renasce para uma nova vida como Maçom
e progride por meio do esforço pessoal, dirigido pelas aspirações
verticais que são simbolizadas pelo prumo. |