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Ir.. Frederico
Guilherme Costa
Nos chamados
Ritos Teístas, o juramento substitui o compromisso adotado
pela Maçonaria Moderna.
Esta prática
de "jurar" vem dos antigos maçons medievais e o
juramento conservado na maioria dos Ritos Contemporâneos,
tem permitido um constante ataque à Instituição.
Apesar das variantes, permanecem as ameaças e críticas
a este sistema teológico.
Na segunda edição
de 173O da Masonry Dissected, de Samuel Pichard, temos:
"Prometo
e juro solenemente aqui e na, presença de Deus Todo Poderoso
e diante desta respeitável Assembléia a qual reverencio,
que manterei oculto e não revelarei os segredos dos maçons
nem da Maçonaria que me serão revelados, a não
ser que seja para um verdadeiro e leal Irmão, depois da devida
comprovação ou em Loja Justa e Perfeita, na qual reúnem-se
os Irmãos e Companheiros".
Ademais prometo
não escrever, imprimir, gravar, etc. sobre madeira ou pedra,
de tal maneira que qualquer vestígio de uma letra possa aparecer,
permitindo que o segredo seja revelado de forma ilícita.
Tudo isto sob
pena de ser degolado, minha língua arrancada, meu coração
extirpado pelo lado esquerdo para depois ser enterrado nas areias
do mar, a determinada distância da praia, quando a maré
efetue seu fluxo e refluxo duas vezes em 24 horas; que meu corpo
seja reduzido a cinzas e espalhadas sobre a face da terra, de tal
modo que não reste a menor lembrança minha, entre
os maçons. Que Deus me ajude." (1)
Esta forma teatral
tinha por finalidade gravar no inconsciente do candidato as suas
responsabilidades e deveres, numa época em que a prática
civil e criminal assim o estabelecia.
Na introdução
ao nosso trabalho "Maçonaria - Um Estudo da sua História",
afirmamos:
"Na realidade
esta fórmula de Juramento era exigida pelo Direito Inglês,
pelos idos dos séculos XVII e XVIII. O perjúrio deveria
ter queimadas as entranhas atiradas ao mar, etc". (2) O próprio
Anderson, na segunda edição das Constituições
- 1738 - esclareceu o propósito das ameaças, deixando
claro que a solenidade do juramento nada acrescentava à obrigação,
ou seja, o juramento obrigava por si só, existisse ou não
a penalidade. (3)
Fica claro que
o segredo e o juramento remontam à Maçonaria Operativa,
acorde com os costumes profanos da época, atitude esta continuada
em 1717.
Quando juramos
estamos invocando a divindade como testemunha. Este juramento pode
ser assertivo quando procura atestar a veracidade de Uma declaração,
ou promissório, quando atesta que alguém cumprirá
uma promessa.
Parece ser um
antigo costume adotado pela Maçonaria teísta jurar
com o mão levantada
Levanto minha mão ao Senhor Deus Altíssimo, Senhor
do Céu e da Terra". (4)
Introduzir-vos-ei
na terra que com mão levantada, jurei dar a Abraão,
a lsaac e a Jacó e vo-la darei em possessão hereditária.
Eu, o Senhor".(5)
"Na verdade
ao céu levanto a minha mão e digo: "Eu vivo eternamente!"(6)
Felizmente não adotamos o juramento solene prestado com a
mão do promitente sobre os órgãos genitais
do outro, considerando a fonte da vida, um objeto sagrado:
"Disse
Abraão ao servo mais antigo de sua casa, o administrador
de todos os seus bens" Põe, te rogo, a tua mão
debaixo da minha coxa, e jura-me pelo Senhor, Deus do céu
e da terra..." (7)
"Sentindo
Israel avizinhar-se-lhe o tempo de morrer, chamou a si o seu filho
José e disse-lhe: Se encontrei favor aos teus olhos, põe
a tua mão debaixo da minha coxa, e promete usar comigo de
benevolência e fidelidade; por favor, não me sepultes
no Egito".(8)
Em Mateus, finalmente,
é possível encontrar a idéia de que numa sociedade
regenerada não há lugar para juramentos, pois a palavra
de um homem é suficiente, e eu diria: principalmente a de
um livre pensador moral ilibada e de bons costumes.
Atestando Mateus:
"Ouvistes mais que foi dito (aos antigos.- Não jures
falso, mas cumpre os juramentos feitos ao Senhor Eu, porém
digo-vos que não jureis de modo nenhum, nem pelo céu,
que é o trono de Deus, nem pela Terra, que é o escabelo
de seus pés, nem por Jerusalém que é a cidade
do Suíno Rei. Nem jures pela tua cabeça, porque não
podes tornar branco ou preto um só cabelo. Seja, pois, o
vosso falar.Sim, sim, não, não, porque tudo o que
passa disto procede do maligno. " 9
Portanto, se
o próprio livro da Lei Maçônica nos apresenta
uma interpretação clara sobre a impropriedade do juramento,
por que não adotar, plenamente, o compromisso como recomenda
a Maçonaria Moderna?
Parece-nos,
infelizmente, que a opinião dominante situa-se na direção
oposta a esta recomendação. Vejamos um exemplo:
Compromisso
e, a promessa recíproca, o ajuste, o acordo, o contrato,
o regulamento de, uma confraria Algumas obediências e Ritos
Maçônicos costumam substituir a palavra juramento por
compromisso, nos trabalhos de, Loja ou da Obediência Não
procede, todavia tal alteração, pois juramento é,
unilateral enquanto que compromisso envolve reciprocidade; quando
um candidato faz o seu juramento está, aceitando deveres
para com a Ordem não existindo a recíproca (10)
Justamente por
entender que a promessa recíproca existe entre o recipiendário
e - a Ordem - a Luz em troca do serviço desinteressado -
é que a Maçonaria Moderna concorda com o pressuposto
evangélico de que a palavra de um homem é suficiente.
Mas contundente
ainda são os argumentos éticos a favor do compromisso
no lugar do juramento, pois a idéia de comprometer se liga
ao conceito existencialista de filosofia. Pode ser aplicado em um
sentido amplo, como fundamento de toda existência humana e,
igualmente, num sentido mais estrito, corno elemento fundamental
do filósofo.
Estes dois conceitos
estão interligados, pois não podemos dissociar o interesse
do filósofo da existência humana
Comprometer-se
filosófica ou maçonicamente, pois somos filósofos,
na medida em que amamos a sabedoria, significa vincular intimamente
a teoria com a prática: glorificando o trabalho com o desbaste
da pedra bruta.
Recusar assumir
o compromisso significa opor-se ao solicitado, recusando-se, portanto,
a aceitar o ajuste, o polimento da mesma pedra.
Nenhum maçom
deve, enquanto tal, se comprometer, a menos que tenha compreendido
a totalidade das proposições.
Apenas a título
de exemplo histórico devemos nos lembrar de que a Constituição
dos Estados Unidos nasceu do Grande Compromisso da Convenção
de Filadélfia, e não de um juramento prestado por
seus notáveis ideólogos, e ninguém duvida de
que a América era uma terra de virtuosos protestantes.
Fundamentalmente
o compromisso deve ser entendido, racionalmente, como um consentimento,
uma troca de concessões entre as partes, ou seja, um acordo.
Eu me comprometo a servir pela minha tenure (11) pa com a Ordem
em troca da Luz, da Iniciação Maçônica.
Está
em questão, portanto, este controvertido aspecto da Arte
Real. A palavra final é sua.
NOTAS
1. RICHARD,
S. Masonry Fissected, being an universal and genuine description
of all its Branches, from the Original to the present time as it
delivered in the constituted regular Lodges, both in City and Country
London, Byfield and Haw Keswith, 1730, pág 12 In: Benimelli
Masoneria, Iglesia e Ilustracion Vol 1, págs. 63/64 Fundacion
Universitária Española Madrid, 1982.
2. COSTA, Frederico Maçonaria - Um Estudo de sua História
Ed. Maçônica Trolha Londrina - Pr 1990.
3. MELLOR Alec Citado por Benimelli, op. cit., pág 67.
4. Gênesis, XlV, 22.
5. Êxodo VI, 8.
6. Deuteronômio, XXXII 40.
7. Gênesis, XIV 2, 3.
8. Gênesis, XLVII, 29.
9. Mateus V. 33, 34, 35, 36 e 37.
IO. CASTELLANI, J. Dicionário Etimológico pág
125. Editora "Trolha". Londrina - Pr 1990
11. Dependência. "Influência dos Antigos Símbolos
na Maçonaria Atual"
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